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    Pampulha: “disco voador” de Niemeyer ficou no papel, mas MAP ganha solução

    Projeto de Niemeyer previa anexo sobre a Lagoa para resolver problemas do Museu de Arte da Pampulha; nova estrutura está em obras

    Metrópoles
    13 de setembro de 2026 às 06:00
    Pampulha: “disco voador” de Niemeyer ficou no papel, mas MAP ganha solução
    Foto: Metrópoles

    Belo Horizonte — Um enorme “disco voador” branco, projetado por Oscar Niemeyer, poderia ter mudado a paisagem de um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte . A estrutura “de outro planeta” seria construída sobre as águas da Lagoa da Pampulha , ao lado do Museu de Arte da Pampulha (MAP), para resolver um problema que acompanha o espaço há décadas: o prédio não foi projetado para funcionar como museu.

    O projeto não saiu do papel, mas imagens produzidas com inteligência artificial mostram agora como ele poderia ter ficado. Ao mesmo tempo, mais de duas décadas depois, a prefeitura executa em outro ponto da Pampulha uma nova solução para preservar o acervo e permitir a futura restauração do MAP.

    De acordo com o arquiteto Marcelo Palhares Santiago , o projeto do “disco voador”, apresentado por Niemeyer em 2004, previa um anexo de concreto e vidro para receber parte da estrutura necessária ao MAP..

    @arqbh/ Reprodução
    @arqbh/ Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Com a ajuda da tecnologia, Marcelo, que integra o ARQBH Arquitetura de BH, mostra como o projeto poderia ter ficado caso tivesse sido construído, dando nova vida a uma história da Pampulha que muita gente desconhece.

    “O processo começa sempre pela pesquisa. Eu leio os desenhos originais de Niemeyer e os textos em que ele mesmo explica o projeto, e cruzo isso com a pesquisa histórica […] Só então eu gero as imagens, corrigindo e refazendo várias vezes até que o resultado bata com o que está desenhado. É um trabalho demorado e cuidadoso, não é só apertar um botão”, explicou.

    Ele segue: “Toda imagem sai identificada como reconstituição feita por IA, uma hipótese visual, nunca como foto ou documento histórico. Sem esse aviso, deixa de ser pesquisa e vira informação falsa”.

    À direita, reconstituição do projeto de 2004, o “disco voador” de Niemeyer sobre a Lagoa da Pampulha; à esquerda, a segunda proposta, de 2007/2008, com um prédio baixo em frente ao MAP. As imagens foram produzidas com Inteligência Artificia
    À direita, reconstituição do projeto de 2004, o “disco voador” de Niemeyer sobre a Lagoa da Pampulha; à esquerda, a segunda proposta, de 2007/2008, com um prédio baixo em frente ao MAP. As imagens foram produzidas com Inteligência Artificia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

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    A necessidade de um novo espaço está ligada à própria história do museu. “O prédio do MAP não foi feito para ser museu: foi construído para ser o cassino, e é considerado por muitos críticos a obra-prima de Niemeyer. Só que, quando o jogo foi proibido em 1946 e o espaço virou museu em 1957, aquilo que era encanto virou problema . As grandes paredes de vidro, lindas de ver, deixam entrar sol direto e radiação ultravioleta, que destroem obras de arte”, disse Marcelo.

    Outra dificuldade está no espaço usado para guardar as obras que não ficam expostas ao público. A chamada reserva técnica foi adaptada no subsolo do prédio, sem as condições ideais para a preservação do acervo. Durante décadas, uma das soluções discutidas foi a construção de um anexo. O projeto acabou sendo encomendado ao próprio Niemeyer. O “disco voador” de Niemeyer Além da proposta do grande volume circular branco, de concreto e vidro, pousado literalmente sobre as águas da lagoa, ao lado do MAP, que, segundo Marcelo, não passou do estudo porque construir sobre o espelho d’água esbarra na legislação ambiental e nas regras de proteção do conjunto tombado , houve uma segunda proposta.

    Em vez de avançar sobre a lagoa, Niemeyer projetou um prédio branco, baixo e horizontal no terreno vazio em frente ao museu.

    Segundo o arquiteto, essa versão chegou mais perto de ser executada. O projeto foi aprovado pela PBH e pelos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio, mas também nunca foi construído.

    “O detalhe irônico é que, nas duas versões, ao propor um espaço para corrigir os defeitos do cassino como museu, Niemeyer repetiu exatamente os mesmos vícios do prédio original: grandes fachadas de vidro e reserva técnica no subsolo. O desfecho dessa história está acontecendo agora”, disse.

    Mais de duas décadas depois, a solução para parte dos problemas do MAP está sendo construída em outro ponto da Pampulha.

    A prefeitura trabalha na implantação do MAP – Núcleo de Pesquisa e Informação, anteriormente chamado de Casa MAP . O espaço vai armazenar o acervo que não está em exposição, além da biblioteca e do centro de documentação.

    A estrutura ocupa um imóvel que abrigava a antiga estação de bombeamento de água da Pampulha, construída nos anos 1940, na Avenida Otacílio Negrão de Lima. O local fica dentro da área reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco .

    A mudança é também uma etapa necessária para a restauração do prédio principal do MAP. Antes do início da intervenção, as obras de arte precisam ser retiradas do museu e levadas para um local adequado.

    De acordo com a prefeitura, as obras do MAP – Núcleo estão na segunda etapa e em estágio avançado. A previsão é que sejam concluídas em dezembro de 2026.

    A transferência do acervo está prevista para começar em dezembro, após a conclusão das obras, e deverá durar seis meses. Segundo a prefeitura, o edital para contratar o transporte das obras já foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM).

    “Esta transferência possibilitará que as obras de arte possam ser preservadas seguindo os melhores critérios de conservação e deixará o edifício sede disponível para o início das obras de restauração”, finalizou a prefeitura.

    Além disso, a PBH informou que a licitação para a restauração do edifício principal do Museu de Arte da Pampulha será lançada ainda neste ano. Um novo anexo para o museu também está em fase de planejamento.

    “O anexo possibilitará o crescimento do acervo em condições adequadas de segurança, o retorno das grandes exposições deste rico acervo, além das possibilidades de construção de parcerias com outras instituições e o recebimento de acervos externos”, explicou a PBH. Enquanto as obras avançam, também estão sendo preparadas as áreas que vão receber as obras de arte. Os espaços terão controle de temperatura e umidade, mobiliário específico e sistemas de segurança.

    “Além da obra de reforma do espaço, já acontecem, simultaneamente, a preparação das reservas técnicas que irão receber os acervos com climatização, instalação de mobiliário técnico adequado, sistemas de segurança, dentre outros”, disse.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/pampulha-disco-voador-de-niemeyer-ficou-no-papel-mas-map-ganha-solucao.

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