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    Países ricos têm pior desempenho da história no Pisa, e Brasil segue estagnado

    O desempenho dos estudantes de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi o menor já registrado na história nas três áreas do conhecimento avaliadas pelo Pisa 2025 . Praticamente estagnado na última década , o Brasil segue ainda bastante longe da média desses países. Leia mais (09/08/2026 - 04h30)

    Folha de S.Paulo
    8 de setembro de 2026 às 07:30
    Países ricos têm pior desempenho da história no Pisa, e Brasil segue estagnado
    Professora em casaco preto está em pé ao lado de quadro digital com texto em chinês e ilustração de sol e árvores. Alunos com uniformes azuis e vermelhos estão sentados de costas, olhando para a professora e o quadro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O desempenho dos estudantes de países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi o menor já registrado na história nas três áreas do conhecimento avaliadas pelo Pisa 2025 . Praticamente estagnado na última década , o Brasil segue ainda bastante longe da média desses países.

    Alunos participam de aula no primeiro dia do novo semestre no Distrito de Pinggu, em Pequim - Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua · Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua
    Alunos participam de aula no primeiro dia do novo semestre no Distrito de Pinggu, em Pequim - Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua · Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma das principais avaliações de qualidade da educação básica do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes divulgou seus dados na manhã desta terça-feira (8). Ele é um estudo comparativo internacional realizado a cada três anos para avaliar o desempenho de alunos de 15 anos em ciências, leitura e matemática.

    A cada ciclo de avaliação, uma das três áreas de conhecimento recebe maior ênfase. Em 2025, a área destacada foi ciências.

    Segundo a organização, depois de uma queda "sem precedentes" registrada após a pandemia em 2022 , os novos resultados mostram que o desempenho dos estudantes continua caindo em muitos países, o que indica problemas estruturais na educação global.

    Entenda o Pisa, avaliação internacional de educação
    Entenda o Pisa, avaliação internacional de educação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O Pisa 2025 registrou o pior desempenho médio dos países da OCDE observado até agora. O desempenho em leitura caiu depois de atingir seu pico por volta de 2012, enquanto o desempenho em ciências apresentou uma queda mais gradual ao longo da última década, e o desempenho em matemática caiu de forma especialmente acentuada após 2018", diz o relatório.

    A média da OCDE usada nessa comparação é calculada a partir do resultado de 23 países que fazem parte da organização desde o primeiro ano da avaliação, no ano 2000 —em sua ampla maioria são nações mais desenvolvidas. O Brasil não faz parte do grupo.

    Em ciências, a média desses países foi de 486 pontos na última avaliação —17 pontos a menos do que o registrado em 2006. Em leitura, a média foi de 466 pontos —29 a menos do que há duas décadas. A maior queda foi registrada em matemática, com perda de 32 pontos no período, alcançando média de 469 pontos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Considerando todos os 38 países que hoje compõem a OCDE, as médias de 2025 foram de 482, 461 e 463, respectivamente, em ciência, leitura e matemática.

    São quedas consideradas expressivas, já que uma variação de 20 pontos na média do Pisa representa a progressão de um ano inteiro de aprendizagem. Ou seja, na média, os estudantes estão aprendendo um ano e meio a menos de conteúdo em matemática e leitura do que os jovens da mesma idade aprendiam há 20 anos.

    De modo geral, os resultados apontam que 29% dos jovens de 15 anos dos países membros da OCDE registraram desempenho abaixo do esperado para a idade nas três áreas avaliadas. Em 2022, eram 25% dos estudantes nessa situação.

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    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais de 760 mil estudantes de 15 anos, em 91 países e regiões do mundo, realizaram a prova do Pisa em 2025 —só no Brasil, foram mais de 30 mil jovens. Além das três áreas de conhecimento tradicionalmente avaliadas, a última edição também avaliou a capacidade de resolver problemas por meio de ferramentas computacionais.

    Na contramão dos países membros da OCDE, o Brasil não registrou oscilações significativas na última década. Em ciências, os estudantes brasileiros tiveram média de 409 pontos, resultado parecido ao de 2015, com 401 pontos. Em matemática, o resultado permanece exatamente o mesmo de dez anos atrás, com média de 377 pontos.

    Em leitura, também praticamente não houve variação no período. Em 2025, a média foi de 408 pontos, um a mais do que o registrado em 2015.

    "Essa estabilidade nos resultados se arrasta há mais de uma década em todas as áreas do conhecimento no Brasil", diz o relatório.

    O documento também destaca como o Brasil estagnou em um ponto muito baixo. Enquanto menos de um terço dos estudantes (29%) dos países da OCDE tem desempenho abaixo do esperado nas três áreas avaliadas, entre os brasileiros essa proporção é de 43,8%.

    Além disso, 72% dos jovens brasileiros têm desempenho abaixo do esperado em matemática. Na OCDE, essa proporção é de 35%. Isso significa, por exemplo, que eles não conseguem interpretar ou reconhecer um problema matemático, como comparar a distância de duas rotas ou converter preços para uma moeda diferente.

    Em ciências, 52% dos brasileiros não alcançaram o patamar esperado, enquanto na OCDE, a proporção é de 26%. Esses estudantes não conseguem distinguir uma explicação científica adequada de uma que não seja embasada em evidências científicas.

    Além disso, 51% dos estudantes brasileiros estão abaixo do esperado em leitura, contra 31% da OCDE. Abaixo desse patamar, eles não conseguem, por exemplo, localizar informações explícitas em um texto simples.

    O relatório chama atenção para o número expressivo de estudantes abaixo do desempenho esperado, por entender que eles terão dificuldade de fazer atividades cotidianas sem o domínio desses conhecimentos.

    "Em leitura, terão dificuldade para compreender textos simples, enquanto, em matemática, poderão ter problemas para entender a relação entre quantidade e preço —o tipo de tarefa presente na vida cotidiana, desde fazer compras no supermercado até ler uma conta de serviços públicos", diz o relatório.

    Também destaca que houve quedas acentuadas e significativas em quase todos os países nas taxas de acerto em tarefas que envolvem as habilidades mais essenciais para o atual mundo da inteligência artificial: avaliar informações, refletir criticamente e integrar diferentes evidências, capacidades que exigem leitura cuidadosa e atenção prolongada.

    "Em contrapartida, aumentaram os casos de "leitura apressada", nos quais os estudantes dão respostas rápidas e incorretas", destaca o relatório.

    Os responsáveis pela avaliação ainda afirmam que houve uma "erosão" no desempenho em leitura, o que é particularmente preocupante por impactar a aprendizagem em todas as outras áreas. Os dados mostram que sistemas educacionais com as maiores quedas em leitura também tiveram reduções acentuadas em matemática e ciências. "Quer estejam resolvendo problemas de álgebra, analisando uma fonte histórica ou interpretando um experimento científico, os estudantes precisam primeiro compreender a linguagem. Quanto maior a capacidade de leitura de um estudante, mais fácil se torna desenvolver conhecimentos em todas as áreas", diz.

    Mesmo com uma pequena melhora na média em ciências, o Brasil não conseguiu avançar em sua posição no ranking em relação aos demais países. Nessa área, o país ficou em 67º lugar —seis posições abaixo do que havia alcançado em 2022. Assim, continua atrás de países como Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.

    O ranking de ciências foi liderado pelas províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, identificadas como B-S-J-Z) com média de 597 pontos, 37 pontos a frente de Singapura , que em 2022 ficou em primeiro lugar e agora ocupa a segunda posição. Em seguida aparece Macau, na China (541), Taipei, também na China (540), e Japão (538).

    As províncias chinesas B-S-J-Z também lideram o ranking em matemática, com 612 pontos. Em leitura, a liderança é de Singapura, com 535 pontos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/paises-ricos-tem-pior-desempenho-da-historia-no-pisa-e-brasil-segue-estagnado.shtml.

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    Alunos participam de aula no primeiro dia do novo semestre no Distrito de Pinggu, em Pequim - Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua · Ren Chao - 2.mar.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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