Oposição vê retaliação de Moraes contra Mendonça após escalada da crise no STF
Ministro Alexandre de Moraes relator da Ação Penal 2668 – Núcleo 1 Foto: Rosinei Coutinho/STF " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-10.27.47.jpeg?fit=800%2C460&quality=70&strip=all" />Parlamentares defendem prisão de Moraes e acusam ministro de usar inquérito das Fake News para reagir contra colega que levou relatório da PF ao STF The post Oposição vê retaliação de Moraes contra Mendonça após escalada da crise no STF appeared first on InfoMoney .

Ministro Alexandre de Moraes relator da Ação Penal 2668 – Núcleo 1 Foto: Rosinei Coutinho/STF
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa , abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de André Mendonça, seu colega de Corte, gerou críticas da oposição. Em manifestações sobre o tema, políticos trataram a iniciativa como tentativa de retaliação de Moraes a Mendonça após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Moraes transformou a investigação em um instrumento de “poder pessoal”. Para o senador, a decisão contra Mendonça representa uma inversão de valores, porque o ministro que aparece nas mensagens reveladas pelo caso Master deveria prestar esclarecimentos, e não usar poderes investigativos contra quem conduz a apuração.

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“É uma inversão intolerável de valores: quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria”, afirmou Marinho.
O senador também criticou a continuidade do inquérito das Fake News, aberto em 2019, e afirmou que nenhum ministro do Supremo deveria estar acima do escrutínio. Ao final da nota, convocou manifestações no 7 de Setembro contra o que chamou de “práticas de exceção”.

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), também reagiu nas redes em tom de ataque direto ao ministro. Zema afirmou que “ditadores não recuam” e acusou Moraes de eliminar rapidamente qualquer pessoa que ameace seu poder.
“No Brasil de hoje é impossível acabar com a ditadura de Alexandre de Moraes. Qualquer um que ameace seu poder é rapidamente aniquilado. O que mais precisa para esse sujeito ser preso?”, escreveu.
Já o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que vem aumentando o tom de suas críticas nos últimos dias, adotou uma estratégia diferente e afirmou que acionará o presidente do STF, Edson Fachin, para apurar a conduta de Moraes. Segundo ele, a proximidade temporal entre as revelações do caso Master e a decisão contra Mendonça levanta a suspeita de que o ministro tenha usado as prerrogativas do cargo para reagir contra o colega.

“Moraes está usando as prerrogativas do cargo para reagir contra André Mendonça? Estou pedindo a preservação de documentos, logs, registros de acesso e comunicações para esclarecer essa possível retaliação. Se houve uso do cargo para constranger ou retaliar um ministro pelo exercício de suas funções, é gravíssimo”, afirmou Viana.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também atacou a decisão e afirmou que Moraes teria comprometido o que “restava” de credibilidade do Supremo. Ela criticou o uso do inquérito das Fake News e classificou a decisão como arbitrária e autoritária.
“Alexandre de Moraes acaba de jogar no lixo o pouco de credibilidade que restava ao Supremo Tribunal Federal. Usou o famigerado e interminável Inquérito das Fake News para mais uma decisão arbitrária. Deixou claro seu descontrole e autoritarismo”, afirmou Damares.

A senadora também chamou Moraes de “Nero brasileiro dos tempos modernos” e defendeu que a população vá às ruas para pressionar pela saída do ministro do Supremo.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que foi relator da CPI do Crime Organizado, também questionou a decisão. Ele chamou atenção para o fato de Moraes ter usado o Inquérito das Fake News para acusar um colega que havia levado ao STF uma investigação que alcança o próprio ministro.
“Poderia ser uma confissão, mas é o ministro Moraes usando o interminável inquérito das fake news para acusar um colega que pediu investigação do próprio ministro Moraes no caso Master”, escreveu o senador.

Ele disse ainda que pretende usar, no Senado, “todos os instrumentos possíveis” para tirar a Casa do que chamou de “sono profundo” e afirmou que o escândalo não pode ser colocado “debaixo do tapete”. Também pediu ao presidente do STF uma atuação “firme e equilibrada”.
Interpretação similar apareceu na reação do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que resumiu a decisão como uma inversão entre investigador e investigado.
“Para forjar uma acusação de que André Mendonça investigou ilegalmente Alexandre de Moraes, Alexandre de Moraes investigou ilegalmente André Mendonça”, afirmou o deputado, que atualmente é candidato a uma cadeira no Senado sob a bandeira de defesa de impeachment de ministros do Supremo.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que Mendonça desse voz de prisão a Moraes durante uma sessão do Supremo.
“Mendonça tem que dar voz de prisão ao Moraes em plenário”, escreveu.
Em meio à escalada da crise no Supremo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um vídeo em que falou pela primeira vez sobre o caso Master, mas evitou citar Moraes nominalmente. A gravação foi publicada pouco depois da decisão do ministro contra Mendonça.
Lula afirmou que há suspeitas de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso e defendeu que todos sejam investigados, sem blindagem. Também cobrou do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma atuação capaz de garantir a integridade das investigações.
— Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente do Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações — afirmou Lula.
O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e disse que o sistema político e o Judiciário precisam de “reformas profundas”. A gravação foi interpretada no entorno do presidente como uma forma de evitar que a crise envolvendo Moraes respingasse em sua campanha à reeleição.
A página oficial do PT republicou o vídeo com a mensagem: “O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também compartilhou a gravação em seu perfil no Instagram.
No campo governista, parlamentares aproveitaram a fala para reforçar a narrativa de que o caso Master deve ser investigado de forma ampla e também puxaram o foco para as relações de Vorcaro com o grupo político de Bolsonaro.
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Foto: InfoMoney
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