ONU aprova mudança na representação do mapa-múndi para reduzir distorções
Resolução aprovada por 164 países incentiva adoção de mapas que representem melhor o tamanho real dos continentes; Estados Unidos foram o único país a votar contra O post ONU aprova mudança na representação do mapa-múndi para reduzir distorções apareceu primeiro em Olhar Digital .

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas ( ONU ) aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que incentiva uma mudança na maneira como o mundo é representado nos mapas.
A proposta recebeu 164 votos favoráveis . Os Estados Unidos foram o único país a votar contra , enquanto seis países se abstiveram. A resolução não determina o abandono imediato dos mapas atualmente utilizados, mas recomenda que governos, organizações internacionais e outras instituições considerem projeções cartográficas capazes de representar de maneira mais precisa as dimensões das massas de terra .
A iniciativa, chamada de “Corrija o mapa” , é liderada por Togo em nome da União Africana. O movimento tem como um dos principais alvos a tradicional projeção de Mercator , criada no século XVI e desenvolvida originalmente para facilitar a navegação marítima.

O modelo continua presente em materiais educacionais, mapas digitais, meios de comunicação e documentos oficiais. O problema é que, embora seja útil para determinados objetivos cartográficos, ele distorce o tamanho relativo das regiões do planeta.
Para os defensores da mudança, o problema não é apenas matemático. A resolução aprovada pela ONU argumenta que mapas também influenciam a maneira como as pessoas enxergam e compreendem o mundo. As distorções podem ter consequências cognitivas, educacionais, culturais e geopolíticas , segundo o texto.
A permanência de uma representação que aumenta visualmente algumas regiões e reduz outras poderia, dessa forma, contribuir para uma percepção desequilibrada sobre diferentes povos e territórios. A proposta busca uma representação que se aproxime mais das dimensões reais das massas continentais.

Uma das alternativas apoiadas pela iniciativa é a projeção conhecida como “Terra Igual” (Equal Earth) .
Criado em 2018, o modelo procura preservar melhor as proporções entre as áreas dos continentes. A União Africana adotou a projeção como parte da iniciativa para apresentar uma representação mais próxima do tamanho real das diferentes regiões do planeta.
A ideia, porém, não é simplesmente trocar um mapa por outro de maneira imediata.

Como a resolução da ONU não é juridicamente obrigatória, sua aprovação funciona como um incentivo para que governos, instituições de ensino, organizações internacionais e empresas considerem alternativas à projeção de Mercator.
Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores de Togo, Robert Dussey , que lidera a iniciativa, afirmou que a proposta representa uma defesa da “verdade científica”.
Para Dussey, a discussão não se limita à cartografia. A maneira como os países e continentes são representados também influencia a percepção sobre diferentes povos e territórios.

A iniciativa é apoiada pela União Africana e foi relacionada ao Pacto para o Futuro , aprovado pelos países-membros da ONU em 2024. O acordo prevê ações destinadas a enfrentar desigualdades históricas e estruturais.
A votação, portanto, não significa que o tradicional mapa de Mercator desaparecerá. A decisão abre caminho para uma mudança gradual na forma como mapas do mundo são produzidos e utilizados, especialmente em contextos educacionais e institucionais.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/04/pro/onu-aprova-mudanca-na-representacao-do-mapa-mundi-para-reduzir-distorcoes/.

África no mapa-múndi tradicional baseado na projeção de Mercator (à esquerda) e no mapa Equal Earth de 2018 (à direita) – Imagem: equal-earth.com — Foto: Olhar Digital
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