Padrasto vai a júri popular sob acusação de envenenar crianças com chumbinho em GO
A Justiça de Goiás decidiu levar a júri popular o motorista Ronaldo Alves de Oliveira, 46, acusado de envenenar os enteados com chumbinho . Leia mais (08/12/2026 - 12h44)

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A Justiça de Goiás decidiu levar a júri popular o motorista Ronaldo Alves de Oliveira, 46, acusado de envenenar os enteados com chumbinho .

Weslenny Rosa Lima, 9, não resistiu à intoxicação e morreu. O irmão, de 8 anos, foi hospitalizado, mas sobreviveu após conseguir expelir a substância do seu organismo. O caso ocorreu em 27 de março deste ano.
O advogado Tiago Custódio dos Santos, que representa o padrasto, afirmou que vai recorrer da decisão.
"A defesa mantém sua posição de que não há prova segura e individualizada de que Ronaldo tenha sido o responsável pela introdução da substância tóxica nos alimentos", afirmou por meio de uma nota.

O advogado ressaltou que a decisão de levar o réu a júri popular não representa juízo de condenação, "permanecendo Ronaldo amparado pela presunção constitucional de inocência".
De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público , o padrasto era o responsável habitual pelo preparo do jantar da família. Naquele dia, segundo a acusação, enquanto servia arroz, feijão e carne moída, ele teria envenenado a refeição ao misturar chumbinho, um pesticida organofosforado, à comida.
Além das crianças, ele teria envenenado da mesma forma os quatro gatos da família, que morreram.
Ao determinar o envio do caso ao Tribunal do Júri, órgão responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida, a juíza Thayane Albuquerque afirmou haver indícios que apontam para a responsabilidade do padrasto.
"Não se trata, aqui, de afirmar a certeza da autoria, mas apenas de reconhecer a existência de base probatória mínima apta a legitimar a acusação", afirmou.
A mãe das crianças, que também havia sido denunciada pelo Ministério Público, foi impronunciada pela Justiça e não vai a júri popular.
Ao denunciá-la por omissão imprópria, a Promotoria afirmou que ela sabia de ameaças feitas pelo padrasto, mas não tomou nenhuma atitude para evitar o crime.
A juíza, no entanto, considerou que a mãe não tinha conhecimento concreto dos riscos que os filhos corriam. Afirmou também não haver nos autos prova de que ela poderia ter impedido o crime, ressaltando que prestou socorro às crianças.
O caso ainda não tem data para ser julgado.
Sobre a decisão, o defensor do padrasto ainda afirmou que "a defesa confia que os elementos produzidos no processo serão examinados com a necessária cautela pelas instâncias competentes e seguirá exercendo todos os meios de defesa assegurados pela Constituição e pela legislação processual penal."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/padrasto-vai-a-juri-popular-sob-acusacao-de-envenenar-criancas-com-chumbinho-em-go.shtml.

Chumbinho é um pesticida com venda proibida no Brasil; Ministério Público afirma que padrasto usou produto para envenenar enteados em GO - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo
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