País vai às urnas refém do conflito surdo e radical
O Brasil vai às urnas neste domingo (4) refém da armadilha criada pela batalha de aversões e afeições em que se transformou a política, que deixou de ser a arte da construção de consensos a partir de dissensos para se tornar a própria fonte da discórdia. Leia mais (10/03/2026 - 17h00)

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O Brasil vai às urnas neste domingo (4) refém da armadilha criada pela batalha de aversões e afeições em que se transformou a política, que deixou de ser a arte da construção de consensos a partir de dissensos para se tornar a própria fonte da discórdia.

A lógica é a do conflito pelo conflito produtor de impasses sem o alcance de resultados. Falar da polarização e atribuir a ela o aprisionamento do país a duas correntes surdas ao contraditório é chover no molhado dos chavões.
O lugar-comum simplifica a cena, mas não lança luz sobre a rota de fuga nem explica a razão pela qual caímos na arapuca. Igualmente irrelevante para a elaboração de um pensamento que nos leve adiante é se apegar ao marco inicial da dinâmica do atrito.
Seja o "nós contra eles" ou o "eles contra nós", o mal está feito. Interessa saber agora como se escapa da sinuca. Dos favoritos na disputa de rejeições só o que se viu foi estímulo à contaminação do ambiente, cuja infecção tomou conta dos tribunais, assim chamados de superiores.

Não há, para qualquer lado que se olhe, compromisso com as consequências. O Congresso ocupa-se dos negócios orçamentários, a cúpula do Judiciário entrega-se a rivalidades militantes, a chefia do governo é objeto de cobiça de grupos voltados aos próprios projetos, e o país fica nas mãos do que der e vier.
Só há um jeito de se escapar dessa cilada: é refazer o caminho da obediência às regras e aos papéis legalmente estabelecidos. Contribuiria também a disposição geral em arejar o ambiente de modo a que se ouçam outras vozes sem desqualificá-las por se recusarem a entrar na briga do dedo no olho e golpes ao baixo-ventre.
Ao Legislativo caberia voltar a exercer suas funções de representação popular; ao Judiciário, a retomada do papel de defesa da legalidade e ao Executivo cumpriria a tarefa de governar para todos, trafegando nas divergências com respeito ao adversário para, assim, liderar o indispensável e urgente processo de reorganização institucional.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/10/pais-vai-as-urnas-refem-do-conflito-surdo-e-radical.shtml.

Cabine de votação com urna modelo UE2020 é apresentada em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral, no centro do Rio de Janeiro - Fernando Frazão - 29.set.22/Agência Brasil · Fernando Frazão - 29.set.22/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo
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