Brasil

    ONU aponta falta de auditores para fiscalizar trabalho escravo no Brasil

    ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda que o Brasil amplie o efetivo de auditores fiscais do trabalho para combater o trabalho escravo, com atenção especial a áreas remotas e residências part...

    UOL
    12 de agosto de 2026 às 03:00
    ONU aponta falta de auditores para fiscalizar trabalho escravo no Brasil
    A imagem mostra uma área urbana com várias pessoas e barracas improvisadas. Há muitos guarda-sóis vermelhos e verdes, além de cobertores e plásticos que cobrem os objetos. Uma pessoa está de costas, vestindo uma camiseta preta com a sigla ' — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Mônica Bergamo

    Auditores fiscais do Ministério do Trabalho promovem fiscalização nos circuitos do Carnaval de Salvador - MTE/Divulgação · MTE/Divulgação
    Auditores fiscais do Ministério do Trabalho promovem fiscalização nos circuitos do Carnaval de Salvador - MTE/Divulgação · MTE/Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda que o Brasil amplie o efetivo de auditores fiscais do trabalho para combater o trabalho escravo , com atenção especial a áreas remotas e residências particulares. A avaliação está em relatório sobre formas contemporâneas de escravidão que será apresentado em 9 de setembro ao Conselho de Direitos Humanos da entidade, em Genebra .

    A avaliação foi produzida a partir da missão realizada no Brasil em 2025 pelo então relator especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata. Ele visitou Brasília, São Paulo, Marabá, Belo Horizonte e Rio de Janeiro e se reuniu com representantes dos governos federal e estadual, empresários, organizações da sociedade civil, pesquisadores e sobreviventes do trabalho escravo.

    O documento aponta que o país tem pouco mais de 2.600 auditores fiscais do trabalho para acompanhar as condições de mais de 100 milhões de trabalhadores. O número está abaixo dos 5.400 auditores indicados como referência para o Brasil. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) recomenda um inspetor para cada 20 mil trabalhadores em países em desenvolvimento.

    Trabalho análogo a escravo
    Trabalho análogo a escravo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Apesar de considerar que o Brasil possui uma estrutura jurídica e institucional desenvolvida para enfrentar o trabalho escravo, a ONU afirma que limitações na fiscalização dificultam a atuação do Estado. Segundo o relatório, a situação é especialmente complexa na Amazônia e em outras áreas rurais, onde a exploração pode estar relacionada a desmatamento ilegal, mineração, grilagem, extração de madeira e expansão da fronteira agropecuária.

    O documento aponta ainda uma necessidade urgente ampliar o acesso das vítimas à Justiça, responsabilizar empresas envolvidas na exploração, fortalecer políticas de prevenção e proteger grupos considerados mais vulneráveis, como povos indígenas, comunidades quilombolas, migrantes e trabalhadores domésticos.

    Outra proposta é criar ou reativar comissões estaduais de combate ao trabalho escravo em todas as unidades federativas.

    Servidores protestam contra trabalho análogo à escravidão
    Servidores protestam contra trabalho análogo à escravidão — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A falta de estrutura para a fiscalização também aparece em um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicado em 2025. Segundo a Nota Técnica nº 117, a quantidade de trabalhadores por auditor praticamente dobrou desde os anos 1990, enquanto a chance de um estabelecimento ser fiscalizado em determinado ano caiu de 11,3% para 3,8%.

    com KARINA MATIAS (interina), DIEGO ALEJANDRO e JULLIA GOUVEIA

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/monicabergamo/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/08/onu-aponta-falta-de-auditores-para-fiscalizar-trabalho-escravo-no-brasil.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Auditores fiscais do Ministério do Trabalho promovem fiscalização nos circuitos do Carnaval de Salvador - MTE/Divulgação · MTE/Divulgação — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)