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    PCC terrorista: empresas no México e França podem ser exemplos ao Brasil

    Lincoln Gakiya cita prejuízos sofridos por empresas internacionais como possibilidades para companhias brasileiras após designação de facções como terroristas pelos EUA

    CNN Brasil
    17 de agosto de 2026 às 13:55
    PCC terrorista: empresas no México e França podem ser exemplos ao Brasil
    Foto: CNN Brasil

    A designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como terroristas pelos Estados Unidos pode trazer graves consequências às empresas brasileiras . É o que afirma o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente (SP), Lincoln Gakiya.

    Em um evento do ICC Brasil, na última quinta-feira (13), Gakiya citou o histórico de grandes prejuízos financeiros sofridos por empresas no México e na França após a detecção de exposição à organizações terroristas, como exemplos do que pode acontecer com companhias no Brasil após a nova classificação feita pelo governo de Donald Trump.

    O promotor destacou que os EUA podem sancionar uma empresa caso identifiquem a participação de uma organização terrorista em qualquer ponto da cadeia estrutural da companhia.

    Lincoln Gakiya em agenda do ICC Brasil • CNN Brasil · • CNN Brasil
    Lincoln Gakiya em agenda do ICC Brasil • CNN Brasil · • CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A " contaminação " não precisa ser proposital, ela pode ser "involuntária e indireta" para a aplicação de sanções. "A ordem do tesouro não depende de prova legal ou disputa judicial, ela é unilateral", afirma Gakiya.

    Ele explicou que, conforme o modus operandi atual do PCC, a facção não se infiltra em empresas apenas para lavar dinheiro, mas para lucrar com seus resultados . "Eles querem uma fatia do negócio".

    O promotor citou o exemplo da UpBus, empresa de ônibus paulista investigada por ligação com a facção, e lembrou que traficantes conhecidos do PCC — Silvio Luiz Ferreira, o "Cebola", Décio Gouveia Luiz, o "Décio Português", e Anselmo Santa Fausta, o "Cara Preta" — eram sócios da companhia , mas os funcionários não tinham nenhuma ligação com a organização criminosa .

    PCC e CV terroristas: País terá desafio com investimentos e prêmio de risco
    PCC e CV terroristas: País terá desafio com investimentos e prêmio de risco — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Gakiya mencionou a situação de três companhias mexicanas como exemplo do que pode ocorrer no Brasil: CIBanco, Intercam e Vector Casa de Bolsa, que sofreram sanções graves dos Estados Unidos em 2025.

    Em fevereiro do ano passado, o Departamento de Tesouro dos EUA designou diversas organizações criminosas mexicanas como FTOs : Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación, Cartel del Noreste (anteriormente Los Zetas), La Nueva Familia Michoacana, Cartel do Golfo e Cartéis Unidos.

    Apenas quatro meses depois , em 25 de junho de 2025, a administração norte-americana sancionou as três empresas como "principais preocupações de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de fentanil", desempenhando juntas "um papel vital e de longa data na lavagem de milhões de dólares em nome de cartéis sediados no México". Instituições financeiras ficaram proibidas de realizar certas transferências financeiras com as companhias, isolando-as do sistema financeiro dos EUA.

    PCC e CV terroristas: MPTCU pede que corte avalie impacto na economia
    PCC e CV terroristas: MPTCU pede que corte avalie impacto na economia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No dia seguinte, órgão regulador bancário mexicano anunciou que iria assumir a gestão das três instituções financeiras temporariamente , visando proteger credores e depositantes.

    Até o final de 2025, todas as instituições tiveram suas operações extremamentes reduzidas no México . A Vector Casa de Bolsa transferiu seus ativos para outra corretora, a Intercam foi adquirida por outra empresa e o CIBanco transferiu sua operação fiduciária para outro banco.

    Na época das primeiras sanções, as empresas rejeitaram as acusações , negaram qualquer ligação com o crime organizado e reforçaram a colaboração com as autoridades.

    Gakiya: PCC e CV terroristas abrem brecha a ação militar secreta no Brasil
    Gakiya: PCC e CV terroristas abrem brecha a ação militar secreta no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A condenação e perdas milionárias da Lafarge , fabricante de cimento francesa, é uma das mais conhecidas por ligação internacional com terrorismo.

    Em 2011, uma subsidiária na Síria operava durante a Guerra Civil e, segundo Gakiya, era extorquida por terroristas a pagar "taxas de segurança" - prática parecida com a atuação de milícias no Brasil , principalmente na zona Oeste do Rio de Janeiro e no Centro de São Paulo.

    A empresa pagou cerca de 5,5 milhões de euros ( R$ 33 milhões, na cotação atual) ao Estado Islâmico e à Frente Nusra , ambas organizações terroristas designadas pelos EUA, entre 2013 e setembro de 2014.

    PCC e CV terroristas: MPTCU pede que corte avalie impacto na economia
    PCC e CV terroristas: MPTCU pede que corte avalie impacto na economia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em outubro de 2022, a empresa francesa se declarou culpada de uma acusação dos Estados Unidos de conspiração para fornecer apoio material a uma ou mais organizações terroristas estrangeiras, sendo multada em US$ 777,28 milhões pelos norte-americanos, mais de R$ 4 bilhões na cotação atual.

    O ex-CEO da Lafarge, Bruno Lafont, e outros oito ex-funcionários foram considerados culpados pela Justiça francesa em abril deste ano, sendo que o executivo foi condenado a seis anos de prisão. A juíza Isabelle Prevost-Desprez, que presidiu o caso, afirmou que os pagamentos feitos pela Lafarge ajudaram a fortalecer grupos jihadistas que realizaram ataques mortais na Síria.

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    Reforçando as possíveis consequências negativas da designação dos EUA , o promotor listou uma série de prováveis impactos às empresas brasileiras:

    O promotor participou, junto com outras autoridades, do ICC Integrity Conference em São Paulo, que debateu como o combate à corrupção, às fraudes, à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas contribui para um ambiente de negócios mais confiável e para uma inserção mais sólida do Brasil nas cadeias globais de valor .

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/pcc-terrorista-empresas-no-mexico-e-franca-podem-ser-exemplos-ao-brasil/.

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