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    Os periquitos tropicais que se espalharam pela Alemanha

    Todos os dias ao entardecer, centenas de pássaros verdes cruzam o céu de cidades do oeste da Alemanha como Colônia e Bonn fazendo um barulho difícil de ignorar. O verde vibrante dos animais , que destoa da paisagem, é um primeiro sinal de que as aves não pertencem a esse cenário, pelo menos não originalmente. Leia mais (09/15/2026 - 09h58)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 12:58
    Os periquitos tropicais que se espalharam pela Alemanha
    Dois periquitos verdes estão empoleirados em um galho de árvore sem folhas, encostando os bicos um no outro. O fundo mostra galhos secos e céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Todos os dias ao entardecer, centenas de pássaros verdes cruzam o céu de cidades do oeste da Alemanha como Colônia e Bonn fazendo um barulho difícil de ignorar. O verde vibrante dos animais , que destoa da paisagem, é um primeiro sinal de que as aves não pertencem a esse cenário, pelo menos não originalmente.

    Casal de periquitos-de-colar pousam em um galho de árvore - Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua · Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua
    Casal de periquitos-de-colar pousam em um galho de árvore - Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua · Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Eles são os chamados periquitos-de-colar ( Psittacula krameri ), espécie que tem origem na África e na Ásia e que, nas últimas décadas, se estabeleceu em diversas cidades da Europa Central. O nome faz referência ao "colar" escuro que os machos apresentam ao redor do pescoço.

    Segundo o ornitólogo Matthias Overmann, da Naturschutzbund Deutschland, uma das maiores entidades de proteção da natureza da Alemanha, as primeiras populações na região do rio Reno surgiram a partir de aves que teriam escapado do zoológico de Colônia e de propriedades particulares nas décadas de 1960 e 1970.

    Pertencentes à mesma família dos papagaios, esses periquitos são considerados um dos exemplos mais bem-sucedidos de adaptação de uma espécie exótica ao ambiente urbano europeu.

    Um periquito-de-colar põe a cabeça para fora de buraco em tronco de árvore em parque de Bruxelas, Bélgica - Nicolas Tucat - 6.jan.26/AFP · Nicolas Tucat - 6.jan.26/AFP
    Um periquito-de-colar põe a cabeça para fora de buraco em tronco de árvore em parque de Bruxelas, Bélgica - Nicolas Tucat - 6.jan.26/AFP · Nicolas Tucat - 6.jan.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Os periquitos-de-colar não são aves migratórias . Extremamente adaptáveis, conseguem sobreviver e se reproduzir em um ambiente muito diferente daquele de sua região de origem. Microclimas urbanos e invernos cada vez mais amenos também têm favorecido a permanência da espécie durante todo o ano.

    Hoje, eles podem ser encontrados não apenas na região do rio Reno, mas também em cidades de países como Reino Unido , Bélgica e França .

    Periquito verde com bico vermelho aparece em buraco circular no tronco rugoso de árvore. Textura da casca destaca anéis concêntricos ao redor da abertura.
    Periquito verde com bico vermelho aparece em buraco circular no tronco rugoso de árvore. Textura da casca destaca anéis concêntricos ao redor da abertura. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma das características mais marcantes dos periquitos-de-colar é seu comportamento social. Durante o dia, eles circulam por diferentes bairros em busca de alimento, mas ao anoitecer se reúnem em locais específicos para passar a noite. Em Bonn, por exemplo, essa "festa do pijama" é um encontro diário que reúne centenas de aves em árvores.

    Dados do Grupo de Trabalho de Ornitologia de Bonn apontam a presença de 2.401 periquitos-de-colar catalogados só nesta cidade do estado alemão Renânia do Norte-Vestfália. A espécie hoje é tão comum na região que já integra exposições do Museu de História Natural de Bonn ao lado de aves tradicionalmente associadas à fauna local.

    Além da forte presença sonora, os periquitos também deixam marcas físicas na cidade. No período de reprodução, entre fevereiro e junho, eles costumam ocupar cavidades abertas por pica-paus em árvores e fachadas de edifícios para construir seus ninhos. Moradores preocupados com os danos deixados em suas propriedades têm procurado órgãos ambientais para entender como devem lidar com os "inquilinos" temporários.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Observar um periquito-de-colar de perto nem sempre é uma tarefa fácil. Uma exceção é Ziggy, uma ave que ganhou um lar após ser encontrada debilitada pelo ilustrador Sebastian "Özi" Jenal, que vive em Bonn.

    "Eu a encontrei no meio da ciclovia em um dia de 30°C, completamente desidratada. Levei para casa para cuidar e depois descobrimos que ela tinha um problema neurológico", conta.

    O passo seguinte foi procurar o órgão de Proteção à Paisagem e Meio Ambiente da cidade para conseguir uma autorização para cuidar da Ziggy. Ela passou a viver permanentemente com a família após as autoridades concluirem que, por não conseguir voar adequadamente, ela não teria condições de sobreviver sozinha na natureza.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O veterinário simplesmente disse: 'Parabéns, vocês têm um novo animal de estimação. Eles vivem cerca de 25 anos. Divirtam-se'", conta Özi.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/os-periquitos-tropicais-que-se-espalharam-pela-alemanha.shtml.

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    Casal de periquitos-de-colar pousam em um galho de árvore - Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua · Chen Junfeng - 17.mar.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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