Parceria petrolífera de Trump na Venezuela depende de empresário controverso
O governo Trump propõe uma parceria atípica para explorar os recursos petrolíferos da Venezuela que fará os EUA colaborarem com um empresário venezuelano influente e polarizador.

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O governo Trump propõe uma parceria atípica para explorar os recursos petrolíferos da Venezuela que fará os EUA colaborarem com um empresário venezuelano influente e polarizador.

No negócio anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (28), os EUA trabalharão com Alejandro Betancourt López, cuja família controla a segunda maior produtora privada de petróleo da Venezuela, a North American Blue Energy Partners (Nabep).
O governo americano deve apoiar o desenvolvimento de parte das reservas provadas da Venezuela via Escritório de Capital Estratégico do Pentágono, enquanto a empresa de Betancourt lideraria as operações. O arranjo abrange 17 campos petrolíferos.
A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, endossou a medida. Em nota divulgada na sexta, afirmou que haverá impacto no renascimento da nação, gerando mais de US$ 200 bilhões (R$ 1,04 trilhão) em impostos.

Trump afirmou que a parceria dará aos EUA controle majoritário sobre as reservas, embora detalhes do modelo permaneçam incertos.
Esta é a incursão mais direta de Trump na indústria venezuelana desde que enviou Forças Especiais em janeiro para capturar Nicolás Maduro e começou a trabalhar com Rodríguez. O objetivo de Trump é remodelar o mercado global. Ele avalia que o óleo venezuelano reduzirá o poder do Oriente Médio e estabilizará preços, em alta desde que EUA e Israel começaram a atacar o Irã em fevereiro.
O aumento real da produção levará anos. A Chevron, segunda maior petrolífera americana, também negocia expandir sua produção local. A indústria do país produz hoje pouco mais de 1 milhão de barris por dia (1% da produção global).

A Nabep, sediada em Barbados, produz cerca de 200 mil barris diários e planeja assumir US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) em dívidas para elevar a extração a 1 milhão de barris nos próximos cinco anos.
Betancourt, 46, ganhou proeminência na década de 2010, quando o governo lhe concedeu contratos para construir usinas elétricas, apesar da ausência de experiência no setor. O grupo de investidores ficou conhecido como "bolichicos".
Suas contas bancárias são investigadas há mais de uma década em Zurique, embora ele não tenha sido formalmente acusado. A Nabep diz que ele nunca foi indiciado.

A administração americana começou a investigar Betancourt no ano passado em busca de parceiros. Autoridades do Departamento de Estado adotaram visão positiva de seu histórico operacional, ignorando alegações de corrupção. A pasta pressionou o governo suíço a aliviar as investigações e pediu ao Reino Unido que suspendesse as restrições de viagem contra o empresário. O departamento também concedeu a ele visto de múltiplas entradas nos EUA.
O Pentágono não respondeu às perguntas sobre como o Escritório de Capital Estratégico trabalhará com a empresa.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/parceria-petrolifera-de-trump-na-venezuela-depende-de-empresario-controverso.shtml.

Montagem. À esquerda está o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, durante entrevista coletiva na Casa Branca em março de 2026. À direita está a presidente venezuelana Delcy Rodriguez, em evento realizado no Palácio Miraflores, na capi — Foto: UOL
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