Brasil

    Passageiros de ônibus diminuem nas capitais, enquanto aumenta número de cidades com subsídio

    Levantamento aponta retração após quatro anos de recuperação do setor pós-pandemia

    UOL
    11 de agosto de 2026 às 12:00
    Passageiros de ônibus diminuem nas capitais, enquanto aumenta número de cidades com subsídio
    Passageiros formam fila para embarcar em ônibus urbano em ponto de ônibus na calçada. Pessoas usam roupas casuais, uma mulher usa máscara facial. Edifícios altos e árvores aparecem ao fundo em dia claro. — Foto: UOL

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    Após quatro anos de alta, o número de passageiros transportados em nove capitais brasileiras caiu em 2025. Ao mesmo tempo, disparou o número de municípios que subsidiam ônibus no país.

    Passageiros formam fila para entrar em ônibus lotado na cidade de São Paulo; coletivos voltam a ter menos usuários após sequência de alta depois da pandemia, aponta estudo - Felipe Iruatã - 17.abr.26/Folhapress · Felipe Iruatã - 17.abr.26/F
    Passageiros formam fila para entrar em ônibus lotado na cidade de São Paulo; coletivos voltam a ter menos usuários após sequência de alta depois da pandemia, aponta estudo - Felipe Iruatã - 17.abr.26/Folhapress · Felipe Iruatã - 17.abr.26/F — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dados fazem parte do Anuário 2025-2026 da NTU (Associação Nacional de Transporte Urbano), apresentado nesta terça-feira (11) durante seminário do setor na cidade de São Paulo .

    Conforme o o documento, nas cidades de Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, em 2025 —até outubro— cerca de 395 milhões de pessoas usaram o transporte público rodoviário. O número é 4% menor que os 404,3 milhões de usuários no mesmo período anterior.

    A retração interrompeu a recuperação iniciada após a pandemia e deixou a demanda em um patamar equivalente a 77,5% do registrado em 2019.

    Linha de onibus na zona norte de São Paulo é campeã de reclamações
    Linha de onibus na zona norte de São Paulo é campeã de reclamações — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A demanda continua longe dos 530,6 milhões de passageiros registrados nas nove capitais em 2018 (sempre até outubro).

    Na análise do documento, a queda no ano passado pode significar uma acomodação do setor.

    O estudo confirma mudanças no perfil dos deslocamentos urbanos. Há predominância das viagens realizadas por automóveis, motocicletas e serviços de aplicativos.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O documento do setor de ônibus critica a falta de regulação dos serviços de transporte oferecidos por aplicativos e a ausência de medidas para restringir uso de transporte individual.

    O índice de passageiros transportados por quilômetro ficou em aproximadamente 1,48 em 2025, praticamente no mesmo nível de 2024.

    A quilometragem percorrida pelos ônibus nas capitais analisadas caiu de 157 milhões de km para 148,1 milhões de km entre os períodos comparados de 2024 e 2025.

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    "Os dados mostram que chegamos a um momento decisivo. Ou construímos um novo modelo de financiamento permanente, compatível com os benefícios que o transporte público gera para toda a sociedade, ou continuaremos assistindo ao avanço da motorização individual e ao enfraquecimento dos sistemas coletivos" diz Francisco Christovam, presidente da NTU.

    Segundo a NTU, o segmento no país custa anualmente cerca de R$ 75,7 bilhões, dos quais 20% são cobertos por subsídios públicos.

    Aumentou a quantidade de cidades brasileiras que custeiam de alguma forma esse tipo de transporte público. Atualmente, 440 contam com subsídios.

    A alta foi de quase 10% em um ano — em 2024, eram 404 municípios que subsidiavam o transporte. Antes da pandemia, eram 175.

    O levantamento mostra que todos os subsídios existentes estão concentrados em capitais e regiões metropolitanas e continuam sendo financiados, em sua maioria, pelos municípios e estados, sem participação permanente da União no custeio operacional.

    "A tarifa paga pelo usuário não é suficiente como a única ou a principal fonte de financiamento, especialmente em contexto de queda de passageiros pagantes, com ampliação de benefícios tarifários e necessidade de retomada dos investimentos orientados à qualidade", analisa o relatório.

    Do total em 2026 de municípios com subsídios, 294 bancam parcialmente o sistema e 146 adotam tarifa zero para o passageiro.

    Há 46 cidades com catraca livre para determinadas categorias de usuários ou dias da semana —o município de São Paulo, por exemplo, tem isenção total de pagamentos aos domingos.

    O ritmo de adesão à política de gratuidade segue concentrada em cidades de pequeno porte. Como mostrou a Folha , também com base em estudo da NTU, oito municípios recuaram na tarifa zero nos últimos anos e voltaram a cobrar passagem.

    O documento dedica bom espaço para a recente sanção do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano . A legislação estabelece, entre outros avanços, a separação entre o custo real da operação e a tarifa paga pelo usuário, criando bases para novos modelos de financiamento.

    A frota também enfrenta dificuldades de renovação. A idade média dos ônibus caiu, de 6,44 anos em 2024 para 6,38 anos em 2025, mas continua muito acima dos níveis registrados no início da década passada. Entre 2011 e 2013, a média estava entre 4,2 e 4,5 anos. Desde 2021, permanece acima dos seis anos.

    A renovação lenta é consequência, segundo a NTU, do desequilíbrio financeiro acumulado pelos sistemas, que reduziu a capacidade de investimento das empresas e alterou os calendários de renovação previstos em contratos.

    A quantidade de ônibus urbanos elétricos a bateria , trólebus e movidos a biometano chegou a 2.235 unidades em 2026, contra 597 em 2023. O documento aponta que são 1.905 elétricos a bateria, 321 trólebus e nove veículos a biometano.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/passageiros-de-onibus-diminuem-nas-capitais-enquanto-aumenta-numero-de-cidades-com-subsidio.shtml.

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