ONU pode eleger 1ª líder mulher em disputa com forte presença latina
Corrida para suceder António Guterres na ONU reúne 4 mulheres e 3 homens. Cinco dos candidatos têm origem latino-americana ou caribenha

A Organização das Nações Unidas (ONU) pode ter, pela primeira vez em mais de 80 anos de história, uma mulher como secretária-geral . A disputa para suceder o português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro, reúne sete candidaturas – quatro mulheres e três homens. A escolha será feita para um mandato que começa em 1º de janeiro de 2027.
O processo de escolha tem algumas etapas e deve ser finalizado entre agosto e dezembro de 2026.
A corrida também é marcada pela forte presença de representantes da América Latina e do Caribe. Dos sete nomes oficialmente na disputa, cinco são da região. São eles:

Completam a lista o ex-presidente do Senegal Macky Sall e o diplomata ugandês Olara Otunnu.
Michelle Bachelet é ex-presidente do Chile, e também foi diretora da ONU Mulheres e alta comissária para Direitos Humanos da ONU
O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, faz sua declaração na reunião do Conselho de Governadores na sede da Agência em Viena

Economista e ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan lidera a UNCTAD desde 2021
Diplomata equatoriana, María Fernanda Espinosa presidiu a Assembleia Geral da ONU entre 2018 e 2019
Diplomata da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett representa o país nas Nações Unidas desde 2020

Ex-presidente do Senegal, Macky Sall liderou o país entre 2012 e 2024 e figura entre os possíveis candidatos à Secretaria-Geral da ONU
Olara Otunnu é um diplomata e jurista ugandense que já atuou como subsecretário-geral da ONU e representante especial para Crianças e Conflitos Armados
A concentração de candidaturas latino-americanas ocorre em um momento em que a região é apontada como favorita para receber novamente o comando da ONU. A tradição informal de rotação geográfica entre os grupos regionais é um dos fatores considerados na disputa.

O único latino-americano a ter ocupado o cargo até hoje foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, secretário-geral entre 1982 e 1991.
A possibilidade de uma mulher chegar ao cargo é outro elemento inédito da eleição. Desde a criação da ONU, em 1945, nenhuma mulher foi escolhida como secretária-geral. Ao longo de mais de oito décadas, o posto foi ocupado exclusivamente por homens.
Quatro mulheres estão na disputa: Bachelet, Espinosa, Grynspan e Rodrigues Birkett. Entre elas, Grynspan e Rodrigues Birkett foram as mulheres mais bem colocadas na primeira sondagem informal do Conselho de Segurança, segundo a PassBlue, que ouviu fontes diplomáticas.

Grynspan, da Costa Rica, dirige a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) . Ela foi a mais bem avaliada na primeira sondagem informal realizada pelo Conselho de Segurança, em 30 de julho, com 10 votos de “incentivo” entre os 15 integrantes do órgão.
A segunda colocada foi Rodrigues Birkett, da Guiana, com nove votos de “incentivo”. Em terceiro ficou o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sete.
Bachelet recebeu seis votos de “incentivo”, mas também cinco de “desencorajamento” , enquanto Espinosa teve cinco votos favoráveis. Sall recebeu seis votos de “incentivo” e Otunnu, que entrou mais recentemente na corrida, teve dois.

A escolha do secretário-geral da ONU ocorre em duas etapas. Primeiro, os países-membros apresentam candidatos, que participam de diálogos com os integrantes da Assembleia Geral. Depois, o Conselho de Segurança analisa os nomes e negocia para chegar a um candidato.
O órgão é formado por 15 países, sendo cinco permanentes – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia – e 10 eleitos para mandatos de dois anos.
Antes da decisão, o Conselho pode realizar sondagens informais, conhecidas como straw polls, para medir o apoio a cada candidato. Nas consultas, os integrantes podem indicar “incentivo”, quando sinalizam apoio ao nome; “desencorajamento”, quando demonstram oposição; ou “sem opinião”.

A escolha exige pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 integrantes e não pode receber voto contrário de nenhum dos cinco membros permanentes, que têm poder de veto.
Depois de chegar a um acordo, o Conselho de Segurança envia uma recomendação à Assembleia Geral, que reúne os 193 Estados-membros da ONU. A Assembleia realiza então uma votação para formalizar a nomeação. O mandato do secretário-geral é de cinco anos e pode ser renovado.
Embora todos os países participem da etapa final, o Conselho de Segurança é quem define o nome que será levado à Assembleia Geral.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/onu-pode-eleger-1a-lider-mulher-em-disputa-com-forte-presenca-latina.

Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles
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