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    PCC nos ônibus de SP: entenda a participação de cada um dos investigados

    Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e MPSP, investiga a infiltração do PCC em empresas de ônibus em São Paulo

    Metrópoles
    18 de setembro de 2026 às 10:00
    PCC nos ônibus de SP: entenda a participação de cada um dos investigados
    Foto: Metrópoles

    Ao todo, 16 pessoas foram alvos de mandados de prisão temporária durante a Operação Vectura Corrupta , que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital ( PCC ) em empresas que operam o transporte público no estado de São Paulo . Dessas, 10 já foram presas e passam por audiência de custódia nesta sexta-feira (18/9). Outros seis seguiam foragidos , entre eles, o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil).

    O nome de Leite é citado em áudios trocados entre José Daniel Satilite , apontado como operador e laranja do PCC, e o advogado Cícero José dos Santos Filho, também investigado por elo com a facção. De acordo com relatório da Polícia Civil, a conversa se deu pouco tempo depois da Operação Fim de Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo.

    No diálogo, Satilite diz a Cícero que havia comentado com outro advogado sobre a situação da UPBus, empresa que teve o contrato suspenso pela Prefeitura de São Paulo após aquela investigação, e diz que seria necessário envolver o ex-parlamentar para resolver a questão.

    Reprodução/ Redes Sociais
    Reprodução/ Redes Sociais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Eu comentei com o Doutor Milton (Milreu; o advogado), referente à substituição da UPBus pela nossa empresa lá. Querendo ou não, vai envolver o Milton Leite, né? Falei: ‘Ah, doutor, então beleza. Qualquer coisa, a gente dá um toque no Milton Leite também, né?’”, disse Satilite.

    A Polícia Civil afirma no documento que, embora Leite não esteja dentre os contatos de José Daniel Satilite, seu nome teria surgido justamente no contexto da investigação da Operação Fim da Linha, quando foi apontado por policiais militares como o verdadeiro dono da empresa Transwolff. Tanto a empresa quanto Milton Leite negam o vínculo.

    A investigação ainda aponta que, no diálogo com o advogado, Daniel demonstra “extrema preocupação” em dar ciência a Milton Leite dos fatos envolvendo a UPBus. No mesmo diálogo, Daniel diz que, antes de efetivar uma eventual troca de empresas, teriam que “iniciar a conversa com o ‘Levi da São Paulo Transportes’”.

    Danilo Morgado, Levi Oliveira e Milton Leite, investigados por suspeita de elo com o PCC
    Danilo Morgado, Levi Oliveira e Milton Leite, investigados por suspeita de elo com o PCC — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Levi é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. “Chamou a atenção que os maiores e mais recentes escândalos envolvendo a infiltração do crime organizado no transporte público da capital, se deu na gestão de LEVI DE OLIVEIRA à frente da SPTrans e de MILTON LEITE no comando da Câmara dos Vereadores da Capital”, diz um trecho do relatório policial.

    De acordo com a polícia, muito embora não seja interlocutor de Satilite, Levi e o “laranja” do PCC tiveram encontros periódicos com a única finalidade de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes, especialmente com a deflagração da Operação Fim da Linha.

    A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC . Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais .

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    Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos .

    As facilidades no setor, conforme indica a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos.

    O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e compra/venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.

    A investigação também aponta a existência de um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto de advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais, atuar em licitações, gerenciar repasses de comissões e disponibilizar contas bancárias e escritórios para reuniões de integrantes do esquema.

    “Em síntese, os elementos descritos pela Autoridade Policial procuram demonstrar que a atuação investigada extrapolaria o tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, além de evidenciar suposta divisão de tarefas e subordinação entre os envolvidos, com atuação coordenada em benefício do PCC”, diz um trecho do documento.

    O Metrópoles tenta contato com os investigados. Por telefone, Milton Leite negou envolvimento no esquema e destacou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida com a notícia da prisão e que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas cabíveis.

    Em nota, a Prefeitura de São Paulo anunciou que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida adotada para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

    A prefeitura informou ainda que abriu processo pela Controladoria-Geral do Município contra as empresas e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

    Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/pcc-nos-onibus-de-sp-entenda-a-participacao-de-cada-um-dos-investigados.

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