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    'Papaya' tem algo de comovente e transita entre adultos e crianças

    No início, "Papaya" parece se propor como fábula infantil a respeito de uma pequena semente que se recusa a receber raízes, ser fixada na terra, transformar-se em planta ou árvore. Leia mais (09/24/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 18:00
    'Papaya' tem algo de comovente e transita entre adultos e crianças
    Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    Cena do filme 'Papaya' - Divulgação · Divulgação
    Cena do filme 'Papaya' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No início, "Papaya" parece se propor como fábula infantil a respeito de uma pequena semente que se recusa a receber raízes, ser fixada na terra, transformar-se em planta ou árvore.

    Talvez o público infantil tenha alguma dificuldade para aderir não tanto à trama, mas, antes de tudo, ao fato de este ser um filme de animação com menos movimento e variedade de cenas do que as animações mais comerciais.

    Existe também o fato de que, sobretudo no início, as cores sejam suaves, talvez até um pouco desbotadas. Isso não tem lá muita importância, porque logo perceberemos que a fábula se dirige mais a um público adulto .

    Veja imagens do filme 'Papaya'
    Veja imagens do filme 'Papaya' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Temos então a pequena semente que se aventura pelo mundo, rolando, enfrentando as variações do tempo, as traições da própria natureza, representada sobretudo pelo clima, chuvas e tal, mas também por outros animais e todos os perigos que se possa imaginar pelos quais passa uma semente e como consegue se manter em vida.

    Malgrado seus esforços, ou talvez por causa deles, a semente acaba se deparando com a cultura, com os homens, e outra série de adversidades vai surgir em sua frágil existência. Assim, as belas cachoeiras que existiam no ambiente natural começam a se transformar em riachos miseráveis.

    Nossa futura papaia é levada de cá para lá, às vezes pelo vento, às vezes por algum pássaro que pega uma folha em seu bico. À medida que se aproxima da cidade, ou das indústrias, onde antigas sementes são embaladas, desnaturadas e enviadas para consumo, nossa amiga vai vivendo novas e nem sempre agradáveis experiências.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Papaya" encontra uma maneira interessante de, por meio desse imaginário, lançar a questão do meio ambiente. E diga-se que Priscilla Kellen, a quem se deve a concepção e a direção do filme, evita discursos em favor da ecologia: as imagens bastam-lhe.

    Ao longo da trama, o encontro da nossa protagonista com a cultura se torna mais atroz —o que significa contato com esgotos, indústrias, estradas, asfalto, e, no entanto, representa um segundo nascimento para a pequena semente.

    Pode-se pensar que existe algo de feminino na fabulação, na medida em que a semente contém as ideias de nascimento e reprodução. De vida, em resumo. E isso se traduz por uma explosão de imagens psicodélicas, digamos assim —sim, elas remetem à velha palavra do tempo dos hippies—, em que tudo parece renascer na natureza, em que natureza e cultura tendem a se encontrar em conciliação.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Papaya" é um filme que, graças aos traços e cores delicadas com que trabalha a autora, talvez interesse visualmente mais a adultos do que a crianças. Mas o périplo da pequena semente, sua luta por liberdade e sobrevivência, tem algo de comovente que pode muito bem transitar entre duas ou mais gerações e facilitar a circulação de ideias ligadas à sobrevivência não só das sementes como também dos viventes em geral.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/papaya-tem-algo-de-comovente-e-transita-entre-adultos-e-criancas.shtml.

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    Cena do filme 'Papaya' - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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