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    ONS: não faz mais sentido ampliar geração de energia durante o dia

    Segundo diretor de planejamento, nova geração pode apenas deslocar oferta existente; saída passa por postergar investimentos ou apostar em baterias

    CNN Brasil
    25 de agosto de 2026 às 23:15
    ONS: não faz mais sentido ampliar geração de energia durante o dia
    Foto: CNN Brasil

    O excesso de energia no período diurno já reduz o espaço para novos investimentos em geração no Brasil. Segundo o diretor de Planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Alexandre Zucarato , adicionar nova potência nesses horários pode apenas substituir a geração que já está disponível no sistema.

    Segundo ele, uma das alternativas é postergar investimentos em geração ou ampliar o uso de sistemas de armazenamento capazes de guardar a energia produzida durante o dia para utilização nos horários de maior consumo.

    “Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou em entrevista ao Alta Voltagem , programa da CNN . “Isso pode ser contornado com uma postergação de investimentos que não têm outra alternativa”, acrescentou.

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    Zucarato afirma que esse cenário decorre de uma mudança estrutural da matriz elétrica brasileira, marcada pela rápida entrada de fontes renováveis, queda do custo dessas tecnologias e subsídios que estimularam a expansão da capacidade mesmo sem demanda equivalente.

    O avanço da oferta, no entanto, não ocorreu de forma uniforme ao longo do dia. Enquanto o perfil de consumo manteve um comportamento mais estável, parte importante da nova geração passou a se concentrar no período diurno.

    “A curva de consumo de energia segue seu comportamento, mas estamos colocando geração de energia só durante o dia , o que cria um descompasso entre oferta e demanda e o ONS precisa fazer uma ginástica para compensar essa diferença”, disse.

    “A causa raiz é a revolução tecnológica que aconteceu no setor elétrico, que foi a entrada maciça de fontes renováveis com uma velocidade muito rápida, os custos caindo e sem depender de leilões regulados”, afirmou.

    Embora a expansão da geração solar seja um dos principais fatores por trás desse movimento, Zucarato ressalta que o problema não se limita a essa fonte. Usinas térmicas com pouca flexibilidade para reduzir a produção e períodos de elevada geração eólica também podem aumentar a oferta em momentos em que não há consumo suficiente para absorver toda a energia produzida.

    Zucarato concorda com a avaliação do diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa , de que novos investimentos em geração precisam ser analisados diante do atual cenário de sobreoferta.

    Segundo o diretor do ONS, ampliar a capacidade de transmissão não é suficiente para eliminar todos os cortes de geração.

    Isso acontece porque parte do problema não está somente na capacidade de transportar a energia entre regiões, mas na falta de consumo suficiente para absorver toda a produção disponível no sistema.

    Nesses momentos, mesmo que haja capacidade de transmissão, o operador precisa reduzir a geração de algumas usinas para manter o equilíbrio entre oferta e demanda. Esse processo é conhecido como “curtailment” , ou corte de geração .

    Segundo Zucarato, o ONS já elaborou estudos para acompanhar a evolução dos cortes de geração e dimensionar o impacto da sobreoferta no sistema. O prognóstico mostra que, quando considerado apenas o período diurno, há cortes de geração por razões energéticas em cerca de 85% das horas.

    O operador também projeta que a necessidade de redução da geração poderá chegar a 40 GW em determinados cenários.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/ons-nao-faz-mais-sentido-ampliar-geracao-de-energia-durante-o-dia/.

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