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    ONU reúne chefes de Estado em Nova York sob crise sem precedentes

    Organização tem desafio orçamentário e Conselho de Segurança bloqueado em meio a número recorde de conflitos

    UOL
    20 de setembro de 2026 às 03:00
    ONU reúne chefes de Estado em Nova York sob crise sem precedentes
    Foto: UOL

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    Quando chefes de Estado de todo o mundo estiverem reunidos em Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas , cujos discursos dos líderes começam na próxima terça-feira (22), um problema parece difícil de ser jogado para baixo do tapete: o sistema ONU passa por uma crise sem precedentes.

    A sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos - Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters · Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters
    A sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos - Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters · Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A instituição navega uma crise orçamentária que levou sua direção a anunciar um "iminente colapso financeiro" no início deste ano. Além disso, tem o Conselho de Segurança , seu principal órgão, bloqueado por decisões das grandes potências enquanto assiste ao maior número de conflitos desde a Segunda Guerra (1939-1945) e vê o seu pilar básico, o multilateralismo, ser questionado por alguns dos maiores líderes mundiais.

    Os desafios não são propriamente uma novidade, mas se acumularam e inflaram de modo a configurar uma crise que diplomatas e especialistas avaliam como inédita na instituição fundada em 1945 e que hoje sabe que precisa se renovar. A questão é como.

    Desde o ano passado, mais países atrasaram o pagamento de suas contribuições obrigatórias e reduziram suas contribuições voluntárias, aquelas que ajudam a bancar a ajuda humanitária em países específicos. Agências no guarda-chuva da organização tiveram de repassar verba uma para a outra, reduzir sua atuação ou mesmo encerrá-la. O mais afetado foi o cidadão da ponta, que recebe o apoio.

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    Nesse jogo financeiro intrincado, os mais variados programas foram afetados. Há dois meses, por exemplo, a organização anunciou que o programa de resposta ao HIV sofreu um impacto nunca antes sentido desde que o mundo começou a responder ao vírus e à doença. A ajuda mundial para o programa caiu 23% em 2025. O programa de testagem foi reduzido em 22%. A distribuição de camisinhas, em mais de 90%.

    Diante de um mundo com número recorde de conflitos, a organização tampouco apresentou mediações importantes para solucionar aqueles de maior escala, como o que se desenrola na Ucrânia ou no Oriente Médio —uma dívida que vem sendo colocada na conta do secretário-geral, António Guterres, que está nos meses finais de seu mandato.

    As missões de paz foram reduzidas , e o apoio humanitário para mitigar a calamidade social em guerras que, no mais, são praticamente esquecidas foi igualmente enxugado. O caso mais expressivo talvez seja o do Sudão, em guerra civil há mais de três anos . Há poucos dias, a ONU disse que a ajuda humanitária ao país do nordeste da África pode colapsar nas próximas semanas devido ao desfinanciamento.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os maiores financiadores da instituição, os Estados Unidos estão em débito de mais de US$ 1 bilhão com a ONU. A dívida era ainda maior, e foi reduzida no último dia 16 com um pagamento de US$ 725 milhões feito por Washington. O presidente Donald Trump é um dos maiores críticos da organização.

    E, quando o tema são as grandes potências, o outro desafio latente bate à porta: a inoperância do Conselho de Segurança. Sucessivas votações foram bloqueadas pelo poder de veto dos membros permanentes, hoje eles próprios envolvidos nos maiores conflitos globais: a Rússia , na guerra na Ucrânia ; e os Estados Unidos, na guerra no Oriente Médio , seja a que iniciou no Irã seja o apoio que sempre ofertou a Israel na guerra em Gaza .

    Cada vez mais vozes pedem uma reforma no órgão. Além de uma bandeira de longa data do Brasil , também o secretário-geral Guterres tem verbalizado a necessidade de incluir mais países com poder de veto e diversificar a bancada para refletir o mundo de hoje, com potências emergentes, não somente a ordem dos anos 1940.

    Em alguma medida, a necessidade de reformar a organização foi pautada por Guterres, que no ano passado lançou o ONU80, um processo de reforma e corte de gastos, em teoria, para tornar a organização mais eficiente. O processo ainda está no caminho. E é difícil encontrar quem não diga que a necessidade de reforma é substancialmente maior.

    Os problemas da organização devem aparecer nos discursos de diversos chefes de Estado, que têm início na terça-feira, com o presidente Lula (PT) como o primeiro, dado que o Brasil tradicionalmente abre os trabalhos. Ele será seguido por Trump.

    Se estes mesmos líderes estarão dispostos a trabalhar para mudar a organização é outro tema.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/onu-reune-chefes-de-estado-em-nova-york-sob-crise-sem-precedentes.shtml.

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    A sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos - Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters · Eduardo Munoz - 27.abr.26/Reuters — Foto: UOL

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