ONU premia rede brasileira voltada à preservação do cerrado
A ONU (Organização das Nações Unidas) premiou, nesta quarta-feira (26), uma iniciativa brasileira como 1 dos 3 exemplos mundiais de restauração de ecossistemas degradados. Trata-se da rede Araticum, voltada à preservação do cerrado . Leia mais (08/26/2026 - 07h00)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A ONU (Organização das Nações Unidas) premiou, nesta quarta-feira (26), uma iniciativa brasileira como 1 dos 3 exemplos mundiais de restauração de ecossistemas degradados. Trata-se da rede Araticum, voltada à preservação do cerrado .

O anúncio foi feito pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). Os ganhadores foram revelados na COP17 (conferência para o combate à desertificação), realizada na Mongólia.
O prêmio World Restoration Flagship (Referência Mundial em Restauração) também foi entregue a iniciativas em curso em Sahel, na África, e na Arábia Saudita, regiões que, assim como o Brasil, enfrentam seca, desertificação e impactos das mudanças climáticas. Esta é a segunda vez que o país tem um projeto em restauração escolhido no prêmio.
"Investir em terras saudáveis é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças", diz Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma. "As três iniciativas mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos, desde a segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas."

O cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em larga escala, de acordo com Inger. A destruição do bioma, continua ela, prejudica os povos indígenas, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.
Criada em 2020, a Araticum - Articulação pela Restauração do Cerrado monitora 27 mil hectares de cerrado. Sua atuação abrange o Distrito Federal e os estados da Bahia , Goiás , Maranhão , Mato Grosso , Mato Grosso do Sul , Minas Gerais , Piauí , São Paulo e Tocantins .
O projeto envolve regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas. As ações combinam recuperação ecossistêmica de florestas, savanas e campos com fortalecimento socioeconômico e autonomia das populações locais.

Ao todo, o plano é recuperar 2 milhões de hectares do bioma até 2030, uma área equivalente ao estado do Sergipe.
A Araticum conta com 180 organizações, com representantes de indígenas, quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações sociais e instituições governamentais e privadas.
"Esse reconhecimento mostra que nós, povos e comunidades tradicionais, que cuidamos desse bioma todos os dias, deixamos de ser apenas um indicador e passamos a ser os verdadeiros protagonistas desse processo", afirma Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum.

Carol Sacramento, secretária-executiva da Araticum, diz que a visibilidade gerada pelo prêmio favorece a criação de políticas públicas e investimentos. "A restauração ecossistêmica é uma das ferramentas mais eficazes para garantir segurança hídrica, resiliência climática e redução das desigualdades sociais."
O cerrado tem papel fundamental de regulação hídrica das principais bacias hidrográficas do país, além de sequestro e estocagem de carbono. Porém, de acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o avanço da conversão e da fragmentação do solo já reduziu em 50% sua vegetação nativa.
"Restaurar o cerrado vai muito além do plantio: trata-se de recompor o funcionamento e os serviços dos ecossistemas, gerando trabalho e renda dignos, resgatando a identidade para quem vive no território", diz Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o prêmio "demonstra que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental capaz de aliar conservação da biodiversidade, ação climática e desenvolvimento".
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/onu-premia-rede-brasileira-voltada-a-preservacao-do-cerrado.shtml.

Jardim Maytrea, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em 2022; local é uma das áreas de restauração do projeto Rede de Sementes do Cerrado, organização que integra a rede Araticum - Luana Santa Brígida/Divulgação · Luana Santa Brígid — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

