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    Operação mira esquema que transforma celulares roubados em produtos para revenda

    Ação cumpre sete prisões e quase 90 buscas na capital paulista

    UOL
    10 de setembro de 2026 às 11:00
    Operação mira esquema que transforma celulares roubados em produtos para revenda
    Dez celulares de diferentes modelos e tamanhos estão alinhados em quatro fileiras sobre uma superfície branca, todos com as telas viradas para cima e desligadas. — Foto: UOL

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    Ministério Público e as polícias Civil e Militar de São Paulo deflagraram na manhã desta quinta-feira (10) uma operação contra um esquema nacional de furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de celulares. A ação cumpre sete mandados de prisão e quase 90 de busca e apreensão.

    Como agem as quadrilhas especializadas no furto de celulares em shows e festivais; investigação aponta atuação de ladrões, receptadores, técnicos e comerciantes - Polícia Civil/Divulgação · Polícia Civil/Divulgação
    Como agem as quadrilhas especializadas no furto de celulares em shows e festivais; investigação aponta atuação de ladrões, receptadores, técnicos e comerciantes - Polícia Civil/Divulgação · Polícia Civil/Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A investigação aponta uma cadeia criminosa que começa com a subtração dos aparelhos e termina com a revenda. Os celulares são furtados ou roubados nas ruas e encaminhados para pontos de comércio irregular.

    Os suspeitos praticam roubos à mão armada, furtam aparelhos das mãos de pedestres e quebram vidros de veículos parados no trânsito para retirar celulares.

    A investigação identificou diferentes destinos para os aparelhos . Na região da 25 de março, principalmente no Shopping Mundo Oriental e na Galeria Pagé, predominam celulares relacionados a roubos com grave ameaça e furtos mediante quebra de vidros de veículos.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já na região da Rua Guaianases, no centro de São Paulo, os aparelhos aparecem principalmente relacionados a furtos durante eventos, festivais, shows e aglomerações. Entre os eventos citados estão Lollapalooza, Parada do Orgulho LGBT+, Virada Cultural , The Town , Tomorrowland e Só Track Boa.

    Nesses locais, os suspeitos dividem funções. Os chamados "batedores" identificam vítimas e praticam os furtos em meio à multidão. Os "recolhedores" recebem os aparelhos logo depois para acelerar a retirada dos celulares do local e dificultar a identificação dos autores.

    Os telefones chegam então a receptadores especializados. Parte deles tenta acessar contas bancárias e outros serviços financeiros das vítimas por meio dos dados armazenados nos aparelhos.

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    A investigação chama esses operadores de "icloudeiros". Eles tentam desbloquear os celulares, redefinir senhas e contornar mecanismos de proteção para acessar contas vinculadas aos dispositivos e sistemas de armazenamento em nuvem.

    Quando conseguem as senhas, especialmente após roubos, os suspeitos tentam fazer transferências por PIX, contratar empréstimos e utilizar outros serviços financeiros.

    Depois, os aparelhos podem passar por oficinas clandestinas instaladas em áreas de comércio popular de eletrônicos, como o Shopping Mundo Oriental e a região da Rua Santa Ifigênia.

    Operadores utilizam softwares e substituem componentes, como placas-mãe, carcaças e telas, para alterar identificadores como o IMEI e dificultar o rastreamento.

    Segundo informações do MPE, os celulares adulterados voltam ao mercado inteiro ou desmontados para venda de peças. A investigação também aponta a participação de empresas aparentemente regulares, responsáveis pela emissão de notas fiscais e documentos simulados para conferir aparência legal aos produtos.

    A Operação Frank Mobile reúne informações de diferentes investigações realizadas nos últimos anos sobre o mercado de celulares roubados e furtados em São Paulo.

    A análise de aparelhos e equipamentos apreendidos, relatórios de inteligência, rastreamentos, dados fiscais e movimentações financeiras ajudou os investigadores a estabelecer conexões entre ladrões, receptadores, técnicos e comerciantes.

    Um dos principais antecedentes é a Operação Salus et Dignitas, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil na região da Cracolândia. Dados extraídos de celulares e equipamentos apreendidos naquela investigação revelaram conversas e movimentações relacionadas ao reaproveitamento e à comercialização de aparelhos de origem criminosa.

    Outras apurações também apontaram a concentração de celulares roubados e furtados em endereços da região central, principalmente em Santa Ifigênia e Campos Elísios.

    A Rua Guaianases se tornou um dos principais focos da investigação. Pesquisas nos sistemas policiais localizaram mais de 500 ocorrências envolvendo celulares na região em pouco mais de dois anos.

    Rastreamentos feitos pelas próprias vítimas também apontaram repetidamente para a Guaianases e vias próximas, como as ruas Aurora e Timbiras. Os dados foram obtidos por ferramentas de geolocalização dos fabricantes e aplicativos de rastreamento.

    Para os investigadores, a repetição dos sinais de aparelhos pertencentes a vítimas sem relação entre si indica a concentração dos celulares na região.

    A Justiça considerou os elementos reunidos nas diferentes apurações e autorizou as prisões temporárias e as buscas em imóveis, lojas, empresas e edifícios relacionados à investigação.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/operacao-mira-esquema-que-transforma-celulares-roubados-em-produtos-para-revenda.shtml.

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