Brasil

    Partido nanico e difícil de rotular é peça-chave para extrema direita na Alemanha

    Embora o partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha ) tenha obtido seu melhor resultado eleitoral da história nesse domingo (6) , ao conquistar 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, isso não foi o suficiente para que a sigla tenha maioria no Parlamento. Leia mais (09/07/2026 - 18h05)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 21:05
    Partido nanico e difícil de rotular é peça-chave para extrema direita na Alemanha
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Embora o partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha ) tenha obtido seu melhor resultado eleitoral da história nesse domingo (6) , ao conquistar 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, isso não foi o suficiente para que a sigla tenha maioria no Parlamento.

    O líder da BSW na Saxônia-Anhalt, Thomas Schulze, comemora o resultado eleitoral de seu partido em Magdeburg, na Alemanha - Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters · Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters
    O líder da BSW na Saxônia-Anhalt, Thomas Schulze, comemora o resultado eleitoral de seu partido em Magdeburg, na Alemanha - Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters · Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vencedora clara do pleito , a AfD vai ocupar 39 cadeiras na Casa, que tem 83 lugares. No sistema parlamentarista da Alemanha, o chefe do Executivo, tanto federal quanto nos estados, é eleito indiretamente pelo Legislativo. Dessa forma, os extremistas precisam de mais três assentos se quiserem colocar Ulrich Siegmund, candidato da AfD a governador , no cargo.

    O caminho da AfD, entretanto, é estreito. Com apenas uma exceção, todos os partidos que superaram a cláusula de barreira de 5% e entraram no Parlamento estadual após o voto do domingo se recusam, por princípio, a compor governo com uma sigla considerada comprovadamente extremista de direita pela inteligência interna alemã .

    Assim, quem decidirá se, pela primeira vez desde o fim do nazismo, um partido de extrema direita chegará no poder na Alemanha agora será a nanica Aliança Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão), agremiação que tem propostas à esquerda na economia e à direita na imigração e costumes .

    Alemanha se rearma contra a Rússia
    Alemanha se rearma contra a Rússia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fundada pela deputada federal Sahra Wagenknecht após um racha com o partido A Esquerda, a BSW buscou, desde o início, tornar-se competitiva no cenário político alemão disputando diretamente o cada vez maior eleitorado da AfD .

    Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

    Unindo pautas caras à direita e à esquerda, a BSW é contra regulação em redes sociais e contra restrições a quem questiona a eficácia de vacinas, a mudança climática ou se recusa a usar linguagem neutra, por exemplo. Também é contrária ao apoio da Alemanha à Ucrânia, crítica da União Europeia e de medidas para mitigar as emissões de gás carbônico.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao mesmo tempo, quer fortalecer sindicatos, aumentar o salário mínimo e as aposentadorias, reverter privatizações e reformas da previdência, e colocar em prática um plano de grande investimento público em infraestrutura, habitação e transporte a fim de estimular a economia.

    Talvez mais importante, a sigla é a favor de restringir fortemente a imigração, mas sem fechar totalmente as fronteiras. Dessa forma, a BSW esperava oferecer ao eleitor preocupado com essas questões uma opção menos extrema na urna.

    Por enquanto, a aposta não rendeu frutos: a AfD segue crescendo, e a BSW, depois de participar de eleições em sete estados desde sua criação, foi incapaz de superar a cláusula de barreira em três deles e obteve resultados modestos nos outros quatro.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O último deles foi justamente a Saxônia-Anhalt. As pesquisas de intenção de voto colocavam em dúvida se o partido seria capaz de entrar no Parlamento. Ao fim, conseguiu, e tornou-se, com cinco assentos, capaz de sustentar um governo da AfD se assim desejar.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    Ao contrário dos outros partidos, que consideram a sigla de extrema direita um perigo à ordem democrática da Alemanha, a BSW admite uma "parceria pragmática", apesar de fazer críticas a, sobretudo, o programa econômico dos extremistas.

    Antes das eleições do domingo, a liderança da agremiação propôs um governo comandado por um ministro-presidente "apartidário", que seria apoiado pela maioria do Parlamento. Ulrich Siegmund já disse à imprensa que essa proposta não será considerada nas negociações.

    Wagenknecht, fundadora e líder da sigla que leva seu nome, abriu caminho para compor com a AfD em entrevista nesta segunda (7). "Agora, espera-se que exista uma maioria no Parlamento da Saxônia-Anhalt para um novo caminho na política energética, um fim das sanções contra a Rússia , melhor educação e reforma das mídias públicas", disse, enquanto criticou os outros partidos por excluir a AfD. "A política do cordão sanitário falhou."

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/partido-nanico-e-dificil-de-rotular-e-peca-chave-para-extrema-direita-na-alemanha.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    O líder da BSW na Saxônia-Anhalt, Thomas Schulze, comemora o resultado eleitoral de seu partido em Magdeburg, na Alemanha - Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters · Axel Schmidt - 6.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)