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    Os Beatles e o mundial de coquetéis de 1962

    Depois de afinar os instrumentos contra um wall of sound de gritos incompreensíveis e o choque sísmico de canecas de cerveja em um bar de Hamburgo, na Alemanha , John, Paul, George e um recém-contratado Ringo tocaram as primeiras notas de "Be-Bop-a-Lula". Os mais bêbados dividiram-se em dois grupos, como é de praxe: uns mantiveram-se quietos, compenetrados em si mesmos, outros passaram a pular freneticamente, aproximando a cabeça do teto baixo, de onde o suor condensado pingava. Leia mais (10/08/2026 - 11h52)

    Folha de S.Paulo
    8 de outubro de 2026 às 14:52
    Os Beatles e o mundial de coquetéis de 1962
    Foto: Folha de S.Paulo

    Coluna é assinada pelo jornalista e tradutor Daniel de Mesquita Benevides

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    Os Beatles: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr - AFP · AFP
    Os Beatles: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr - AFP · AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Depois de afinar os instrumentos contra um wall of sound de gritos incompreensíveis e o choque sísmico de canecas de cerveja em um bar de Hamburgo, na Alemanha , John, Paul, George e um recém-contratado Ringo tocaram as primeiras notas de "Be-Bop-a-Lula". Os mais bêbados dividiram-se em dois grupos, como é de praxe: uns mantiveram-se quietos, compenetrados em si mesmos, outros passaram a pular freneticamente, aproximando a cabeça do teto baixo, de onde o suor condensado pingava.

    Entupidos de anfetaminas para aguentar a maratona de shows, que iam até o fim da madrugada, os Beatles bebiam tudo o que lhes chegava nas mãos; não apenas cerveja, mas também alguns destilados suspeitos. Nos intervalos, pediam um mix potente de scotch, rum e Coca-Cola , que o empresário Brian Epstein chamava de "the Beatle drink".

    Tinham muito a brindar, pois haviam lançado em 5 de outubro daquele ano, 1962, o primeiro single da banda, "Love Me Do".

    Beatles em fotos
    Beatles em fotos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Num hotel no centro da cidade, perto do bairro de St. Pauli, onde ficavam as prostitutas nas vitrines de luz vermelha, os marinheiros que vinham sedentos do porto e as casas de shows em que tocavam os Fab Four, acontecia também o Campeonato Mundial de Coquetéis, promovido pela Associação Internacional de Bartenders. É tentador pensar que alguns atletas da coqueteleira tenham ido a um show dos rapazes de Liverpool. O vencedor naquele certame foi um suíço, Hans Durr, com a mistura otimisticamente chamada champion.

    É razoavelmente doce, mas não tanto como o brandy alexander, drinque favorito de John Lennon (que nasceu em 9 de outubro, há 86 anos). Quando experimentou, teria dito: "parece milk-shake!". Foi seu apaziguador de fossa no chamado lost weekend, período em que ficou separado de Yoko Ono e deixou-se perder em autoindulgências químicas e alcoólicas.

    O coquetel cremoso foi apresentado a John e Ringo pelo amigo Harry Nilsson, autor da radiofônica "Without You", numa noite no Troubadour, em Los Angeles. Corria o ano de 1974. Tomaram uns 200 e começaram a xingar a banda que estava no palco —situação que John conheceu bem nos porões de Hamburgo. Eram os esquecidos (por bons motivos) Smothers Brothers. Sempre iconoclasta, Lennon ainda colocou Deus em maus lençóis, aos brados. Foram expulsos, como o comediante Lenny Bruce havia sido quando se apresentou no mesmo Troubadour em 1962, o ano de "Love Me Do", também por obscenidade.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não houve amor em LA naquela noite. O enganoso brandy alexander, excelente para depois de um jantar farto, mas muito enjoativo como opção para se encher a cara, falou mais alto. Na ocasião, o Beatle "mais famoso que Jesus Cristo ", ainda tentou distribuir jabs e ganchos entre os seguranças que o agarraram e, na refrega, perdeu os fiéis óculos de aro redondo. Quem nunca?

    Bata os ingredientes numa coqueteleira com gelo e coe para uma taça coupe.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/daniel-de-mesquita-benevides/2026/10/os-beatles-e-o-mundial-de-coqueteis-de-1962.shtml.

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    Os Beatles: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr - AFP · AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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