Política

    PEC 65 pode impactar juros e criar riscos, dizem funcionários do BC

    Presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do DF diz que 75% dos funcionários da autoridade monetária são contra proposta de autonomia financeira

    Poder360
    5 de setembro de 2026 às 09:02
    PEC 65 pode impactar juros e criar riscos, dizem funcionários do BC
    Banco Central — Foto: Poder360

    Presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do DF diz que 75% dos funcionários da autoridade monetária são contra proposta de autonomia financeira

    A presidente do Sinal-DF (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), Edna Velho, afirmou que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023 enfraquece a autonomia técnica da instituição e cria riscos para a gestão da autoridade monetária.

    O texto muda o regime jurídico do BC e dá autonomia financeira para a autarquia, além da autonomia técnica.

    Sede do Banco Central em Brasília
    Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Segundo Edna, cerca de 75% dos funcionários públicos do Banco Central são contra a proposta. Na avaliação dela, problemas como falta de pessoal e necessidade de investimentos poderiam ser resolvidos por meio de medidas de gestão.

    De acordo com ela, a proposta “ muda a natureza jurídica do Banco Central. Isso impacta diretamente na estabilidade dos servidores, que é uma garantia para a sociedade” , afirmou. O posicionamento do Sinal vai de encontro ao de Gabriel Galípolo , presidente do BC.

    https://www.youtube.com/watch?v=aDYsQWp595o

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Para a presidente do Sinal-DF, a mudança também pode afetar a autonomia técnica do BC. “O Banco Central é uma instituição já muito pressionada por todos os lados. Ter seus servidores, sem ou com pouquíssima autonomia para tomar as decisões baseadas no interesse público é uma questão muito arriscada” , disse.

    Defensores da PEC, como a ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil), discordam .

    Até o momento, o texto substitutivo e as emendas em discussão asseguram, pelo menos em tese, a preservação dos direitos e garantias dos funcionários públicos que integram o quadro de pessoal do Banco Central.

    Edna critica o modelo de autonomia financeira previsto na PEC 65, que permitiria ao Banco Central contar com receitas próprias para financiar suas atividades.

    Entre essas receitas está a senhoriagem , que é uma receita relacionada ao poder de emissão de moeda. De forma simplificada, o Banco Central coloca moeda em circulação e mantém ativos que geram rendimentos.

    A preocupação do Sinal é que, em determinadas condições, uma alta da Selic poderia aumentar esses rendimentos e, consequentemente, a receita do próprio BC.

    Para Edna, isso poderia criar um conflito de interesses porque o Banco Central teria de decidir a taxa de juros pensando no controle da inflação e na estabilidade econômica, mas a mesma decisão poderia afetar suas próprias receitas.

    Edna também critica os mecanismos de fiscalização previstos na proposta. Para ela, a PEC pode fragilizar os controles sobre o Banco Central ao concentrar parte da fiscalização no Senado.

    “A PEC fragiliza os controles republicanos, porque [o controle] fica a cargo só de uma comissão temática do Senado. Uma comissão temática do Senado não é o Congresso. Então, tem que ter muito cuidado”, disse.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/pec-65-pode-impactar-juros-e-criar-riscos-dizem-funcionarios-do-bc/.

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    Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Poder360

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