Brasil

    ONU aprova novo mapa-múndi menos distorcido; só EUA votam contra

    A Assembleia-Geral das Nações Unidas ( ONU ) aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que desencoraja o uso da projeção de Mercator do mapa-múndi e apoia a adoção de outro modelo que distorce menos as massas continentais. Leia mais (09/04/2026 - 17h13)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 20:13
    ONU aprova novo mapa-múndi menos distorcido; só EUA votam contra
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Assembleia-Geral das Nações Unidas ( ONU ) aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que desencoraja o uso da projeção de Mercator do mapa-múndi e apoia a adoção de outro modelo que distorce menos as massas continentais.

    Mapa Equal Earth, apoiado pela Assembleia-Geral da ONU e criado para distorcer menos as massas continentais - Equal Earth/via AFP · Equal Earth/via AFP
    Mapa Equal Earth, apoiado pela Assembleia-Geral da ONU e criado para distorcer menos as massas continentais - Equal Earth/via AFP · Equal Earth/via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um dos efeitos da projeção Equal Earth, uma proposta do cartógrafo Tom Patterson em parceria com o engenheiro Bojan Savric e o professor Bernhard Jenny, de 2018, é aumentar o tamanho da representação da África . Na projeção de Mercator, os países mais próximos dos pólos ficam maiores, o que fazia com que o continente africano parecesse do mesmo tamanho da Groenlândia, mesmo sendo 14 vezes maior.

    Não à toa, a promoção do texto foi liderada pelo Togo , após campanha da União Africana . Foram 164 países (Brasil entre eles) a favor da proposta, com apenas 6 abstenções (Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldova, Sérvia e Ucrânia) e 22 que não participaram da votação.

    O único país que votou contra foram os Estados Unidos . Ao argumentar contra a proposta, a representação de Washington afirmou que a resolução promovia uma "agenda ideológica" e desviava a atenção dos "verdadeiros problemas relacionados à paz internacional, à prosperidade ou às boas relações".

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Resoluções como esta e a agenda ideológica que promovem são entraves ao nosso trabalho aqui e a razão pela qual esta instituição está perdendo credibilidade. Quando as Nações Unidas se perguntam por que estão perdendo legitimidade no mundo e por que não são levadas a sério, apontamos, repetidas vezes, para resoluções como esta", afirmou a missão americana..

    O governo de Donald Trump , no entanto, tem usado justamente a cartografia para fazer pressão política contra adversários e avançar sua própria agenda ideológica.

    Trump renomeou o golfo do México para golfo da América em meio a disputas com o vizinho ao sul, e usou a mudança de nomenclatura como justificativa para barrar jornalistas da agência de notícias Associated Press —que não passou a usar o mesmo termo— de entrevistas coletivas na Casa Branca. Empresas de tecnologia, como Google e Apple, também passaram a adotar o termo em seus aplicativos de mapas.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais recentemente, também em disputa tarifária contra o Canadá, Trump renomeou o lago Ontário para lago América. Em meio à guerra contra o Irã, propôs mudar o nome do estreito de Hormuz para estreito de Trump .

    A controvérsia com a geografia do governo americano também passou, em julho, por uma apresentação de slides recente em conferência sobre a Aids, no Rio de Janeiro, na qual países e localizações no continente africano estavam completamente errados . O Departamento de Estado assumiu "total responsabilidade" pelo que chamou de confusão e deturpação.

    "A maioria das pessoas, ao olhar para o mapa, diz que simplesmente parece estranho", afirmou Patterson, um dos criadores do mapa de 2018. "Foi quando criamos a projeção Equal Earth. Ela mantém uma forma mais familiar do mundo, os continentes não ficam distorcidos, e a área é rigorosamente proporcional em todo o mapa."

    A projeção de Mercator foi apresentada pela primeira vez por Gerardus Mercator em 1569. Os mapas do geógrafo e cartógrafo nascido na região do Flandres (hoje Bélgica) ganharam popularidade e foram usados como cartas náuticas.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    "Um mundo justo começa com um mapa justo", disse o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, à Reuters antes da votação desta sexta-feira.

    A proposta "de forma alguma questiona o uso da projeção de Mercator para a navegação marítima e aérea, para as quais continua plenamente adequada", afirmou o ministério togolês em comunicado.

    O Togo planeja se reunir, nos próximos seis meses, com Estados-membros da União Africana e apoiadores de outras regiões para chegar a um acordo sobre como promover uma adoção mais ampla, afirmou o ministro togolês.

    Um dia antes da votação da resolução, a França anunciou que passaria a usar a projeção Eckert IV, próxima da proposta do mapa defendido pelo texto aprovado, uma medida que tenta aproximar Paris das antigas colônias no continente africano —relações hoje combalidas em meio a um processo de rejeição da antiga metrópole nesses países.

    A resolução não tem força de lei e não se torna obrigatória. Os próximos passos da campanha são justamente incentivar a adoção do novo modelo em escolas e instituições em todos os países. Segundo o ministro, as discussões sobre os próximos passos também devem incluir empresas que atuam com mapas, GPS e outras tecnologias baseadas em localização.

    Dussey associou a campanha pela adoção do mapa aos esforços mais amplos da África para enfrentar os legados da era colonial, ressaltando, porém, que não se trata de um ataque à Europa nem a qualquer outra civilização.

    O uso generalizado do mapa de Mercator é uma consequência da colonização, afirmou. "O mundo está mudando. A África também está mudando", disse.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/onu-aprova-novo-mapa-mundi-menos-distorcido-so-eua-votam-contra.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Mapa Equal Earth, apoiado pela Assembleia-Geral da ONU e criado para distorcer menos as massas continentais - Equal Earth/via AFP · Equal Earth/via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)