Parte da resiliência do comércio global é devido à IA, diz diretora-geral da OMC
Uma parte significativa da força mostrada pelo comércio internacional entre o ano passado e este ano pode ser explicada pelo forte impacto da inteligência artificial sobre as exportações e importações, apontou a diretora-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Ngozi Okonjo-Iweala. Leia mais (09/17/2026 - 17h05)

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Uma parte significativa da força mostrada pelo comércio internacional entre o ano passado e este ano pode ser explicada pelo forte impacto da inteligência artificial sobre as exportações e importações, apontou a diretora-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Ngozi Okonjo-Iweala.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, ela alertou, entretanto, que os benefícios do novo ciclo de crescimento puxado pela IA estão concentrados em poucos países, deixando África , América Latina e outras economias emergentes para trás.
Segundo Okonjo-Iweala, o comércio de produtos ligados à IA respondeu por 42% do crescimento do comércio global no último ano, o que foi puxado, entre outros fatores, por um acordo de tecnologia da informação que garante tarifas baixas ou zero para cerca de US$ 3 trilhões em semicondutores, chips e processadores.
Segundo a dirigente, cerca de 11% da renda do comércio global de mercadorias já é hoje afetada por medidas protecionistas, o nível mais alto em uma década e meia.

Ainda assim, os números de comércio têm superado repetidamente as previsões da própria OMC. No ano passado, a organização projetava alta de 2,4% no comércio de bens e o resultado foi de 4,6%; neste ano, a previsão de 1,9% já foi superada, com o primeiro trimestre mostrando crescimento de 3,2%.
A diretora-geral destacou que 72% do comércio mundial ainda ocorre sob as regras de nação mais favorecida da OMC (mecanismo que prevê que vantagens comerciais devem ser estendidas a todos os parceiros).
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Para ela, esse é um sinal de que o núcleo do sistema multilateral segue relevante para as empresas, apesar do avanço de acordos bilaterais e regionais.
A dirigente da OMC ponderou que o fato de o comércio ter sido puxado em parte por produtos de IA levanta algumas questões sobre sua sustentabilidade.
"Temos que ser um pouco cautelosos sobre duas coisas sobre o tráfego da IA: uma é se é sustentável, se é uma bolha ou se ela vai estourar em algum momento, e a segunda é se é um processo inclusivo", apontou. "A maioria dos benefícios do tráfego vai para a América do Norte e o leste da Ásia."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/parte-da-resiliencia-do-comercio-global-e-devido-a-ia-diz-diretora-geral-da-omc.shtml.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala - Kazuhiro Nogi/AFP · Kazuhiro Nogi/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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