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    Os 150 anos do pai da coquetelaria

    Um líquido em fogo passa de um copo para outro, fazendo um arco luminoso no ar. Na frente do balcão, clientes olham para a performance hipnotizados. O mágico malabarista é Jerry Thomas, pioneiro na consolidação da figura do bartender . Leia mais (08/26/2026 - 10h59)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 13:59
    Os 150 anos do pai da coquetelaria
    Arco-íris colorido aparece no céu cinza acima de edifícios históricos iluminados pelo sol, com um obelisco e um barco branco no rio à frente. — Foto: Folha de S.Paulo

    Coluna é assinada pelo jornalista e tradutor Daniel de Mesquita Benevides

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    O hotel Savoy, em Londres, onde Harry Craddock trabalhou - Suzanne Plunkett/Reutes · Suzanne Plunkett/Reutes
    O hotel Savoy, em Londres, onde Harry Craddock trabalhou - Suzanne Plunkett/Reutes · Suzanne Plunkett/Reutes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um líquido em fogo passa de um copo para outro, fazendo um arco luminoso no ar. Na frente do balcão, clientes olham para a performance hipnotizados. O mágico malabarista é Jerry Thomas, pioneiro na consolidação da figura do bartender .

    Estamos em 1862, quando Thomas lança o primeiro manual de mixologia conhecido, "How to Mix Drinks". Entre as receitas, está a do blue blazer, o coquetel descrito acima. Dá para dizer que o Professor, como era chamado, é o avô da coquetelaria .

    O pai é Harry Craddock . Menos por criar 240 coquetéis (supostamente), e mais por difundir as principais receitas então existentes com o livro "The Savoy Cocktail Book" —bíblia do gênero até hoje, mesmo tendo sido lançado em 1930.

    Veja fotos da Lei Seca nos EUA, nos anos 1920
    Veja fotos da Lei Seca nos EUA, nos anos 1920 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Craddock nasceu na Inglaterra, em 29 de agosto de 1876, ou seja, há 150 anos. Boa ocasião para celebrar com o corpse reviver n.º 2, uma de suas receitas mais conhecidas, cujo nome pode ser traduzido como "levanta defunto", popular remédio para ressaca. (O nome lembra filmes de zumbis, mas o coquetel está mais para a sofisticação da nouvelle vague).

    Diz a lenda, espalhada pelo próprio, que ele preparou o último coquetel legal dos EUA —no que pousou a taça no balcão, começou a vigorar a Lei Seca , em 1920. Desempregado, colocou seus apetrechos de bar numa mala e partiu para Liverpool —não quis pagar para ver a ascensão dos speakeasies.

    Logo entrou para o time do hotel Savoy de Londres como sub de Ada Coleman, uma das maiores bartenders da história, criadora do delicioso hanky panky . Quando ela pendurou a coqueteleira, assumiu o posto de barman-chefe do American Bar do hotel.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mestre das misturas, tinha na sua clientela estrelas como Charlie Chaplin , Errol Flynn, Ava Gardner —e, ao que parece, a própria rainha. Em pouco tempo, anotou cerca de 2.000 receitas; a pedido do Savoy, editou 750 delas no famoso livro. O manual tinha ilustrações art déco, o que conferia certa aura de luxo e modernidade à coquetelaria, que passava a fazer parte do universo de arranha-céus, alta-costura e móveis estilosos.

    Com seu paletó branco, magro como uma colher bailarina, Craddock parecia um Fred Astaire do balcão. Costumava divulgar seu trabalho nos jornais, algo relativamente inédito, que preconizou a vida instagramável dos novos mixólogos.

    Num gesto teatral, enterrou coqueteleiras com drinques em paredes de bares. O white lady, por exemplo, que teria sido feito para Zelda Fitzgerald, está entre tijolos no American Bar do Savoy.

    Craddock foi enterrado como indigente em 1963, esquecido pelo mundo que ajudou a criar. Foi resgatado 50 anos depois, como parte do renascimento da coquetelaria. Seu livro, porém, nunca saiu de circulação, vivo e indispensável como um martíni gelado.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/daniel-de-mesquita-benevides/2026/08/os-150-anos-do-pai-da-coquetelaria.shtml.

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    O hotel Savoy, em Londres, onde Harry Craddock trabalhou - Suzanne Plunkett/Reutes · Suzanne Plunkett/Reutes — Foto: Folha de S.Paulo

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