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    Pais vivem luto sem fim 6 meses após ataque a escola símbolo da guerra no Irã

    Massoumeh Zakeri revive sem cessar sua última noite com a filha de nove anos, morta há seis meses em uma escola no sul do Irã durante as primeiras horas dos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam a guerra no Oriente Médio . Leia mais (08/25/2026 - 09h02)

    Folha de S.Paulo
    25 de agosto de 2026 às 12:02
    Pais vivem luto sem fim 6 meses após ataque a escola símbolo da guerra no Irã
    Faixa com fotos de várias pessoas alinhadas em frente a um prédio parcialmente destruído. Bandeiras do Irã e uma bandeira preta estão hasteadas próximas ao memorial. O céu está claro e o ambiente parece ser uma área urbana afetada por destr — Foto: Folha de S.Paulo

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    Massoumeh Zakeri revive sem cessar sua última noite com a filha de nove anos, morta há seis meses em uma escola no sul do Irã durante as primeiras horas dos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam a guerra no Oriente Médio .

    Prédio da escola primária em Minab, no Irã, destruído e cercado por escombros - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP
    Prédio da escola primária em Minab, no Irã, destruído e cercado por escombros - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Naquela noite, sua filha, Motahareh, falava com entusiasmo sobre as próximas férias, os casamentos que estavam por vir e suas roupas. Pouco antes do amanhecer, durante o jejum muçulmano do Ramadã, ela comeu, e depois Zakeri a colocou na cama.

    "Nunca mais a vi", conta a mãe, de 44 anos, à agência de notícias AFP.

    Naquela manhã, Motahareh acordou antes dos pais e pegou o ônibus para a escola Shajareh Tayebeh, na cidade de Minab.

    Túmulos das pessoas e crianças mortas no ataque à escola primária de Minab, no Irã - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP
    Túmulos das pessoas e crianças mortas no ataque à escola primária de Minab, no Irã - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Algumas horas depois, começaram os ataques contra o Irã, e Zakeri recebeu uma ligação pedindo que fosse buscar a filha. Ela não chegou a tempo, e a escola foi bombardeada.

    Motahareh foi uma das 155 pessoas mortas —entre elas, 120 crianças— naquele ataque, o mais letal da guerra, segundo as autoridades iranianas.

    Seis meses depois, uma equipe da AFP obteve acesso exclusivo ao local onde ficava a escola, cercado por retratos das jovens vítimas. O prédio continua em grande parte em ruínas, com paredes desabadas e salas de aula repletas de escombros.

    Edifício destrído da escola de Minab, no Irã - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP
    Edifício destrído da escola de Minab, no Irã - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Bandeiras iranianas tremulam sobre os destroços, enquanto orações e cânticos patrióticos são ouvidos nos alto-falantes.

    Visitantes percorrem o local, que as autoridades querem preservar como um espaço de memória. As buscas pelos corpos de três crianças que continuam desaparecidas ainda prosseguem.

    Zakeri confessa que não quis ver os restos mortais da filha, encontrados mais tarde naquele mesmo dia e identificados apenas "por suas pulseiras e brincos", por medo de apagar a última lembrança feliz que guarda dela.

    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo
    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Ela era muito carinhosa, alegre e realmente cheia de energia", diz.

    O regime do Irã afirma que a escola foi atingida por dois mísseis americanos. Nem a Casa Branca nem Israel assumiram a autoria do ataque , mas organizações de defesa dos direitos humanos, entre elas a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, atribuíram o bombardeio a Washington .

    O jornal The New York Times, com base em autoridades americanas e pessoas próximas à investigação, apontou um erro de mira por parte das Forças Armadas dos Estados Unidos .

    Memorial coberto com túmulos alinhados em fileiras sobre grama artificial verde. Fotos de jovens emolduradas estão fixadas próximas a cada túmulo. Bandeiras do Irã estão penduradas e hasteadas ao longo do espaço, que é protegido por uma cob
    Memorial coberto com túmulos alinhados em fileiras sobre grama artificial verde. Fotos de jovens emolduradas estão fixadas próximas a cada túmulo. Bandeiras do Irã estão penduradas e hasteadas ao longo do espaço, que é protegido por uma cob — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Yaghoub Yazdanpanah, 34, preparava-se naquele dia para buscar a filha de seis anos, Fatemeh, após receber ligações desesperadas de familiares.

    Àquela altura, os bombardeios já haviam atingido Teerã naquele 28 de fevereiro e matado o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei , e outros altos comandantes da República Islâmica.

    Então, o telefone tocou novamente. A escola acabara de ser atingida. "Eu não conseguia acreditar", recorda Yazdanpanah, professor de literatura persa. Ele saiu às pressas do trabalho rumo à escola, de onde se erguiam chamas e densas nuvens de fumaça.

    Prédio de dois andares parcialmente destruído com paredes desabadas e escombros espalhados no chão. Bandeiras do Irã estão fincadas entre os destroços. Mesas e cadeiras estão dispersas na área em frente ao prédio sob céu claro.
    Prédio de dois andares parcialmente destruído com paredes desabadas e escombros espalhados no chão. Bandeiras do Irã estão fincadas entre os destroços. Mesas e cadeiras estão dispersas na área em frente ao prédio sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No local, a cena era aterradora: ele viu homens recolhendo pedaços de carne humana. O corpo de uma menina jazia sob uma laje de concreto. "Eu desabei", conta. O corpo de sua filha foi encontrado várias horas depois.

    O pintor Javad Shahrjou procurou entre os escombros por seu filho de sete anos, Alireza. Ele foi encontrado três dias depois. "Estava completamente carbonizado", afirma o homem, que diz ir "todos os dias" ao túmulo, ornamentado com uma foto do menino.

    Outros pais enlutados prestam homenagens no cemitério, não muito longe da escola, onde foi reservada uma ala especial para as vítimas do ataque.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um garoto vestido de preto, acompanhado por um adulto, limpa a lápide de outro jovem aluno.

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    Massoumeh Zakeri também vai regularmente ao nicho onde repousam os restos mortais da filha. Ela diz estar dominada por uma dor que, segundo ela, a impede de pensar no futuro. "Não temos absolutamente nenhum plano", diz.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Arash Tondro, um homem de 45 anos que perdeu um familiar de oito anos no ataque, diz que ainda tem dificuldade para entender por que a instituição foi alvo. "O lugar onde ficava a escola era uma base militar há cerca de 10 ou 12 anos", afirma no cemitério. Hoje, ressalta, "já não há nenhuma instalação militar".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/pais-vivem-luto-sem-fim-6-meses-apos-ataque-a-escola-simbolo-da-guerra-no-ira.shtml.

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    Prédio da escola primária em Minab, no Irã, destruído e cercado por escombros - Atta Kenare - 10.ago.26/AFP · Atta Kenare - 10.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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