Para sair do PCC, suspeito de atirar em tenente da Rota teria de matar
Mulher de Golias, ainda foragido, relatou à polícia que ele recebeu missão da Sintonia Restrita e poderia abandonar o crime após cumpri-la

Para abandonar o crime, ele teria de cometer o último, matando um policial militar. Essa seria a missão recebida por Hércules da Costa Siqueira, o Golias ( imagem em destaque ), apontado como autor do tiro que acertou a nuca do tenente Ronickson Pimentel dos Santos , da Rota, em 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O estado de saúde do oficial do Batalhão de Choque não havia sido atualizado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) até a publicação desta reportagem.
Segundo Claudia Ferreira Ramos, mulher de Golias, o criminoso lhe contou que, após cumprir uma missão da Sintonia Restrita do Primeiro Comando da Capital (PCC), poderia se “aposentar” da facção e viver com a família.
A revelação consta em depoimento prestado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em 24 de julho, obtido com exclusividade pela coluna.

Suspeito de participar de ataque a tenente se entrega "por medo de morrer"
Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel

Golias durante fuga, acompanhado da esposa e de duas filhas, além de um homem
Eloá Pimentel (à esquerda) foi morta em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O irmão da jovem, o tenente Ronickson Pimentel (à direita) ingressou na Polícia Militar em 2009, um ano depois do caso que chocou o país.
Golias deixou a prisão em outubro de 2023 e passou a integrar a “disciplina” do PCC, setor responsável por fazer cumprir regras e resolver conflitos internos da facção. À mulher, reclamava da função, que classificava como “perreco de Zé Polvinho”, expressão usada para se referir a confusões e desavenças consideradas banais.

Após uma reunião em uma favela de Guaianases, zona leste paulistana, há mais de um ano, ficou decidido que ele assumiria um “cargo na restrita”, acrescentou Claudia.
A Sintonia Restrita é uma célula da facção associada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) ao planejamento de ataques a autoridades, monitoramento de alvos, operações de contrainteligência e execução de diretrizes severas do PCC.





Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/para-sair-do-pcc-suspeito-de-atirar-em-tenente-da-rota-teria-de-matar.

Reprodução/SSP — Foto: Metrópoles
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