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    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula

    Movimento mira pautas que Planalto quer transformar em vitórias antes da eleição, como 6x1, Segurança e fim da taxa das blusinhas

    Metrópoles
    28 de agosto de 2026 às 07:30
    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula
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    A oposição tenta aumentar a pressão sobre os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para frear o avanço de propostas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende explorar na campanha pela reeleição .

    No centro da disputa estão o fim da escala 6×1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a medida provisória que permite zerar a chamada taxa das blusinhas, três pautas que o Planalto quer fazer avançar antes do primeiro turno.

    O principal movimento público até agora parte de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL ). Marinho se reuniu com Alcolumbre na semana passada para pedir que a PEC da 6×1 não seja votada durante a campanha e articula um novo encontro.

    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
    VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A estratégia inclui apresentação de emendas, pedidos de vista e manutenção dos prazos regimentais para tentar empurrar a decisão para depois das eleições.

    O calendário ganhou importância também pela situação eleitoral. Pesquisas nacionais recentes mantêm Lula à frente de Flávio no primeiro turno, embora a disputa tenha se estreitado.

    O Datafolha divulgado em 21 de agosto mostrou o petista seis pontos à frente do senado r, enquanto a Quaest de 14 de agosto apontou Lula com 38% e Flávio com 31%, em 1º turno. Nos cenários de segundo turno, a distância é menor e há levantamentos que indicam empate técnico.

    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula
    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Lula, Alcolumbre e Motta selam reaproximação em meio à negociação de pautas prioritárias do governo

    Lula conversa com Alcolumbre e Motta após almoço para acelerar votações de interesse do Planalto

    Alcolumbre, Lula e Motta alinham agenda do Congresso em meio à pressão da oposição para frear propostas do governo

    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula - destaque galeria
    Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A pressão ocorre justamente depois de Lula reconstruir a relação com Alcolumbre. Os dois passaram meses em tensão depois que o Senado rejeitou, em abril, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    O presidente do Senado defendia Rodrigo Pacheco para a vaga, e o episódio abriu uma crise que se refletiu diretamente na pauta. As ropostas de interesse do Planalto ficaram paradas na Casa.

    A trégua começou a ser construída em agosto e culminou em um almoço na quarta-feira (26/8), no Palácio da Alvorada, entre Lula, Alcolumbre e Motta. O presidente cobrou o avanço de prioridades do governo e, depois do encontro, Alcolumbre afirmou que as PECs da 6×1 e da Segurança devem ser analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana.

    Lula conversa com Alcolumbre e Motta após almoço para acelerar votações de interesse do Planalto
    Lula conversa com Alcolumbre e Motta após almoço para acelerar votações de interesse do Planalto — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A MP das blusinhas também entrou no acordo porque perde a validade em 8 de setembro.

    A PEC da 6×1 é hoje o principal foco da ofensiva. A Câmara aprovou o texto em dois turnos em 27 de maio, por 472 votos a 22 no primeiro e 461 a 19 no segundo. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso, sem redução salarial.

    Depois de chegar ao Senado, porém, ficou 85 dias parada à espera de despacho de Alcolumbre.

    Alcolumbre, Lula e Motta alinham agenda do Congresso em meio à pressão da oposição para frear propostas do governo
    Alcolumbre, Lula e Motta alinham agenda do Congresso em meio à pressão da oposição para frear propostas do governo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Agora, o texto está mais perto de uma votação. O relator na Casa, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou nesta quinta-feira (27/8) parecer favorável na CCJ e manteve integralmente a versão aprovada pela Câmara , estratégia que evita uma nova passagem pelos deputados caso a proposta seja aprovada pelo Senado.

    A oposição apresentou emendas e pretende usar instrumentos regimentais para retardar a análise. Mesmo que passe pela CCJ, a PEC ainda precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário do Senado.

    A PEC da Segurança percorreu caminho parecido. Enviada pelo governo ao Congresso em 2025, foi aprovada pela Câmara em 4 de março deste ano, com 461 votos favoráveis e 14 contrários no segundo turno, e chegou ao Senado em 10 de março.

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    Ficou praticamente parada até 21 de agosto, quando Alcolumbre finalmente a enviou à CCJ. O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), anunciou que pretende manter o texto da Câmara sem alterações para acelerar a tramitação . A proposta amplia a integração entre forças de segurança, constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e reforça fundos destinados à área.

    No caso das blusinhas, o prazo é ainda mais apertado. Em 2024, o Congresso instituiu uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida sancionada por Lula.

    Em maio deste ano, o presidente editou uma MP para permitir que a Fazenda reduzisse novamente a cobrança a zero.

    O texto precisa ser aprovado pela comissão mista e pelos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro. Se perder a validade, a autorização criada pelo governo deixa de valer.

    A resistência nesse caso é menos homogênea na oposição, já que parlamentares também avaliam o custo eleitoral de defender a retomada da cobrança.

    A disputa, portanto, é também pelo relógio do Congresso. Lula tenta chegar à reta final da campanha com avanços em pautas de forte apelo social e na segurança pública, enquanto aliados de Flávio buscam evitar que essas votações se transformem em vitórias políticas do presidente às vésperas das urnas.

    Alcolumbre e Motta estão no centro desse embate porque controlam o ritmo das duas Casas, e porque ambos reconstruíram, nos últimos meses, uma relação mais próxima com o Planalto.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/oposicao-busca-alcolumbre-e-motta-para-tentar-frear-propostas-de-lula.

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