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    Operação contra roubo de celular em SP teve cães que farejam aparelhos, campanas e perícias digitais

    Cães que farejam celulares , agentes de inteligência misturados a frequentadores de shopping, câmeras capazes de reconstruir a circulação de veículos, perícia em rastros digitais deixados por programas de desbloqueio de aparelhos. A operação Frankmobile , a maior já realizada para desarticular a cadeia de roubo de celulares em São Paulo , realizada nesta quinta-feira (10) , combinou tudo isso -técnicas tradicionais, como a campana, ferramentas tecnológicas e cruzamento de dados fiscais e financeiros. Leia mais (09/10/2026 - 19h13)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 22:13
    Operação contra roubo de celular em SP teve cães que farejam aparelhos, campanas e perícias digitais
    Cão policial da raça pastor-belga malinois usa óculos de proteção e coleira preta, com a língua para fora. Ao lado, policial vestido de preto segura a guia do animal. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Cães que farejam celulares , agentes de inteligência misturados a frequentadores de shopping, câmeras capazes de reconstruir a circulação de veículos, perícia em rastros digitais deixados por programas de desbloqueio de aparelhos. A operação Frankmobile , a maior já realizada para desarticular a cadeia de roubo de celulares em São Paulo , realizada nesta quinta-feira (10) , combinou tudo isso —técnicas tradicionais, como a campana, ferramentas tecnológicas e cruzamento de dados fiscais e financeiros.

    Operação Frankmobile, voltada ao combater da cadeia de roubos e furtos de celulares, contou com cães capazes de farejar eletroeletrônicos - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Operação Frankmobile, voltada ao combater da cadeia de roubos e furtos de celulares, contou com cães capazes de farejar eletroeletrônicos - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Essa estratégia diversificada foi montada para enfrentar uma característica própria da estrutura criminosa criada para esse tipo de aparelho: a pulverização. Depois de arrancados das mãos de seus donos nas ruas, os celulares eram espalhados por boxes, depósitos, hotéis, cortiços e apartamentos em diferentes pontos na região central da capital paulista, inteiros ou em partes.

    "As investigações foram montando um quebra-cabeça até chegar à operação", afirma o promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público .

    Os cães farejadores, por exemplo, foram decisivos na etapa final, quando a Frankmobile foi deflagrada. Atuaram para orientar as equipes durante as buscas em imóveis multifamiliares na região da rua Guaianases.

    Agente inspeciona imóvel na rua Guaianases durante cumprimento de mandado da operação Frankmobile - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Agente inspeciona imóvel na rua Guaianases durante cumprimento de mandado da operação Frankmobile - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em vez de pedir um mandado coletivo de busca e apreensão para vasculhar indiscriminadamente um prédio inteiro, os cães foram destacados para indicar os cômodos que concentravam aparelhos.

    "A rua Guaianases já foi chamada de ‘ninho do celular’ por conta das dificuldades que enfrentamos. A gente sabe o identificador, sabe qual é o prédio, mas não sabe qual é o apartamento. Cães farejadores permitiram uma individualização no local para que a gente pudesse entrar nos apartamentos", explica Bugiga.

    No momento, nove cães, das raças pastor malinois e alemão, atuam na localização de dispositivos eletrônicos. Um farejador não pode ter medo de ambientes escuros, escorregadios, e precisa ser sociável, porque circula em locais com muitas pessoas.

    Policiais cumprem mandado em loja na rua Santa Ifigênia nesta quinta-feira (10) - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Policiais cumprem mandado em loja na rua Santa Ifigênia nesta quinta-feira (10) - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esses cães integram o efetivo da Polícia Penal paulista e são treinados por profissionais da Secretaria da Administração Penitenciária para identificar os odores dos componentes. O primeiro deles foi a campo em 2010 e localizou 13 aparelhos no anexo de progressão da Penitenciária de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

    Para chegar a essa fase final, os investigadores tiveram que traçar o caminho percorrido pelos aparelhos desde o roubo ou furto até sua reinserção no mercado. O trabalho para fazer esse rastreamento durou dois anos e passou por três ambientes diferentes —a rua, os computadores e as bases de dados públicas e financeiras.

    A rotina descrita nos documentos da operação lembra filmes policiais. Para entender o que acontecia dentro dos estabelecimentos, agentes de inteligência trabalharam descaracterizados e permaneceram por longos períodos nos locais.

    Policial vestido com uniforme preto e boné salta para fora de janela de prédio com fachada branca e janelas de vidro fosco.
    Policial vestido com uniforme preto e boné salta para fora de janela de prédio com fachada branca e janelas de vidro fosco. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A observação discreta, associada a medidas autorizadas judicialmente, permitiu mapear a rotina dos pequenos espaços usados para desbloquear aparelhos.

    Não bastava circular. Era preciso driblar a contravigilância montada pelos suspeitos. Nas diligências, agentes identificaram a presença de olheiros nas calçadas da Guaianases e nos corredores do Shopping Mundo Oriental.

    Segundo a apuração, esses vigias observavam a circulação de pessoas e procuravam identificar policiais ou movimentos considerados suspeitos.

    Dois policiais com coletes táticos escritos BAEP observam uma loja de conserto de celulares com diversas capas coloridas penduradas na parede. Três homens estão dentro da loja, um deles atrás do balcão iluminado.
    Dois policiais com coletes táticos escritos BAEP observam uma loja de conserto de celulares com diversas capas coloridas penduradas na parede. Três homens estão dentro da loja, um deles atrás do balcão iluminado. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nessas campanas, cenas aparentemente banais ganharam importância quando combinadas com outros dados. Na rua Hípias, agentes acompanharam um depósito que permanecia fechado enquanto caixas com peças de celulares eram descarregadas e entregues no chão da calçada, sem que terceiros tivessem acesso visual ao interior.

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    Na rua dos Gusmões, chamou a atenção dos investigadores o movimento de carregadores de mercadorias em um imóvel residencial. A consulta aos registros empresariais trouxe outro dado: um único andar, com 134 metros quadrados, concentrava formalmente 24 empresas ligadas ao comércio de eletrônicos.

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    As etapas prévias da investigação levaram à Operação Salus et Dignitas em 2024 . As buscas pontuais em alvos específicos permitiu a apreensão de notebooks, computadores e celulares que cimentaram o caminho para a Frankmobile ao avançar a investigação pelo mundo digital.

    Computadores apreendidos continham programas usados para realizar diferentes intervenções em celulares. Com uma ferramenta forense chamada IPED, os peritos recuperaram arquivos de log produzidos pelos programas.

    Os registros funcionaram como uma espécie de diário involuntário do trabalho realizado nas máquinas: preservavam informações como data, horário, modelo do aparelho e, em determinados casos, o IMEI —número único de identificação do celular. Isso permitiu aos investigadores confrontar aparelhos manipulados nos computadores com registros de celulares roubados ou furtados.

    Outro recurso foi o monitoramento de veículos por sistemas de leitura automática de placas. O procedimento foi usado para reconstruir os deslocamentos de um empresário investigado de Goiânia, estendendo o monitoramento para fora de São Paulo.

    O Ford EcoSport do suspeito apareceu registrado em dias consecutivos na região da rua Santa Ifigênia. Para os investigadores, a sequência ajudou a demonstrar que sua ligação com o comércio paulista não se restringiria a operações financeiras feitas à distância.

    A investigação ganhou uma terceira camada quando os dados obtidos nas ruas e nos equipamentos eletrônicos foram confrontados com informações fiscais e financeiras.

    O Gaeco recorreu a dados da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo) e a relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para comparar mercadorias, notas fiscais e movimentações de dinheiro.

    Entre as inconsistências identificadas está o caso de uma empresa que teria vendido mais de 750 mil celulares sem que fossem encontradas notas fiscais de entrada correspondentes aos IMEIs dos aparelhos.

    Os investigadores também identificaram suspeitas de emissão de notas fiscais sem correspondência com operações reais. Em um dos mecanismos descritos na apuração, o emissor ficaria com uma comissão equivalente a 3% do valor documentado.

    Rompida a estrutura econômica e financeira do comércio ilegal, a expectativa agora é que ocorra uma redução nos roubos e furtos de celulares —e haja muito trabalho pela frente, dado o volume de apreensões.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/operacao-de-combate-a-roubo-de-celular-em-sp-teve-caes-farejadores-campanas-e-pericias-digitais.shtml.

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    Operação Frankmobile, voltada ao combater da cadeia de roubos e furtos de celulares, contou com cães capazes de farejar eletroeletrônicos - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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