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    Paulo Blikstein questiona papel de ferramentas de IA no aprendizado de crianças

    No Roda Viva, Paulo Blikstein explica o porquê de chatbots atrapalharem a aprendizagem dos jovens

    UOL
    18 de agosto de 2026 às 04:00
    Paulo Blikstein questiona papel de ferramentas de IA no aprendizado de crianças
    Foto: UOL

    O Roda Viva desta segunda-feira (17) recebe Paulo Blikstein , professor titular de educação e afiliado ao Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Columbia . Professor e pesquisador, ele participa do programa para discutir as transformações provocadas pela inteligência artificial na sociedade e, especialmente, os impactos da tecnologia na educação e no desenvolvimento das crianças .

    Durante a entrevista, Blikstein explica o motivo dos chatbots de inteligência artificial não serem positivos para a aprendizagem de crianças e adolescentes.

    "Já há estudos que comprovam que, depois do uso, quando essa tecnologia é retirada, crianças não lembram o que escreveram. É preciso ter muito cuidado com ferramentas que são poderosas para profissionais, mas que não foram desenvolvidas para crianças ", diz o especialista.

    A IA ajuda ou atrapalha o aprendizado? No #RodaViva , o professor e pesquisador Paulo Blikstein afirma que ferramentas de IA foram criadas para gerar eficiência no trabalho de adultos, e não para o aprendizado infantil. #TVCultura #SomosCultura pic.twitter.com/sIMfYWhESP

    Ele alerta que os chatbots são voltados para a eficiência produtiva de adultos, e não para o desenvolvimento educacional. " [Os chatbots] são ferramentas de eficiência, não de aprendizagem. Eles são otimizados para dar respostas, e não para respeitar o tempo do ensino ", pondera. Blikstein observa que, mesmo quando há tentativas de impor bloqueios a essas tecnologias, as crianças encontram truques para burlá-los e conseguir as respostas prontas. Outro problema fundamental apontado pelo pesquisador é a ausência de capacitação dos educadores para essa nova realidade, o que afeta diretamente a dinâmica escolar. Ele explica que o ambiente de ensino se baseia em um " contrato ético " entre o aluno, que está ali para aprender, e o professor, que está ali para ensinar. " Quando o aluno chega e diz 'o chatbot me ensinou melhor que você', isso rompe esse contrato ético e contribui para precarizar o trabalho do professor, porque fica muito mais difícil lidar com os estudantes ", afirma.

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    Para Blikstein, a antecipação do conteúdo pelas inteligências artificiais não gera conhecimento real e prejudica o convívio. " Não adianta você olhar o chatbot antes do professor só para mostrar que sabe antes, porque isso esgarça o tecido social da sala de aula. E é isso que muitos professores estão vivendo ", conclui.

    Participam da bancada de entrevistadores Ana Lígia Scachetti , jornalista e diretora executiva da Associação Nova Escola; Nina Da Hora , diretora do Instituto Da Hora e pesquisadora em IA; Isabela Palhares , repórter da Folha de S.Paulo; Renata Cafardo , repórter especial e colunista do Estadão, e autora do livro O Algoritmo das Famílias; Helton Simões Gomes , jornalista, colunista do UOL e apresentador do podcast Deu Tilt; e Gi Santos , educadora especialista em transformação digital e consultora no instituto escolas criativas.

    Com apresentação de Ernesto Paglia , o Roda Viva vai ao ar na TV Cultura, com transmissão simultânea no YouTube e site oficial da emissora.

    Vídeo: UOL · Fonte: UOL

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://cultura.uol.com.br/noticias/74458_paulo-blikstein-debate-sobre-chatbots-na-escola.html.

    Foto: UOL

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