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    Paquistão acelera adoção de motos elétricas após alta dos combustíveis

    Fui ao Paquistão para escrever uma reportagem sobre o avanço das motocicletas elétricas no país. Visitei lojas, conheci uma fábrica de montagem e entrevistei fundadores de empresas e pessoas interessadas em comprar uma moto. Leia mais (09/12/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de setembro de 2026 às 09:00
    Paquistão acelera adoção de motos elétricas após alta dos combustíveis
    Homem de barba e camiseta preta com estampa laranja está ao lado de motocicleta vermelha estacionada em via molhada. Ao fundo, monumento histórico com cúpulas e minaretes sob céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Fui ao Paquistão para escrever uma reportagem sobre o avanço das motocicletas elétricas no país. Visitei lojas, conheci uma fábrica de montagem e entrevistei fundadores de empresas e pessoas interessadas em comprar uma moto.

    Abdul Rafay com sua moto, em Lahore, Paquistão - Asim Hafeez/New York Times · Asim Hafeez/New York Times
    Abdul Rafay com sua moto, em Lahore, Paquistão - Asim Hafeez/New York Times · Asim Hafeez/New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    À medida que a viagem se aproximava do fim, achei que já havia aprendido praticamente tudo o que precisava saber. Exceto como é, de fato, pilotar uma.

    E então chegou meu momento de sorte. Ou talvez de azar. Depende de como você se sente em relação às ruas de Lahore (Paquistão).

    "Quer dar uma volta?", perguntou Abdul Rafay, dono de uma nova moto elétrica da Vlektra, depois que terminamos a entrevista.

    Chico Harlan, na garupa de uma nova motocicleta Vlektra com seu proprietário, Abdul Rafay, em Lahore, Paquistão - Asim Hafeez/New York Times · Asim Hafeez/New York Times
    Chico Harlan, na garupa de uma nova motocicleta Vlektra com seu proprietário, Abdul Rafay, em Lahore, Paquistão - Asim Hafeez/New York Times · Asim Hafeez/New York Times — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Olhei para um cruzamento próximo, nesta cidade de 14 milhões de habitantes, enquanto motocicletas se esquivavam entre riquixás e carros , e murmurei algo sobre jornalistas não deverem se tornar parte da própria história.

    Mas tudo bem, eu aceitaria o passeio. Peguei um capacete emprestado e subi na garupa da moto de Rafay, uma entre as centenas de milhares de veículos relativamente novos e sem gasolina que circulam pelo Paquistão.

    Todas essas motocicletas são emblemáticas das grandes mudanças globais provocadas pela guerra no Irã . Ao elevar os preços do petróleo , a guerra acelerou involuntariamente a transição para a energia limpa nos países em desenvolvimento, sobretudo ao influenciar as decisões das pessoas sobre que tipo de veículo comprar.

    Cultivo de pimenta no Paquistão é impactado pela mudança climática
    Cultivo de pimenta no Paquistão é impactado pela mudança climática — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em muitos dos países mais vulneráveis à alta dos preços da gasolina, os veículos mais comuns tendem a ter duas rodas, e não quatro. E, nesses países, a era das motocicletas elétricas parece ter chegado.

    Enquanto eu me segurava firme, Rafay, de 24 anos, saiu da cafeteria onde havíamos feito a entrevista e entrou em uma rotatória. Estávamos em uma região relativamente sofisticada da cidade, com faixas de trânsito pintadas e ruas bem pavimentadas.

    Mas os motoristas do Paquistão, acho que se pode dizer, têm grande disposição para aventuras. Eles não se intimidam com ruas que podem ficar congestionadas ou alagadas —e, muitas vezes, as duas coisas ao mesmo tempo.

    Dois homens estão sentados em uma motocicleta vermelha e preta parada sobre calçada de pedras. O homem da frente usa camiseta preta com estampa amarela e azul, calça jeans e tênis pretos, enquanto o de trás veste camisa branca e calça verde
    Dois homens estão sentados em uma motocicleta vermelha e preta parada sobre calçada de pedras. O homem da frente usa camiseta preta com estampa amarela e azul, calça jeans e tênis pretos, enquanto o de trás veste camisa branca e calça verde — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E Rafay claramente queria mostrar a potência de sua nova moto. Então aproveitou uma pequena abertura e acelerou para passar por um riquixá.

    Depois, em uma longa reta, desviou entre motos e carros. Avançou em direção a dois veículos laranja, separados por cerca de 60 ou 90 centímetros. No exato momento em que Rafay passou entre eles, o espaço se abriu o suficiente para que conseguíssemos atravessar.

    Eu estava gravando um vídeo com meu celular e, olhando agora, consigo ver que toda a manobra foi executada com perfeição. Mas o vídeo não transmite a certeza visceral que tive de que um daqueles veículos laranja iria atingir meu joelho.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eu havia contraído tanto as pernas que Rafay conseguiu sentir.

    "Você ficou com medo, não ficou?", perguntou ele, olhando para trás.

    "Sim", respondi, com o coração um pouco acelerado, mas feliz.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quem disse que fazer reportagem sobre mudança climática precisa ser algo pesado?

    Ah, e a motocicleta: o passeio foi tranquilo. E certamente havia potência suficiente.

    Não tenho exatamente o currículo necessário para trabalhar na Car and Driver. Não piloto uma motocicleta desde 2012, quando passei por uma aventura desastrosa durante uma viagem de férias ao Vietnã. E, embora more na Itália, terra da Vespa, dirijo exclusivamente um carro hatchback (veículos que tem o porta-malas integrado à cabine e uma tampa traseira que inclui o vidro, formando um único compartimento) com duas cadeirinhas infantis.

    Mas foi justamente por isso que eu queria conversar com Rafay. Ele é um apaixonado por veículos e disse que adorava sua motocicleta anterior, uma Honda CD 70, o modelo a gasolina mais popular do Paquistão.

    Ele percorria cerca de 64 quilômetros por dia com ela para ir ao trabalho, onde atuava como engenheiro de software, e voltar para casa. Isso até os custos da gasolina dispararem e ele começar a fazer as contas.

    "Se eu puder economizar algumas rúpias", disse, "eu vou."

    Depois do choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio , Rafay visitou lojas de marcas de motocicletas e scooters elétricas. Ele contou que algumas vezes permanecia nas concessionárias além do que seria bem-vindo, conversando não apenas com funcionários, mas também com outros compradores.

    No fim, escolheu um modelo de motocicleta que, segundo ele, seria capaz de enfrentar todos os desafios das ruas do Paquistão.

    E, para ter certeza, eu vi esses desafios durante minha passagem por Lahore. Em algumas tardes, as chuvas de monções atingiam a cidade com força, deixando áreas mais baixas —ou qualquer região com drenagem precária— cobertas por água que chegava às canelas.

    A vida seguia durante as enchentes, assim como o trânsito de motocicletas. Mas ficou claro nesses momentos que as motos, movidas a gasolina ou eletricidade, têm grandes desvantagens.

    Depois do passeio com Rafay, agradeci a ele por pilotar tão bem e devolvi o capacete.

    Então, antes que viessem as próximas chuvas, voltei para o Toyota que havia usado durante a semana.

    Era um veículo que nunca me fez contrair as pernas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/paquistao-acelera-adocao-de-motos-eletricas-apos-alta-dos-combustiveis.shtml.

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    Abdul Rafay com sua moto, em Lahore, Paquistão - Asim Hafeez/New York Times · Asim Hafeez/New York Times — Foto: Folha de S.Paulo

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