Economia

    ONU vê choque de produção e preços de alimentos por gargalo de fertilizantes em Ormuz

    Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã – 12/10/2026 (Foto: REUTERS/Stringer) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Navios-no-Estreito-de-Ormuz.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Falha no transporte de fertilizantes por Ormuz pode gerar crise alimentar, especialmente em países da Ásia e África, diz ONU The post ONU vê choque de produção e preços de alimentos por gargalo de fertilizantes em Ormuz appeared first on InfoMoney .

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    14 de outubro de 2026 às 15:52
    ONU vê choque de produção e preços de alimentos por gargalo de fertilizantes em Ormuz
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    Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã – 12/10/2026 (Foto: REUTERS/Stringer)

    A falha dos ⁠Estados Unidos e do Irã em chegar a um acordo, em poucas semanas, ⁠sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderia causar uma ‌crise de segurança alimentar em algumas regiões da Ásia e da África, afirmou nesta quarta-feira uma autoridade responsável pela supervisão do esquema proposto.

    As Nações Unidas criaram uma força-tarefa em março para facilitar a passagem de fertilizantes pelo estreito. O ‌mecanismo elaborado ainda não foi implementado, mas o subsecretário-geral das Nações Unidas, Jorge Moreira da Silva, disse que ele poderia ser ativado dentro de 7 a 10 dias após um acordo entre Washington e Teerã.

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    “É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, disse ele em entrevista em Bangcoc, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

    A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e a Embaixada do Irã em Bangcoc ⁠não ‌responderam imediatamente a um pedido de comentário.

    O Irã tem buscado reforçar seu controle sobre o Estreito de Ormuz desde os ⁠ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, utilizando esse ponto estratégico para pressionar Washington, que vem mantendo seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.

    Antes da guerra, a via navegável movimentava cerca de um terço da ureia comercializada globalmente — o fertilizante mais utilizado no mundo — e quase metade do enxofre transportado por via marítima, um insumo essencial. É também um importante canal para o abastecimento global de petróleo.

    Os embarques de fertilizantes da região do ​Golfo permaneceram praticamente paralisados mais de seis meses após o início do conflito, informou o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, com sede em Washington, em uma nota no mês passado.

    Os fertilizantes representaram uma parcela “muito insignificante” da ​retomada de alguns embarques durante um cessar-fogo entre meados de junho e meados de julho, afirmou o instituto.

    Se a interrupção no Estreito de Ormuz continuar, os preços das commodities poderão subir até 81% para os cereais, 66% para as culturas oleaginosas e 30% para os produtos de origem animal, de acordo com um relatório de agosto da Câmara de Comércio Internacional.

    “Se perdermos essa época de plantio, a produtividade da agricultura cairá significativamente e o impacto sobre ‌os preços aumentará consideravelmente”, disse Moreira da Silva.

    A operação proposta utilizaria um centro de ​coordenação em Omã para registrar os navios e coordenar a passagem segura, com monitores da ONU trabalhando em conjunto com as autoridades locais nos portos do Golfo para verificar o carregamento da carga.

    A passagem de apenas cinco navios por dia pelo Estreito de Ormuz poderia manter o fluxo de ⁠fertilizantes para países em situação de necessidade crítica, ​disse Moreira da Silva.

    Os navios ​seriam rastreados durante o trânsito, e inspeções adicionais poderiam ser realizadas caso os países levantassem preocupações sobre um navio ou sua carga, acrescentou.

    O Irã e ⁠os Estados Unidos têm trocado propostas por meio de intermediários desde ​que um cessar-fogo provisório, firmado em junho, fracassou. No entanto, os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz estão paralisados devido às condições impostas por Teerã e à insistência de Washington em abordar o programa nuclear iraniano desde o início.

    O mecanismo proposto pela ONU poderia operar ​paralelamente às negociações sobre um acordo abrangente que vise garantir a paz duradoura e a liberdade de navegação, disse Moreira da Silva.

    “O que estamos dizendo a eles é: enquanto vocês continuam suas discussões rumo ​a um acordo abrangente, deixem-nos trabalhar, ⁠deixem-nos fazer nosso trabalho”, disse ele, recusando-se a especificar os pontos de impasse exatos para um acordo, já que as discussões continuam com ambos os lados.

    Além da ⁠crise de Ormuz, a deterioração da situação na região do Mar Negro, onde navios de carga têm sido alvo de ataques, e uma ofensiva de militantes houthis apoiados pelo Irã ao longo de uma importante rota marítima no Mar Vermelho estão agravando a ameaça à segurança alimentar global.

    “O que estamos testemunhando agora é uma concentração de fatores”, disse Moreira da Silva. “A crise climática, a interrupção simultânea de pontos de estrangulamento marítimos no Mar Negro, no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz.”

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mundo/onu-ve-choque-de-producao-e-precos-de-alimentos-por-gargalo-de-fertilizantes-em-ormuz/.

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