Brasil

    Papa Leão 14 se encontra com imigrantes antes de grande missa na Champs-Élysées, em Paris

    O papa Leão 14 pediu "convivência com dignidade e paz", neste sábado (26), durante um encontro com migrantes, horas antes de uma missa para 600 mil pessoas na Champs-Élysées, em Paris , como parte de sua primeira visita à França . Leia mais (09/26/2026 - 08h44)

    Folha de S.Paulo
    26 de setembro de 2026 às 11:44
    Papa Leão 14 se encontra com imigrantes antes de grande missa na Champs-Élysées, em Paris
    Líder religioso vestido com vestes brancas e vermelhas acena para multidão ao seu redor. Pessoas ao redor tiram fotos e levantam as mãos em gesto de saudação, em ambiente fechado com iluminação artificial. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O papa Leão 14 pediu "convivência com dignidade e paz", neste sábado (26), durante um encontro com migrantes, horas antes de uma missa para 600 mil pessoas na Champs-Élysées, em Paris , como parte de sua primeira visita à França .

    O papa Leão 14 saúda fiéis a bordo do papamóvel no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris - Julien de Rosa - 25.set.26/AFP · Julien de Rosa - 25.set.26/AFP
    O papa Leão 14 saúda fiéis a bordo do papamóvel no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris - Julien de Rosa - 25.set.26/AFP · Julien de Rosa - 25.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Enquanto partidos de ultra e extrema direita ganham terreno na Europa com retórica anti-imigração, o pontífice peruano-americano decidiu visitar a Casa Bakhita, uma associação católica que auxilia migrantes, onde ouviu os testemunhos de exilados do Afeganistão e da Nigéria.

    "Estou feliz em começar este segundo dia em Paris com vocês , nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz", enfatizou o neto de imigrantes.

    O nome da casa, fundada em 2017 após o apelo do papa Francisco para "acolher, proteger e integrar" os estrangeiros, homenageia Josefina Bakhita, uma sudanesa escravizada que se tornou freira e, posteriormente, foi canonizada pela Igreja Católica.

    A visita do papa Leão 14 à França
    A visita do papa Leão 14 à França — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem à escravidão hoje, a honrar a infinita dignidade de cada irmão e irmã", acrescentou Leão.

    Para os responsáveis pelo centro, a visita do papa foi uma mensagem, especialmente porque a imigração deverá ser um dos temas centrais nas eleições presidenciais do próximo ano na França, onde a candidata de ultradireita Marine Le Pen lidera as pesquisas.

    "Muito mais pessoas são a favor de acolher os migrantes e construir uma nova sociedade, esta civilização do amor da qual o papa fala", enfatizou Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para a Migração da Conferência Episcopal Francesa, após a visita à Casa Bakhita.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde sua eleição como papa em maio de 2015, Robert Francis Prevost tem frequentemente defendido a dignidade de exilados e refugiados e não hesitou em criticar as políticas de imigração do presidente dos EUA, Donald Trump.

    A primeira visita papal a Paris desde Bento 16, em 2008, foi recebida com grande entusiasmo popular, no país oficialmente laico. Na sexta-feira (25), 300 mil pessoas o saudaram durante seu passeio no papamóvel pelas ruas da capital, e mais tarde, 80 mil jovens o receberam como uma estrela do rock durante uma vigília no Stade de France, ao norte de Paris.

    Cerca de 600 mil fiéis são esperados neste sábado em Paris para a missa presidida pelo papa na Praça da Concórdia e na Champs-Élysées, a partir das 13h (horário de Brasília).

    Sete meses antes das eleições presidenciais na França, cruciais para a União Europeia , vários candidatos participarão da missa, incluindo Le Pen, mas não o atual chefe de Estado, Emmanuel Macron , cujo mandato termina em maio.

    O papa Leão 14 também está intrigado com o aumento dos batismos de jovens na França nos últimos cinco anos, em meio a um declínio geral na prática religiosa. Ele planeja se encontrar com recém-batizados e aqueles que serão batizados neste sábado no Instituto Católico de Paris.

    Após a missa, o líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo seguirá para o santuário de Lourdes, no sul da França, que recebe três milhões de visitantes por ano, para a segunda etapa de sua visita. Ele se encontrará em particular no domingo (27) com vítimas de abuso sexual na igreja e, no dia seguinte, concluirá sua viagem em Metz com um discurso sobre a paz e a União Europeia.

    Mas as mensagens mais importantes foram transmitidas logo após sua chegada à França. Perante as autoridades francesas, Leão 14 abordou na sexta-feira o laicismo —que "não consiste em excluir a religião da esfera pública"— bem como os perigos da inteligência artificial e da eutanásia.

    Em particular, condenou a "manipulação genética, a barriga de aluguel, o tráfico de órgãos" e "a oferta de morte programada", defendendo o "direito à vida" como fundamento dos direitos humanos, numa crítica ao governo francês. A França foi o primeiro país a consagrar a "liberdade garantida" do aborto na sua Constituição, em 2024, e em julho aprovou o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos.

    4h | Visita ao centro de acolhimento de migrantes e exilados Maison Bakhita 5h15 | Encontro com membros da Igreja no Instituto Católico de Paris 10h | Missa na praça da Concórdia 14h40 | Oração Santuário de Nossa Senhora de Lourdes

    4h | Encontro com bispos no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes 6h | Missa no santuário 10h30 | Encontro com pessoas do centro hospitalar do santuário 11h45 | Encontro com religiosas no Mosteiro do Carmelo de Lourdes 16h | Oração e procissão no santuário

    5h | Encontro inter-religioso em Metz 6h | Encontro ‘Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade’ 11h | Missa na Catedral de Santo Estêvão 13h30 | Cerimônia de despedida no aeroporto de Metz

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/papa-leao-14-se-encontra-com-imigrantes-antes-de-grande-missa-na-champs-elysees-em-paris.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    O papa Leão 14 saúda fiéis a bordo do papamóvel no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris - Julien de Rosa - 25.set.26/AFP · Julien de Rosa - 25.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)