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    ONU premia rede brasileira voltada à preservação do cerrado

    A ONU (Organização das Nações Unidas) premiou, nesta quarta-feira (26), uma iniciativa brasileira como 1 dos 3 exemplos mundiais de restauração de ecossistemas degradados. Trata-se da rede Araticum, voltada à preservação do cerrado . Leia mais (08/26/2026 - 07h00)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 10:00
    ONU premia rede brasileira voltada à preservação do cerrado
    Campo aberto com vegetação rasteira amarelada em primeiro plano e árvores esparsas ao fundo. Colina verde aparece sob céu carregado de nuvens cinzentas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A ONU (Organização das Nações Unidas) premiou, nesta quarta-feira (26), uma iniciativa brasileira como 1 dos 3 exemplos mundiais de restauração de ecossistemas degradados. Trata-se da rede Araticum, voltada à preservação do cerrado .

    Jardim Maytrea, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em 2022; local é uma das áreas de restauração do projeto Rede de Sementes do Cerrado, organização que integra a rede Araticum - Luana Santa Brígida/Divulgação · Luana Santa Brígid
    Jardim Maytrea, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em 2022; local é uma das áreas de restauração do projeto Rede de Sementes do Cerrado, organização que integra a rede Araticum - Luana Santa Brígida/Divulgação · Luana Santa Brígid — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O anúncio foi feito pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Os ganhadores foram revelados na COP17 (conferência para o combate à desertificação), realizada na Mongólia.

    O prêmio World Restoration Flagship (Referência Mundial em Restauração) também foi entregue a iniciativas em curso em Sahel, na África, e na Arábia Saudita, regiões que, assim como o Brasil, enfrentam seca, desertificação e impactos das mudanças climáticas. Esta é a segunda vez que o país tem um projeto em restauração escolhido no prêmio.

    "Investir em terras saudáveis é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças", diz Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma. "As três iniciativas mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos, desde a segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas."

    Recuperação do cerrado envolve cientistas e pesquisas da Embrapa - Embrapa · Embrapa
    Recuperação do cerrado envolve cientistas e pesquisas da Embrapa - Embrapa · Embrapa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em larga escala, de acordo com Inger. A destruição do bioma, continua ela, prejudica os povos indígenas, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.

    Criada em 2020, a Araticum - Articulação pela Restauração do Cerrado monitora 27 mil hectares de cerrado. Sua atuação abrange o Distrito Federal e os estados da Bahia , Goiás , Maranhão , Mato Grosso , Mato Grosso do Sul , Minas Gerais , Piauí , São Paulo e Tocantins .

    O projeto envolve regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas. As ações combinam recuperação ecossistêmica de florestas, savanas e campos com fortalecimento socioeconômico e autonomia das populações locais.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao todo, o plano é recuperar 2 milhões de hectares do bioma até 2030, uma área equivalente ao estado do Sergipe.

    A Araticum conta com 180 organizações, com representantes de indígenas, quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações sociais e instituições governamentais e privadas.

    "Esse reconhecimento mostra que nós, povos e comunidades tradicionais, que cuidamos desse bioma todos os dias, deixamos de ser apenas um indicador e passamos a ser os verdadeiros protagonistas desse processo", afirma Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Carol Sacramento, secretária-executiva da Araticum, diz que a visibilidade gerada pelo prêmio favorece a criação de políticas públicas e investimentos. "A restauração ecossistêmica é uma das ferramentas mais eficazes para garantir segurança hídrica, resiliência climática e redução das desigualdades sociais."

    O cerrado tem papel fundamental de regulação hídrica das principais bacias hidrográficas do país, além de sequestro e estocagem de carbono. Porém, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o avanço da conversão e da fragmentação do solo já reduziu em 50% sua vegetação nativa.

    "Restaurar o cerrado vai muito além do plantio: trata-se de recompor o funcionamento e os serviços dos ecossistemas, gerando trabalho e renda dignos, resgatando a identidade para quem vive no território", diz Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o prêmio "demonstra que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental capaz de aliar conservação da biodiversidade, ação climática e desenvolvimento".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/onu-premia-rede-brasileira-voltada-a-preservacao-do-cerrado.shtml.

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    Jardim Maytrea, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em 2022; local é uma das áreas de restauração do projeto Rede de Sementes do Cerrado, organização que integra a rede Araticum - Luana Santa Brígida/Divulgação · Luana Santa Brígid — Foto: Folha de S.Paulo

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