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    Operadores condenados pela Lava Jato criaram ‘banco do crime’ para lavar dinheiro do PCC, diz MP

    O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira clandestina que funcionava como um “banco do crime” para integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a denúncia, o esquema reuniu operadores financeiros com histórico em outros grandes casos de lavagem de dinheiro e integrantes ligados ao tráfico de drogas. Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, e a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, personagens que aparecem em investigações anteriores, incluindo a Operação Lava

    G1
    15 de setembro de 2026 às 17:16
    Operadores condenados pela Lava Jato criaram ‘banco do crime’ para lavar dinheiro do PCC, diz MP
    Foto: G1

    O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira clandestina que funcionava como um “banco do crime” para integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Segundo a denúncia, o esquema reuniu operadores financeiros com histórico em outros grandes casos de lavagem de dinheiro e integrantes ligados ao tráfico de drogas. Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, e a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, personagens que aparecem em investigações anteriores, incluindo a Operação Lava Jato.

    O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, o “Paulo Barão”, estavam no centro da estrutura financeira. Segundo a denúncia, os três são operadores implicados em diferentes investigações e ações penais e movimentaram “quantias bilionárias” ao longo de suas atividades.

    Policiais Militares de alta patente de SP são citados em operação contra operadores do PCC
    Policiais Militares de alta patente de SP são citados em operação contra operadores do PCC — Foto: G1 · Fonte: G1

    Para o MP, a estrutura funcionava como uma central de serviços financeiros ilícitos, um “verdadeiro Banco do Crime”, colocada à disposição de integrantes do PCC para esconder a origem e a propriedade de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de outros crimes.

    Os integrantes do esquema são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos, a depender da atuação individual de cada denunciado. O MP também pede que os acusados paguem solidariamente indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e sociais.

    Cléber Azevedo dos Santos Paulo Rogério Silva (vulgo “Paulo Barão”) Leonardo Meirelles (foragido) Meire Bomfim da Silva Poza Robson Martins de Souza Antônio Carlos Ubaldo Júnior Bruno Ramos Fernandes Odair Alves da Silveira Filho Alexandre Viriato da Silva (vulgo “Gordão”) André de Souza Haddad (vulgo “Minhoca”) Antônio Carlos Sampaio (vulgos “Kaká” ou “Compadre”, foragido) Danillo Vinícius da Silva Rosário (vulgo “Brigadeiro”) Leonardo Monteiro Moja (vulgo “Léo do Moinho”) Alexandre Salles Brito (vulgo “Buiú”) Raphael Flores Rodriguez (vulgo “Batata”, foragido) Amjad Ahmad (vulgo “Amin”, foragido) Jacqueline Cavalcante Brito Marcelo de Morais Oliveira Marlon Antonio Fontana

    Dinheiro vivo virava transferência bancária

    De acordo com a denúncia, a estrutura funcionou ao menos entre 2019 e 2025 e utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro.

    Um dos principais serviços era a chamada “troca de TED por vivo”. Segundo o MP, o grupo recebia dinheiro em espécie que sabia ter origem ilícita e, mediante o pagamento de uma comissão, realizava uma transferência bancária de valor correspondente por meio de contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada.

    O caminho também funcionava no sentido inverso: recursos recebidos pelo sistema bancário podiam ser convertidos em dinheiro vivo. Para o MP, essas operações permitiam que valores provenientes principalmente do tráfico e da própria organização criminosa fossem reinseridos na economia formal com aparência lícita.

    Mensagens obtidas nos celulares apreendidos nas operações Recidere e Bazaar indicam, segundo a denúncia, que os envolvidos sabiam da origem ilícita dos valores. O conhecimento sobre a procedência do dinheiro seria levado em consideração inclusive para determinar o “deságio”, ou margem cobrada pela operação.

    Segundo o Gaeco, o caso representa uma espécie de “convergência criminal”: operadores especializados em esconder patrimônio ilícito teriam passado a prestar a mesma estrutura financeira para integrantes do PCC.

    A denúncia afirma que Meire Bonfim da Silva Poza, contadora com atuação em esquemas revelados pela Lava Jato, exercia papel essencial na engrenagem. De acordo com o MP, ela elaborava declarações fiscais, analisava documentos tributários e prestava assessoria contábil para dar aparência de legalidade às operações. Também teria participado diretamente das trocas de transferências bancárias por dinheiro vivo.

    Segundo a investigação, Meire recebia de Cléber Azevedo uma remuneração mensal de R$ 70 mil pela exclusividade de seus serviços. O valor, segundo o MP, foi reconhecido pela própria contadora em uma mensagem de fevereiro de 2023.

    Outro denunciado, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, já foi condenado no âmbito da Lava Jato. Segundo o Gaeco, sua participação no novo esquema ia além da condição de cliente: ele teria comprado imóveis em sociedade com outros operadores, negociado veículos, compartilhado caixas com recursos de atividades criminosas e participado de situações envolvendo corrupção policial.

    Estrutura teria servido diretamente a integrantes do PCC

    Entre os apontados pelo MP como usuários da estrutura está Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”. Também aparece Alexandre Salles Brito, o “Buiu”, já denunciado anteriormente na Operação Fim da Linha por suspeitas de organização criminosa e lavagem relacionadas ao PCC e à empresa de ônibus UpBus.

    O MP afirma que ao menos dez operações, somando R$ 232 mil, foram feitas em benefício de Buiu por meio dessa estrutura financeira.

    Para os promotores, a relação entre os operadores financeiros e o PCC não se resumia à prestação eventual de serviços. A denúncia afirma que os acusados conheciam termos internos da facção, participavam de sessões do chamado “tribunal do crime” e chegavam a recorrer ao poder de coerção da organização para solucionar disputas patrimoniais próprias.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/15/operadores-ligados-a-lava-jato-criaram-banco-do-crime-para-lavar-dinheiro-do-pcc-diz-mp.ghtml.

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    Policiais Militares de alta patente de SP são citados em operação contra operadores do PCC — Foto: G1

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