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    Passou da hora de acabar com o inquérito das fake news

    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin , indicou na semana passada que pretende "promover o arquivamento definitivo" do interminável inquérito das fake news. Louve-se a intenção, sem dúvida, mas com a ressalva de que não se trata da primeira vez que o ministro a enuncia. Leia mais (10/14/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de outubro de 2026 às 01:00
    Passou da hora de acabar com o inquérito das fake news
    Homem idoso com cabelo grisalho penteado para trás e bigode branco, usando óculos, terno azul escuro, camisa branca e gravata rosa com padrão, sentado em cadeira de couro marrom em ambiente institucional. Ele veste um manto preto sobre os o — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress · Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress
    Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress · Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin , indicou na semana passada que pretende "promover o arquivamento definitivo" do interminável inquérito das fake news. Louve-se a intenção, sem dúvida, mas com a ressalva de que não se trata da primeira vez que o ministro a enuncia.

    No começo de setembro, quando o escândalo do Banco Master envenenou a convivência entre ministros do STF , Fachin esgrimiu duas propostas contra a crise sem precedentes: o fim do famigerado inquérito e a aprovação de um código de ética para a corte.

    Ainda que não sejam uma panaceia, ambas as iniciativas fariam muito bem a um tribunal que, ao longo das últimas décadas, acumulou doses generosas de poder, mas não viu crescerem na mesma medida os necessários mecanismos de responsabilização.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O inquérito das fake news, em particular, ilustra esse desequilíbrio institucional. Criado em 2019, tinha o propósito de enfrentar a turbulência no tecido democrático provocada pelos impulsos golpistas de Jair Bolsonaro ( PL ), secundado por seguidores fanáticos nos planos civil e militar.

    Aos olhos do Supremo, a ameaça justificou diversas heterodoxias. A instauração do inquérito, por exemplo, deu-se não por demanda do Ministério Público , mas pela interpretação questionável de mecanismo do regimento interno que permite ao STF investigar infrações penais cometidas em suas dependências.

    Com base no mesmo dispositivo, Dias Toffoli , então presidente da corte, deu de ombros para o princípio do juiz natural e delegou ao ministro Alexandre de Moraes a função de relator do caso.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não satisfeitos com tais anomalias, os magistrados concordaram com uma delimitação vaga da investigação, à qual caberia apurar notícias fraudulentas, falsas comunicações de crime, denúncias caluniosas, ameaças e demais infrações difamatórias ou injuriosas contra o STF e seus ministros.

    Ou seja, criou-se uma situação esdrúxula em que a corte poderia figurar como vítima, polícia e juiz ao mesmo tempo —e, para piorar, tudo relacionado a ofensas que, no fim das contas, a própria corte poderia definir como tais.

    Com tamanho poder nas mãos, Moraes conduziu o inquérito com algumas decisões controversas e outras flagrantemente abusivas, mas sempre sob o beneplácito da maioria de seus colegas.

    Essa boa vontade desapareceu somente quando a revelação de seu envolvimento com o Banco Master o tornou por demais tóxico para o tribunal. Fachin, então, no dia 4 de setembro, cobrou o fim do inquérito e, alguns dias depois, houve por bem substituir Moraes na relatoria do caso.

    Passado um mês, Fachin voltou ao tema , destacando a necessidade de fazer "o exame dos procedimentos ainda pendentes" e cumprir "as etapas processuais necessárias" antes de arquivar o inquérito das fake news. O presidente do STF já enxergou o caminho correto; resta, agora, mostrar que é capaz de percorrê-lo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/passou-da-hora-de-acabar-com-o-inquerito-das-fake-news.shtml.

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    Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) - Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress · Gabriela Biló - 19.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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