Papa Leão XIV critica uso da IA para decisões humanas em meio a debate sobre segurança da tecnologia
Durante audiência geral no Vaticano, pontífice afirmou que avanço tecnológico e expansão da IA criam novas possibilidades, mas também podem tornar as relações humanas cada vez menos pessoais e mais virtuais O post Papa Leão XIV critica uso da IA para decisões humanas em meio a debate sobre segurança da tecnologia apareceu primeiro em Olhar Digital .

O Papa Leão XIV voltou a alertar, nesta quarta-feira (16), contra o risco de deixar que algoritmos assumam decisões que, segundo ele, pertencem exclusivamente à consciência humana.
Durante a audiência geral no Vaticano , o pontífice afirmou que o avanço tecnológico e a expansão da inteligência artificial (IA) criam novas possibilidades, mas também podem tornar as relações humanas cada vez menos pessoais e mais virtuais.
“Por outro lado, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais, e corremos o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana”, afirmou Leão XIV.

A declaração fez parte de uma catequese dedicada à “comunidade humana”, baseada no segundo capítulo da Constituição Pastoral Gaudium et spes , um dos documentos do Concílio Vaticano II. Na audiência, o papa relacionou o crescimento das tecnologias de comunicação e da IA com a necessidade de preservar relações baseadas em respeito, dignidade e profundidade pessoal.
Segundo Leão XIV, a multiplicação das relações proporcionada pela tecnologia pode derrubar barreiras e distâncias. Ao mesmo tempo, porém, esse processo precisa resultar em uma comunidade formada por pessoas e não apenas em uma rede cada vez maior de interações virtuais.
“Fazer com que as relações sociais tenham peso real e profundidade pessoal é a contribuição que a comunidade cristã se propõe a oferecer”, disse.

Leão XIV também afirma no documento que a IA já está presente em processos de tomada de decisão em diferentes áreas da sociedade, incluindo comunicação, gestão e controle.
O papa reconhece que essa utilização pode trazer ganhos de eficiência e melhorar determinados serviços, mas alerta para os riscos de uma adoção rápida e sem avaliação crítica. Entre as preocupações mencionadas está também o impacto ambiental dos sistemas de IA.
Na encíclica, Leão XIV dedica ainda atenção à utilização de IA na comunicação pública e política. Segundo ele, plataformas digitais e sistemas de IA podem acelerar mudanças na maneira como informações são produzidas e compartilhadas, inclusive facilitando a construção de narrativas distorcidas e dificultando a distinção entre fatos e opiniões.

O pontífice afirma que a IA pode funcionar como um multiplicador da desinformação, permitindo a manipulação de conteúdos, imagens e vídeos. Para ele, a qualidade da comunicação pública depende da confiança social e da busca compartilhada pela verdade factual.
A posição de Leão XIV é ainda mais direta quando o assunto envolve decisões morais ou irreversíveis. Na encíclica, o papa rejeita a ideia de que sistemas artificiais possam ser tratados como “agentes morais” capazes de distinguir o bem do mal de maneira equivalente à consciência humana. Para ele, o julgamento moral não é apenas um cálculo, pois envolve consciência, responsabilidade pessoal e reconhecimento do outro como pessoa.
Por essa razão, o documento afirma que não se devem confiar a sistemas artificiais decisões letais ou irreversíveis. O pontífice também relaciona essa questão ao uso da IA em conflitos armados, argumentando que a tecnologia pode tornar a violência mais rápida e impessoal ao transformar vítimas em dados e reduzir as barreiras para o uso da força.

Na audiência desta quarta-feira, entretanto, o alerta sobre IA estava inserido em reflexão mais ampla sobre como construir uma comunidade humana.
Leão XIV afirmou que a diversidade entre pessoas e povos não deve ser vista como perigo ou ameaça, mas como possibilidade de enriquecimento e crescimento. Também defendeu a reciprocidade, a partilha e o cuidado nas relações entre diferentes grupos.
A catequese retomou ainda a ideia de que o desenvolvimento da pessoa e o desenvolvimento da sociedade estão ligados. Na interpretação apresentada pelo papa a partir da Gaudium et spes , separar essas duas dimensões comprometeria ambas.

O pontífice também destacou o respeito pela pessoa humana, o amor até mesmo por quem pensa ou age de maneira diferente, a igualdade fundamental entre as pessoas e a necessidade de justiça social. Ao final, defendeu uma atitude de responsabilidade e participação em lugar de uma mentalidade individualista.
Leão XIV concluiu a reflexão, afirmando que a visão da humanidade como uma “comunidade de pessoas” é um legado do Concílio Vaticano II que pode ajudar no discernimento sobre os projetos sociais e políticos atuais, tendo como critérios a dignidade humana, a justiça social e a participação na construção do bem comum.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/16/inteligencia-artificial/papa-leao-xiv-critica-uso-da-ia-para-decisoes-humanas-em-meio-a-debate-sobre-seguranca-da-tecnologia/.

Papa reconhece que essa utilização pode trazer ganhos de eficiência e melhorar determinados serviços, mas alerta para os riscos de uma adoção rápida e sem avaliação crítica – Imagem: Vatican News — Foto: Olhar Digital
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