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    Pais que perderam bebê após parto induzido sem consentimento serão indenizados em R$ 300 mil

    Um hospital particular de Blumenau ( SC ) foi condenado a pagar R$ 300 mil de indenização a um casal que em 2009 perdeu um bebê durante o parto. De acordo com a sentença, falhas na condução do parto provocaram a ruptura do útero da mãe e a morte do bebê logo após o nascimento. Leia mais (08/20/2026 - 18h45)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 21:45
    Pais que perderam bebê após parto induzido sem consentimento serão indenizados em R$ 300 mil
    Mulher grávida com a mão na barriga — Foto: Folha de S.Paulo

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    Um hospital particular de Blumenau ( SC ) foi condenado a pagar R$ 300 mil de indenização a um casal que em 2009 perdeu um bebê durante o parto. De acordo com a sentença, falhas na condução do parto provocaram a ruptura do útero da mãe e a morte do bebê logo após o nascimento.

    Hospital em Blumenau (SC) foi condenado a indenizar casal após falhas na condução do parto que levaram à morte de bebê - Pexels · Pexels
    Hospital em Blumenau (SC) foi condenado a indenizar casal após falhas na condução do parto que levaram à morte de bebê - Pexels · Pexels — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em decisão do último dia 14, a 6ª Câmara Civil do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) manteve por unanimidade a condenação do hospital na primeira instância. Cabe recurso.

    Os magistrados reconheceram a ocorrência de violência obstétrica no episódio. Para a relatora, desembargadora Quitéria Tamanini Vieira, o conceito não se restringe a agressões físicas ou verbais e inclui intervenções realizadas sem informação adequada ou consentimento, além do desrespeito à autonomia da gestante e às informações fornecidas por ela.

    Segundo o processo, a mulher já havia tido um filho por meio de cesárea e, ao dar entrada no hospital para o parto de 2009, informou que seu obstetra a havia orientado a não tentar um parto normal . Ainda assim, a equipe induziu o trabalho de parto com ocitocina, hormônio que estimula as contrações, sem registro de consentimento da paciente.

    Projeto inclui doulas no apoio a gestantes atendidas no SUS no Rio
    Projeto inclui doulas no apoio a gestantes atendidas no SUS no Rio — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A perícia médica concluiu que o uso do medicamento aumentou o risco de ruptura uterina, que já é maior em mulheres submetidas anteriormente a uma cesárea, e apontou imprudência na condução do caso.

    Na primeira instância, a 4ª Vara Cível de Blumenau condenou o hospital e o médico obstetra a pagar, em conjunto, R$ 300 mil aos pais (R$ 200 mil à mãe e R$ 100 mil ao pai). Ambos os condenados recorreram da decisão.

    Na segunda instância, o TJ-SC entendeu que o médico não poderia ser processado diretamente por ter atuado como agente público em atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde ) e o afastou da ação, mas manteve a condenação da fundação mantenedora do hospital.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na decisão, a relatora afirma que o alerta dado pela gestante exigia maior cautela da equipe, investigação clínica adequada e explicações claras sobre os riscos envolvidos. A ausência de consentimento, diante do risco aumentado para mãe e filho, foi considerada uma violação da autonomia da paciente.

    A magistrada também afirmou que, nessas circunstâncias, a ruptura do útero não poderia ser considerada um acidente imprevisível ou inevitável, já que os fatores de risco eram conhecidos e foram agravados pela conduta médica durante o parto.

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    Segundo a perícia, a mãe teve sequelas físicas e psicológicas após a morte do filho e o risco de morte que enfrentou durante o parto. O laudo apontou sinais de estresse pós-traumático e luto patológico, além de impactos na saúde, na vida social e na possibilidade de uma nova gravidez.

    Conforme registrou a desembargadora na decisão, em audiência realizada mais de 14 anos depois a mãe ainda se mostrava visivelmente abalada.

    O pai também apresentou abalo emocional em decorrência da perda e das consequências do episódio para a família, ainda de acordo com a decisão.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/pais-que-perderam-bebe-apos-parto-induzido-sem-consentimento-serao-indenizados-em-r-300-mil.shtml.

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