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    Os caminhos da cooperação na IA

    Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros, assessores, conselheiros e especialistas para uma reunião informativa sobre inteligência artificial . A iniciativa mostra que o tema deixou de ser apenas setorial para assumir dimensão estratégica e de segurança nacional. Lula é um presidente que cuida do passado, do presente e do futuro -e sabe que quem dominar a IA, os minerais críticos e outros ativos estratégicos terá papel central na configuração das relações internacionais nas próximas décadas. Leia mais (08/20/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de agosto de 2026 às 01:00
    Os caminhos da cooperação na IA
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    O presidente Lula discursa na cerimônia de abertura da feira industrial de Hannover, a mais importante da Alemanha - Zhang Haofu - 20.abr.26/Xinhua
    O presidente Lula discursa na cerimônia de abertura da feira industrial de Hannover, a mais importante da Alemanha - Zhang Haofu - 20.abr.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República; ex-ministro das Relações Exteriores (2003-2010, governo Lula) e da Defesa (2011-2015, governo Dilma)

    Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros, assessores, conselheiros e especialistas para uma reunião informativa sobre inteligência artificial . A iniciativa mostra que o tema deixou de ser apenas setorial para assumir dimensão estratégica e de segurança nacional. Lula é um presidente que cuida do passado, do presente e do futuro —e sabe que quem dominar a IA, os minerais críticos e outros ativos estratégicos terá papel central na configuração das relações internacionais nas próximas décadas.

    Em julho, o Brasil já havia assinado, em Xangai, ao lado de outros 28 países, o acordo constitutivo da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), em cerimônia que contou com a presença do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

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    Os avanços recentes da inteligência artificial impõem desafios inéditos à política internacional . Mais do que uma simples inovação tecnológica, a IA altera a distribuição de poder entre os países, redefine as cadeias produtivas, afeta o mundo do trabalho e traz consequências diretas para a segurança internacional.

    Regulação e inovação caminham lado a lado. Mais do que isso, as escolhas que orientarem o desenvolvimento e a regulamentação dessa tecnologia terão impacto decisivo na configuração da ordem mundial nas próximas décadas. Como toda tecnologia, a inteligência artificial não é neutra. Seu impacto dependerá das escolhas políticas, econômicas e éticas que orientarem seu desenvolvimento e sua utilização. O desafio que a humanidade enfrenta não é apenas criar sistemas mais sofisticados. É evitar que o progresso técnico caminhe dissociado de valores democráticos.

    Essa preocupação aparece nas reflexões recentes do papa Leão 14 sobre o tema . A questão central vai além de garantir que as máquinas continuem subordinadas ao ser humano. O avanço não pode ser chamado de "avanço" quando amplia a desigualdade, concentra riqueza, enfraquece o trabalho ou transfere decisões fundamentais para algoritmos sem responsabilidade política ou moral.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Hoje, a inovação em inteligência artificial encontra-se fortemente concentrada em dois países: Estados Unidos e China . Ao mesmo tempo, pouquíssimas empresas acumulam enorme capacidade econômica, tecnológica e política. Não se trata de negar o papel da iniciativa privada. Trata-se de reconhecer que os Estados não podem renunciar ao dever de proteger o interesse público.

    Os dados tornaram-se um ativo estratégico de altíssimo valor. Alimentam modelos de novas tecnologias, orientam decisões econômicas, militares e políticas. Na nova economia digital, é preciso reforçar o conceito de soberania. Bancos de dados relacionados à saúde, à infraestrutura, aos sistemas financeiros e à administração pública precisam ser protegidos.

    A inteligência artificial também altera profundamente a segurança internacional. O desenvolvimento de armas autônomas aproxima o mundo de um cenário distópico em que máquinas poderão desempenhar funções antes reservadas ao julgamento humano. Quando o uso da força se torna cada vez mais distante e impessoal, desaparecem não apenas o risco para quem aperta o botão, mas também parte da responsabilidade moral por suas consequências.

    O Brasil pode contribuir para uma resposta internacional a esses desafios. Nosso país participa das discussões sobre governança da inteligência artificial nas Nações Unidas, no Brics, na OCDE e em outros fóruns. Defendemos a cooperação internacional baseada em regras compatíveis com princípios éticos, transparência e respeito à soberania nacional.

    Não interessa ao Brasil aderir à lógica de uma nova divisão tecnológica do mundo. Nossa tradição diplomática recomenda autonomia e diversificação de parcerias. Essa postura amplia oportunidades, reduz vulnerabilidades e preserva nossa capacidade de decisão. Modelos baseados em código-fonte aberto favorecem uma inovação mais inclusiva e ampliam a disseminação do conhecimento.

    Com o avanço da inteligência artificial, amplia-se também o impacto da desinformação. Na "economia da atenção", o diálogo perde espaço para narrativas produzidas com o objetivo de manipular emoções e apelar a instintos irracionais. A mesma tecnologia pode, ainda assim, contribuir para um futuro de grande prosperidade para todos. Isso exige Estados capazes de regulamentar; instituições eficazes e a convicção de que o progresso só faz sentido se estiver a serviço do ser humano. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/os-caminhos-da-cooperacao-na-ia.shtml.

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