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    Os filhos picaretas dos presidentes

    Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente. Leia mais (08/22/2026 - 19h37)

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 22:37
    Os filhos picaretas dos presidentes
    À esquerda, homem de pele clara com cabelo preto curto e camisa listrada vermelha e branca olha para a direita. À direita, homem de pele clara com cabelo castanho curto e camisa azul clara sorri levemente, com fundo neutro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e autor de "PT, uma História"

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    Da esquerda para direita: O empresário Fabio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, no aniversario do ministro do Esporte, Orlando Silva, e Flávio Bolsonaro durante campanha em Duque de Caxias, Rio de Janeiro - Greg Salibian - 31.mai.10
    Da esquerda para direita: O empresário Fabio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, no aniversario do ministro do Esporte, Orlando Silva, e Flávio Bolsonaro durante campanha em Duque de Caxias, Rio de Janeiro - Greg Salibian - 31.mai.10 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

    Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS .

    Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

    Lulinha e o escândalo do INSS
    Lulinha e o escândalo do INSS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tentei calcular esse valor, mas o contrato ainda não foi divulgado. Sem ele, não sabemos qual é a concentração do canabidiol ou o volume de cada frasco, e fica difícil comparar os preços com os do mercado.

    Quem tiver acesso ao contrato pode estimar o superfaturamento utilizando os preços listados no site Fitocanabica.com.br e o desconto padrão do SUS para compras em grande escala. Não sabemos quanto do valor superfaturado teria ido para Lulinha , Roberta ou outros participantes do esquema.

    Flávio Bolsonaro recebeu, comprovadamente, R$ 60 milhões (e a promessa de mais R$ 60 milhões) do dono do Master. Se todas as suspeitas contra ele forem verdadeiras, esse dinheiro foi dado a Flávio como recompensa pelos bilhões em dinheiro público que o bolsonarismo deu ao banco: foram R$ 3,6 bilhões dos aposentados do Rio de Janeiro, entregues ao Master pelo governador bolsonarista Cláudio Castro ; e cerca de R$ 9 bilhões (a estimativa só cresce) do Banco de Brasília, desaparecidos quando o governador bolsonarista Ibaneis Rocha tentou salvar o Master.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As estimativas do valor total do rombo efetivamente causado pelo banco estão em torno de R$ 60 bilhões, cem vezes mais do que a maior estimativa do valor que teria sido desviado se o lobby de Lulinha tivesse dado certo.

    Uma comparação mais apropriada com o caso Lulinha seria a que Flávio Bolsonaro fez quando levou Francisco Maximiano , dono da Precisa Medicamentos, ao BNDES em 2020 para discutir, segundo Flávio, investimentos em conexão para a internet . Também era lobby, como no caso do canabidiol.

    Maximiano depois foi acusado de vender vacinas superfaturadas durante a pandemia. Se foi disso que Flávio tratou no BNDES, estou sendo injusto com Lulinha: pouca coisa é tão ruim quanto lobby por vacina superfaturada em meio a uma pandemia, durante a qual o pai de Flávio foi responsável por, pelo menos, 145 mil mortos —justamente por ter se recusado a comprar vacinas oferecidas a preços normais.

    O ministro André Mendonça precisa derrubar o sigilo dos inquéritos do Master, do canabidiol e do INSS. Só isso pode evitar que a eleição seja vencida por quem tiver mais dinheiro e amigos poderosos que lhe permitam planejar vazamentos e modular sua repercussão.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2026/08/os-filhos-picaretas-dos-presidentes.shtml.

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    Da esquerda para direita: O empresário Fabio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, no aniversario do ministro do Esporte, Orlando Silva, e Flávio Bolsonaro durante campanha em Duque de Caxias, Rio de Janeiro - Greg Salibian - 31.mai.10 — Foto: Folha de S.Paulo

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