PEC 65 pode impactar juros e criar riscos, dizem funcionários do BC
Presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do DF diz que 75% dos funcionários da autoridade monetária são contra proposta de autonomia financeira

Presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do DF diz que 75% dos funcionários da autoridade monetária são contra proposta de autonomia financeira
A presidente do Sinal-DF (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), Edna Velho, afirmou que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023 enfraquece a autonomia técnica da instituição e cria riscos para a gestão da autoridade monetária.
O texto muda o regime jurídico do BC e dá autonomia financeira para a autarquia, além da autonomia técnica.

Segundo Edna, cerca de 75% dos funcionários públicos do Banco Central são contra a proposta. Na avaliação dela, problemas como falta de pessoal e necessidade de investimentos poderiam ser resolvidos por meio de medidas de gestão.
De acordo com ela, a proposta “ muda a natureza jurídica do Banco Central. Isso impacta diretamente na estabilidade dos servidores, que é uma garantia para a sociedade” , afirmou. O posicionamento do Sinal vai de encontro ao de Gabriel Galípolo , presidente do BC.
https://www.youtube.com/watch?v=aDYsQWp595o

Para a presidente do Sinal-DF, a mudança também pode afetar a autonomia técnica do BC. “O Banco Central é uma instituição já muito pressionada por todos os lados. Ter seus servidores, sem ou com pouquíssima autonomia para tomar as decisões baseadas no interesse público é uma questão muito arriscada” , disse.
Defensores da PEC, como a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil), discordam .
Até o momento, o texto substitutivo e as emendas em discussão asseguram, pelo menos em tese, a preservação dos direitos e garantias dos funcionários públicos que integram o quadro de pessoal do Banco Central.
Edna critica o modelo de autonomia financeira previsto na PEC 65, que permitiria ao Banco Central contar com receitas próprias para financiar suas atividades.
Entre essas receitas está a senhoriagem , que é uma receita relacionada ao poder de emissão de moeda. De forma simplificada, o Banco Central coloca moeda em circulação e mantém ativos que geram rendimentos.
A preocupação do Sinal é que, em determinadas condições, uma alta da Selic poderia aumentar esses rendimentos e, consequentemente, a receita do próprio BC.
Para Edna, isso poderia criar um conflito de interesses porque o Banco Central teria de decidir a taxa de juros pensando no controle da inflação e na estabilidade econômica, mas a mesma decisão poderia afetar suas próprias receitas.
Edna também critica os mecanismos de fiscalização previstos na proposta. Para ela, a PEC pode fragilizar os controles sobre o Banco Central ao concentrar parte da fiscalização no Senado.
“A PEC fragiliza os controles republicanos, porque [o controle] fica a cargo só de uma comissão temática do Senado. Uma comissão temática do Senado não é o Congresso. Então, tem que ter muito cuidado”, disse.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/pec-65-pode-impactar-juros-e-criar-riscos-dizem-funcionarios-do-bc/.

Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Poder360
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