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    Peça cria amálgama a partir de danças que são populares nas ruas do Brasil

    No começo, tudo é silêncio e ausência. De repente, um bailarino entra em cena com as mãos erguidas para o alto e se posiciona no centro do tablado. Os movimentos são lentos e suaves, como se ele estivesse flutuando debaixo d'água. Esse langor, no entanto, é interrompido pelo ressoar de uma música que mistura funk e xaxado, momento em que o artista agita os pés de forma frenética. Leia mais (08/08/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de agosto de 2026 às 07:00
    Peça cria amálgama a partir de danças que são populares nas ruas do Brasil
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Hiltinho na peça 'Puff' - Andy Catlin / Divulgação

    Hiltinho na peça 'Puff' - Andy Catlin / Divulgação · Andy Catlin /
    Hiltinho na peça 'Puff' - Andy Catlin / Divulgação · Andy Catlin / — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No começo, tudo é silêncio e ausência. De repente, um bailarino entra em cena com as mãos erguidas para o alto e se posiciona no centro do tablado. Os movimentos são lentos e suaves, como se ele estivesse flutuando debaixo d’água. Esse langor, no entanto, é interrompido pelo ressoar de uma música que mistura funk e xaxado, momento em que o artista agita os pés de forma frenética.

    Tal como a canção, os passos são marcados pelo hibridismo. Ora lembram o samba e o breakdance , ora evocam o frevo e o passinho . A impressão é que a coreografia une os ritmos que brotaram em diferentes ruas do Brasil.

    Não à toa, radiografar os estilos populares do país é justamente uma das propostas de "Puff", espetáculo que estreia na quinta-feira, dia 13, no Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

    Hiltinho na peça 'Puff' - Andy Catlin/Divulgação · Andy Catlin/Divulgação
    Hiltinho na peça 'Puff' - Andy Catlin/Divulgação · Andy Catlin/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Dirigida por Alice Ripoll e estrelada por Hilton Junior, conhecido como Hiltinho Fantástico, a produção da companhia REC nasceu a partir do interesse do dançarino pelo passinho —dança que surgiu nas favelas cariocas nos anos 2000.

    O artista entrou em contato com esse movimento aos 8 anos, quando morava com a família em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A partir daí, o hobby se tornou profissão e ele passou a nutrir interesse pelas demais vertentes da dança. "Sempre tive essa vontade de misturar outros estilos com o passinho, porque ele é muito aberto para movimentações como o samba, o frevo e o hip hop."

    Esses três estilos, inclusive, enfrentaram estigmas ao longo dos anos por terem ganhado força em regiões periféricas. Situação parecida aconteceu com o passinho, associado no começo à marginalidade.

    Veja cenas da peça 'Puff', com Hiltinho Fantástico
    Veja cenas da peça 'Puff', com Hiltinho Fantástico — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Acho que ele está recebendo um olhar mais cuidadoso e sendo mais valorizado nesse momento, mas foi um trabalhão para chegar até aqui. A gente era muito separado. ‘Ah, é uma coisa só da favela.’ Não, o passinho é mundial agora."

    Como parte desse reconhecimento, o governo do Rio de Janeiro sancionou, em 2024, um projeto de lei que tornou o passinho patrimônio cultural imaterial do estado. "Acho que há muito o que ganhar ainda e muito o que misturar com outras danças. O passinho pode ser tudo", diz o dançarino.

    Com o prestígio conquistado nesse estilo, Hiltinho foi convidado para dançar nos shows de nomes como Anitta e Mariah Carey . O maximalismo das produções contrasta com o tom intimista de "Puff", espetáculo voltado a plateias reduzidas em que o destaque não está na pirotecnia, mas no corpo do dançarino.

    Imagens da cantora Anitta no novo projeto 'Equilibrium 2'
    Imagens da cantora Anitta no novo projeto 'Equilibrium 2' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa mudança de atmosfera influenciou a presença de Hiltinho sobre o palco. No lugar da postura explosiva típica de shows pop, ele adotou um semblante de natureza meditativa. "Na maioria dos momentos do trabalho, eu não olho o público. É uma tentativa de interiorizar um olhar para dentro, um olhar para mim."

    Isso fica nítido quando o bailarino esconde as íris debaixo das pálpebras, de modo a deixar toda a parte branca do olho à mostra. Ao fazer isso, é como se o artista estivesse perdido dentro de si mesmo.

    "Ele já dançou para plateias que tinham milhares de pessoas, mas também transita pela dança contemporânea com performances para 30 pessoas", diz Alice Ripoll, a diretora do espetáculo. "É um tipo de interpretação muito diferente. Não é tão comum que os dançarinos transitem com tanta facilidade entre esses tipos de performance."

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    Ao assistir ao espetáculo, chama a atenção também a intensidade dele sobre o palco. Apesar do semblante introspectivo, muitos movimentos de Hiltinho carregam grandes doses de energia. Essa, aliás, é uma das características do passinho —estilo conhecido pela agilidade com que seus adeptos movimentam os pés.

    Não à toa, o bailarino transpira bastante ao longo do espetáculo em razão do esforço físico, característica que se tornou um elemento cênico.

    Durante a performance, o artista começa a lamber o próprio braço, tentando sorver o suor que se espalha por sua pele. "É como se ele estivesse se alimentando de si mesmo", diz Ripoll.

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    A rapidez quase fugidia do passinho inspirou também o nome do espetáculo. "Puff", afinal, é uma onomatopeia que faz alusão ao ruído de algo desaparecendo como num passe de mágica. "Você não consegue olhar aquela movimentação veloz de perna e aprendê-la rapidamente", diz a diretora. "Ela tem alguma coisa de mistério e ilusionismo."

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/peca-cria-amalgama-a-partir-de-dancas-que-sao-populares-nas-ruas-do-brasil.shtml.

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