Operação do Ministério Público mira Milton Leite, ex-presidente da Câmara de São Paulo
Filiado ao União, ele é considerado uma da figuras mais influentes da política paulistana

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Uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo realizada nesta quinta-feira (17) mira Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista e vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024. Atualmente, o político filiado ao União Brasil não tem mandato.

A Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
O objetivo é o combate a núcleos do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a investigação, há a suspeita de que os investigados fazem parte da organização criminosa, exercendo funções de liderança.
A investigação é um desdobramento de outra operação, chamada Decúrio, realizada em agosto de 2024, quando foi identificada uma rede de informações mantida pelo PCC para manter a comunicação entre seus integrantes, inclusive os que estão presos.

Na ocasião foram identificadas supostas lideranças do PCC vinculadas às chamadas "Sintonia Restrita" e "Sintonia dos Gravatas", assim como um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais de 2024, com o lançamento de candidatos aos cargos em disputa.
Leite é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade.
Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 —quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.

O nome do político havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Transwolff nega a acusação.
Na ocasião, em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff .
O inquérito também apontava supostas relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa de ônibus municipal, que teve o contrato cancelado após a Operação Fim da Linha , do Ministério Público, como mostrou a Folha .

Em fevereiro, Leite afirmou que não conhecia o sargento e que ele nunca trabalhou em sua escolta.
Segundo depoimentos de policiais, a escolta pessoal de dirigentes da Transwolff era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira , que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014.
Em interrogatório no dia 4 de fevereiro, um dos policiais presos em operação da Corregedoria —o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario— disse que acreditava que o capitão Alexandre havia sido indicado para coordenar a segurança de dirigentes da Transwolff por Milton Leite.
Relatório da Corregedoria também cita "estreitas ligações" do vereador com o capitão Alexandre, pelo período em que ele trabalhou no Legislativo municipal. Questionado na data, Leite afirmou que nunca indicou PMs para prestação do serviço na empresa e disse que o manteve no cargo após ele ter permanecido ali por outras duas gestões da Câmara Municipal.
Em nota em fevereiro, a Câmara Municipal afirmou que o capitão Alexandre "atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes" e que "não há nenhum registro que o desabone".
Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.
Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Milton Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.
Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.
O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.
Na ocasião, o político citou a origem humilde como vendedor de pão no bairro do M'Boi Mirim. Quando chegou à Câmara Municipal, seguiu como vereador por mandatos seguidos, tendo sido presidente por seis anos.
"A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra. Procure não dar a palavra, mas se der, honre e faça valer a sua palavra", disse na oportunidade, conforme o registro da Alesp.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/operacao-do-ministerio-publico-mira-milton-leite-ex-presidente-da-camara-de-sao-paulo.shtml.

Milton Leite em seu gabinete na Câmara Municipal - Allison Sales - 27.nov.24/Folhapress · Allison Sales - 27.nov.24/Folhapress — Foto: UOL
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