Organizações esportivas repudiam ataques racistas contra jogador de vôlei brasileiro na Argentina
Confederação Brasileira de Voleibol condena discriminação e presta solidariedade a Evandro Gonçalves

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Organizações esportivas repudiaram ataques racistas que o atleta de vôlei de praia brasileiro Evandro Gonçalves sofreu durante os Jogos Sul-Americanos, na Argentina . Ele conquistou a medalha de ouro, ao lado de Arthur, na quinta-feira (17).

A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) afirmou ter tomado conhecimento das ofensas. "A CBV repudia veementemente qualquer manifestação de racismo , preconceito e discriminação e manifesta sua solidariedade a Evandro e à sua família. Nenhum atleta ou qualquer pessoa deve ser obrigado a conviver ou a se acostumar com o racismo", afirmou.
A entidade disse estar em contato com o COB (Comitê Olímpico do Brasil), que também se manifestou. "O esporte é um espaço de respeito, inclusão, convivência e valorização da diversidade. Não há lugar para manifestações racistas, discriminatórias ou de qualquer natureza que atentem contra a dignidade de atletas", disse a entidade, que mencionou uma denúncia ao Ministério Público local.
As notas foram publicadas um dia após a esposa de Evandro, Ana Gomes, ter divulgado um vídeo relatando as agressões. "Ele sofreu racismo nas redes sociais. Xingamentos, emojis de macaco com banana", diz. Segundo ela, as ofensas ocorreram antes da semifinal, na quarta (16), jogada contra uma dupla argentina em Rosário.

Ana disse que, após ter recebido as capturas de tela com as agressões, ligou para o atleta. "Eu tenho um filho com esse homem que vai sofrer [racismo]. E isso me dói muito, porque ninguém é definido pela cor da pele", disse, emocionada. "Foi um dia muito difícil."
O debate sobre racismo na Argentina ampliou o debate e a repercussão internacional após a última Copa do Mundo . A seleção alviceleste saiu vice-campeã para a alegria daqueles que queriam a sua derrota. Na época, uma das justificativas para a torcida contra era a revolta pelas manifestações de discriminação entre torcedores e atletas.
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Um dos episódios ocorreu em 2024, quando o volante Enzo Fernández filmou a comemoração da seleção argentina na Copa América dentro de um ônibus. "Eles jogam na França , mas são todos de Angola ", cantavam os atletas —uma canção que se popularizou entre torcedores argentinos na Copa do Qatar , em 2022, e que continua sendo utilizada como ofensa ao craque francês Kylian Mbappé .
No Brasil, o tópico é ainda mais sensível devido aos últimos casos de racismo praticados por turistas do país vizinho.
No começo do ano, a argentina Agostina Páez foi presa sob suspeita de injúria racial após ter imitado um macaco durante uma discussão contra funcionários negros de um bar em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Ela está respondendo judicialmente, mas pagou parte da indenização e voltou à Argentina.

No mesmo mês em que ela retornou para casa, outro argentino foi preso em flagrante sob suspeita de ter cometido injúria racial contra uma jovem de 23 anos durante uma discussão em um mercado em Copacabana, também na zona sul carioca.
No final de agosto, a Fifa (Federação Internacional de Futebol ) multou a AFA (Associação do Futebol Argentino) em US$ 321 mil (R$ 1,7 milhão) por diversas razões —dentre elas, violações do artigo 15 do Código Disciplinar da entidade mundial, que trata justamente de racismo e discriminação.
A Fifa identificou cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminatórios proferidos por torcedores argentinos em cinco partidas da Copa: contra Cabo Verde , Egito , Suíça , Inglaterra e Espanha .
Em uma entrevista, o assessor jurídico da AFA, Andrés Paton Urich, afirmou que considera as sanções exageradas, mas que, ao mesmo tempo, "é um ótimo momento para conscientizar e incentivar as pessoas a ir ao estádio e aproveitar o futebol". "Existem certos cânticos que terminarão em sanções", disse.
De acordo com a Fifa, US$ 100 mil (R$ 516 mil) das multas deverão ser investidos pela entidade argentina em um plano de combate à discriminação.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/09/organizacoes-esportivas-repudiam-ataques-racistas-contra-jogador-de-volei-brasileiro-na-argentina.shtml.

Evandro Gonçalves após marcar um ponto em partida dos Jogos Olímpicos de Paris - Kirill Kudryavtsev - 31.jul.2024/AFP · Kirill Kudryavtsev - 31.jul.2024/AFP — Foto: UOL
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