PCC terrorista: empresas no México e França podem ser exemplos ao Brasil
Lincoln Gakiya cita prejuízos sofridos por empresas internacionais como possibilidades para companhias brasileiras após designação de facções como terroristas pelos EUA

A designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como terroristas pelos Estados Unidos pode trazer graves consequências às empresas brasileiras . É o que afirma o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente (SP), Lincoln Gakiya.
Em um evento do ICC Brasil, na última quinta-feira (13), Gakiya citou o histórico de grandes prejuízos financeiros sofridos por empresas no México e na França após a detecção de exposição à organizações terroristas, como exemplos do que pode acontecer com companhias no Brasil após a nova classificação feita pelo governo de Donald Trump.
O promotor destacou que os EUA podem sancionar uma empresa caso identifiquem a participação de uma organização terrorista em qualquer ponto da cadeia estrutural da companhia.

A " contaminação " não precisa ser proposital, ela pode ser "involuntária e indireta" para a aplicação de sanções. "A ordem do tesouro não depende de prova legal ou disputa judicial, ela é unilateral", afirma Gakiya.
Ele explicou que, conforme o modus operandi atual do PCC, a facção não se infiltra em empresas apenas para lavar dinheiro, mas para lucrar com seus resultados . "Eles querem uma fatia do negócio".
O promotor citou o exemplo da UpBus, empresa de ônibus paulista investigada por ligação com a facção, e lembrou que traficantes conhecidos do PCC — Silvio Luiz Ferreira, o "Cebola", Décio Gouveia Luiz, o "Décio Português", e Anselmo Santa Fausta, o "Cara Preta" — eram sócios da companhia , mas os funcionários não tinham nenhuma ligação com a organização criminosa .

Gakiya mencionou a situação de três companhias mexicanas como exemplo do que pode ocorrer no Brasil: CIBanco, Intercam e Vector Casa de Bolsa, que sofreram sanções graves dos Estados Unidos em 2025.
Em fevereiro do ano passado, o Departamento de Tesouro dos EUA designou diversas organizações criminosas mexicanas como FTOs : Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación, Cartel del Noreste (anteriormente Los Zetas), La Nueva Familia Michoacana, Cartel do Golfo e Cartéis Unidos.
Apenas quatro meses depois , em 25 de junho de 2025, a administração norte-americana sancionou as três empresas como "principais preocupações de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de fentanil", desempenhando juntas "um papel vital e de longa data na lavagem de milhões de dólares em nome de cartéis sediados no México". Instituições financeiras ficaram proibidas de realizar certas transferências financeiras com as companhias, isolando-as do sistema financeiro dos EUA.

No dia seguinte, órgão regulador bancário mexicano anunciou que iria assumir a gestão das três instituções financeiras temporariamente , visando proteger credores e depositantes.
Até o final de 2025, todas as instituições tiveram suas operações extremamentes reduzidas no México . A Vector Casa de Bolsa transferiu seus ativos para outra corretora, a Intercam foi adquirida por outra empresa e o CIBanco transferiu sua operação fiduciária para outro banco.
Na época das primeiras sanções, as empresas rejeitaram as acusações , negaram qualquer ligação com o crime organizado e reforçaram a colaboração com as autoridades.

A condenação e perdas milionárias da Lafarge , fabricante de cimento francesa, é uma das mais conhecidas por ligação internacional com terrorismo.
Em 2011, uma subsidiária na Síria operava durante a Guerra Civil e, segundo Gakiya, era extorquida por terroristas a pagar "taxas de segurança" - prática parecida com a atuação de milícias no Brasil , principalmente na zona Oeste do Rio de Janeiro e no Centro de São Paulo.
A empresa pagou cerca de 5,5 milhões de euros ( R$ 33 milhões, na cotação atual) ao Estado Islâmico e à Frente Nusra , ambas organizações terroristas designadas pelos EUA, entre 2013 e setembro de 2014.

Em outubro de 2022, a empresa francesa se declarou culpada de uma acusação dos Estados Unidos de conspiração para fornecer apoio material a uma ou mais organizações terroristas estrangeiras, sendo multada em US$ 777,28 milhões pelos norte-americanos, mais de R$ 4 bilhões na cotação atual.
O ex-CEO da Lafarge, Bruno Lafont, e outros oito ex-funcionários foram considerados culpados pela Justiça francesa em abril deste ano, sendo que o executivo foi condenado a seis anos de prisão. A juíza Isabelle Prevost-Desprez, que presidiu o caso, afirmou que os pagamentos feitos pela Lafarge ajudaram a fortalecer grupos jihadistas que realizaram ataques mortais na Síria.
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Reforçando as possíveis consequências negativas da designação dos EUA , o promotor listou uma série de prováveis impactos às empresas brasileiras:
O promotor participou, junto com outras autoridades, do ICC Integrity Conference em São Paulo, que debateu como o combate à corrupção, às fraudes, à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas contribui para um ambiente de negócios mais confiável e para uma inserção mais sólida do Brasil nas cadeias globais de valor .
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/pcc-terrorista-empresas-no-mexico-e-franca-podem-ser-exemplos-ao-brasil/.

Lincoln Gakiya em agenda do ICC Brasil • CNN Brasil · • CNN Brasil — Foto: CNN Brasil
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