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    Pai de Vorcaro deve explicações

    A essa altura, quem deve explicações é Henrique Vorcaro , o pai de Daniel Vorcaro . A quantidade de "irmãos" do ex-banqueiro já identificados é sugestiva de intensa atividade extraconjugal. Cabe até uma investigação eclesiástica, pois a Igreja Batista da Lagoinha , da qual o patriarca dos Vorcaros é membro ativo, não encoraja o adultério. Leia mais (09/25/2026 - 13h20)

    Folha de S.Paulo
    25 de setembro de 2026 às 16:20
    Pai de Vorcaro deve explicações
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    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Henrique Vorcaro, pai de do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; ambos estão presos - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo
    Henrique Vorcaro, pai de do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; ambos estão presos - Reprodução/TV Globo · Reprodução/TV Globo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A essa altura, quem deve explicações é Henrique Vorcaro , o pai de Daniel Vorcaro . A quantidade de "irmãos" do ex-banqueiro já identificados é sugestiva de intensa atividade extraconjugal. Cabe até uma investigação eclesiástica, pois a Igreja Batista da Lagoinha , da qual o patriarca dos Vorcaros é membro ativo, não encoraja o adultério.

    Brincadeiras à parte, acho que cabem algumas reflexões sobre o parentesco fictício. A primeira observação é que se trata de um universal humano. O uso de análogos de irmão/irmã para referir-se a pessoas da mesma geração e tio/tia para gente mais velha é tão prevalente em algumas culturas, principalmente naquelas baseadas em estruturas de clã, que esses termos funcionam como pronomes de tratamento. É que nosso software mental e linguístico evoluiu no Pleistoceno, quando vivíamos em grupos familiares. Continuamos a usar essa programação, e as palavras que ela gera, mesmo depois que o mundo ficou maior que a família.

    No Ocidente é um pouco diferente. Ao longo da Idade Média, a Igreja Católica se empenhou em quebrar a espinha dorsal da lógica dos clãs. Fez isso proibindo o casamento entre primos, mesmo primos distantes, e a poligamia. A consequência foi o fortalecimento da família nuclear, composta por pai, mãe e filhos. Isso os padres não previram, mas a mudança possibilitou o surgimento de uma ética universalista, calcada não mais em relações de parentesco, mas em regras comuns, que valem para todos.

    Homem de meia-idade com cabelo grisalho curto e barba por fazer veste terno preto com camisa preta, posando em ambiente interno com parede branca e quadros ao fundo.
    Homem de meia-idade com cabelo grisalho curto e barba por fazer veste terno preto com camisa preta, posando em ambiente interno com parede branca e quadros ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A alteração teve impacto sobre o vocabulário. O uso do parentesco fictício não desapareceu, mas sofreu uma cisão. Por um lado, em contextos urbanos modernos, banalizou-se como um tique linguístico. Dizemos "irmão" ou "tio" a prestadores de serviços e desconhecidos, esvaziando as palavras de qualquer intimidade. Por outro, quando direcionados a conhecidos, esses termos voltam a ser uma escolha forte.

    Denotam proximidade real e intencional, dada pelo copertencimento a círculos fechados como igrejas, guildas e até máfias nos casos mais extremos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/pai-de-vorcaro-deve-explicacoes.shtml.

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