Os fatos, mais que os ataques, vão ditar o rumo dos independentes
As campanhas têm margem ínfima de manobra para tentar tirar Lula e Flávio da situação de empate

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Três semanas neste Brasil de sobressaltos é muito tempo. Seis, então, equivalem à eternidade. É o que nos separa dos primeiro e segundo turno das eleições gerais.

Daqui até lá vão acontecer muitas coisas, dentre as quais nada indica que estará a alteração do quadro de disputa entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro ( PL ).
Na fotografia das pesquisas, Lula ainda aparece à frente; o filme, contudo, conta outra história: a distância se estreita e, em algumas delas, Flávio chega a inverter a linha da liderança .
As campanhas de ambos jogam com margem ínfima de manobra e acreditam poder tirar a diferença usando os casos em que a polícia se mistura com política e Justiça como matéria-prima para a troca de ataques.

O que vale daqui em diante não são as palavras dos candidatos. Podem ser veementes o quanto quiserem, mas o que conta são os fatos, suas respectivas gravidades e a capacidade de mexerem nos votos da parcela de eleitores ditos independentes, calculada pelos institutos em 10% na média nacional.
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É gente que não acaba mais: cerca de 15 milhões de brasileiros aptos a votar, que até agora não se sensibilizaram com outras candidaturas nem aderiram ao comando da dinâmica de afeições e aversões que exclui o critério da racionalidade na escolha do chefe da nação.

Hoje, o presidente aparece em desvantagem para capturar esse eleitorado. Com substantiva vida política, cinco vitórias presidenciais do partido, uso indiscriminado da máquina pública, pacotes de bondades sociais e aura de superstar, Lula estacionou ao lado de um oponente sem lastro. Senador inexpressivo, ungido a candidato para defender a permanência do sobrenome na ribalta da política e livrar o pai da prisão.
Em tese, uma batalha desigual. Era o que parecia e desejava o PT. Isso até a prática se mostrar divergente, colocar trajetórias tão diferentes no mesmo patamar e levar Lula a enfrentar o mais desqualificado dentre o elenco de antigos adversários.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/os-fatos-mais-que-os-ataques-vao-ditar-o-rumo-dos-independentes.shtml.

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, candidatos à Presidência - Fotos Victor Moriyama e Evaristo Sa/The New York Times e AFP · Fotos Victor Moriyama e Evaristo Sa/The New York Times e AFP — Foto: UOL
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