Países que sumirem por aumento do nível do mar não deixarão de ser Estados, decide ONU
Líderes mundiais reconheceram nesta quinta-feira (24) que nações que perderem seu território de forma parcial ou integral devido ao avanço do nível do mar continuarão sendo reconhecidas como Estados. O acordo também garante que esses países não deixarão de ser reconhecidos no sistema internacional. Leia mais (09/24/2026 - 14h59)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Líderes mundiais reconheceram nesta quinta-feira (24) que nações que perderem seu território de forma parcial ou integral devido ao avanço do nível do mar continuarão sendo reconhecidas como Estados. O acordo também garante que esses países não deixarão de ser reconhecidos no sistema internacional.

A Declaração das Nações Unidas sobre a Elevação do Nível do Mar foi adotada por consenso durante a reunião da Assembleia Geral da ONU , em Nova York. O texto havia sido concluído no mês passado. É a primeira vez que todos os Estados-membros adotam um documento a respeito do tema.
"Uma vez estabelecido um Estado, o desaparecimento de um de seus elementos constitutivos não implicaria necessariamente a perda de sua condição de Estado", diz a declaração. "Conclamamos a comunidade internacional a apoiar os Estados que enfrentam alterações em seu território terrestre devido à elevação do nível do mar".
A elevação dos oceanos é uma das consequências mais visíveis do aquecimento global e representa uma ameaça existencial iminente para os pequenos países insulares.

O nível médio global do mar está subindo em todo o mundo, em ritmo cada vez mais acelerado , segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU). O fenômeno é causado tanto pelo derretimento de geleiras e calotas polares, que jogam no mar água doce congelada há milênios, como pelo aquecimento do oceano, que se expande à medida que fica mais quente .
Até 2100, a Organização Meteorológica Mundial estima que o nível do mar terá subido pelo menos 0,5 metro, enquanto as previsões mais pessimistas projetam um aumento de 2 metros. Para pequenas nações do Pacífico como Tuvalu, Kiribati e as Ilhas Marshall, que ficam cerca de 2 metros acima do nível do mar, a ameaça é muito concreta.
"A elevação do nível do mar ameaça nosso litoral, nossos lares e nossos modos de vida. Não ameaça nossos direitos legais nem nosso reconhecimento como Estados", afirmou o presidente de Palau, Surangel Whipps Jr.

Derretimento de geleiras e submersão de ilhas são algumas das consequências previstas para um planeta mais quente
Pesquisadores descobriram que a maioria dos estudos em regiões costeiras subestimou a altura real das águas
El Niño se soma ao aquecimento global causado pelas emissões humanas de carbono
Peter Thomson defende embargo à exploração econômica no Ártico para proteger vida selvagem e povos indígenas
Estimativas da organização apontam que 770 milhões de pessoas vivem em áreas costeiras afetadas pelo aumento do nível do mar. Uma elevação de apenas meio metro até o fim do século poderia obrigar entre 150 milhões e 300 milhões de pessoas a deixar suas casas.
Os países que menos contribuem com as emissões de gases de efeito estufa são as que enfrentam os impactos mais graves do aquecimento global. Algumas já estão se preparando para serem engolidas pelo mar, como Tuvalu, que deve se tornar a primeira "nação digital" do mundo.
O documento ressalta que é necessário adotar medidas para conter o avanço do mar ao redor do mundo e que essas ações devem ser baseadas em ciência, dados e nos saberes tradicionais. Também reconhece urgência de ampliar o financiamento para adaptação e resiliência climáticas.
"A declaração não pode impedir a elevação do nível do mar. Somente ações climáticas podem fazer isso", acrescentou Whipps. Ele lidera o Aosis, como é conhecido o bloco de negociação multilateral das pequenas nações insulares nas conferências climáticas da ONU.
"Na COP31 , pressionaremos os grandes emissores a fazer cortes nas emissões profundos e rápidos, compatíveis com a meta de 1,5°C, e a garantir que financiamento para adaptação que chegue às nossas ilhas. As proteções jurídicas reafirmadas hoje e ações climáticas ambiciosas devem avançar juntas", afirmou.
A COP31 acontece em novembro, em Antália, na Turquia . O país dividirá a chefia da cúpula do clima com a Austrália , que se comprometeu a levar o pleito do oceano e das nações do Pacífico para o centro das negociações.
Em grande parte do Pacífico tropical ocidental, o nível do mar subiu de 10 a 15 centímetros desde 1993, um ritmo quase duas vezes superior à média global, segundo o braço meteorológico da ONU. Isso tem causado um aumento significativo na frequência das inundações costeiras.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/paises-que-sumirem-por-aumento-do-nivel-do-mar-nao-deixarao-de-ser-estados-decide-onu.shtml.

Moradora de área afetada pela erosão costeira em Togoru, a cerca de 35 quilômetros de Suva, capital de Fiji - Saeed Khan - 27.ago.24/AFP · Saeed Khan - 27.ago.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

