ONS determina corte emergencial por excesso de energia pela segunda vez em 2026
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou o corte na geração distribuída de energia neste domingo (23) para evitar a sobrecarga da rede. É a segunda vez que o órgão aciona o mecanismo neste ano para equilibrar a carga de energia no sistema.

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O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou o corte na geração distribuída de energia neste domingo (23) para evitar a sobrecarga da rede. É a segunda vez que o órgão aciona o mecanismo neste ano para equilibrar a carga de energia no sistema.

O sistema elétrico precisa manter equilíbrio permanente entre a energia produzida e a consumida. Quando a geração fica muito acima da demanda, aumenta o risco de desligamento automático de equipamentos.
Geração distribuída é a modalidade em que o próprio consumidor residencial ou empresarial produz sua energia e pode vender o excedente para o sistema. No Brasil, o tipo mais comum é com energia solar.
O plano emergencial atinge a chamada mini e microgeração distribuída do tipo 3. Essa categoria inclui pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e fontes eólicas e solares de menor porte.

"O recurso é indicado para manter o equilíbrio do sistema frente à geração da micro e minigeração distribuída, combinada a uma carga menor por causa do final de semana", disse o ONS em comunicado.
As distribuidoras de energia foram informadas neste sábado (22) de que seria necessário acionar o plano de gestão de excedentes no domingo. O corte começou às 11h e deve seguir até as 13h30, segundo o pedido do ONS às empresas.
O ONS não tem controle sobre essas fontes e, por isso, precisa acionar as distribuidoras.

As pequenas produtoras de energia ligadas à rede por meio das distribuidoras "devolvem" à rede a geração não utilizada e, por isso, cabe às distribuidoras a gestão da carga.
O aumento no volume dessas instalações domésticas ou de pequeno porte tem sobrecarregado a rede de distribuição. A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) disse em nota que é "urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões".
O mecanismo acionado para este domingo faz parte de um plano emergencial de cortes implementado pelo operador após aprovação pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025.
O operador já realiza cortes de geração há anos, em eólicas e em grandes usinas solares, prática chamada de curtailment. Em 2025, o Brasil deixou de usar cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido produzida por suas usinas, e os cortes são o principal motivo.
Essas grandes produtoras são integradas ao sistema e, por isso, o ONS consegue manejar a carga. Com o aumento da geração distribuída nos últimos anos, foi necessário estender a regulação para esses produtores de menor escala, que são ligados à rede por meio das distribuidoras.
O ONS prevê começar a testar ainda neste ano cortes automáticos de geração distribuída solar remota para proteger o sistema. O piloto deve afetar a geração por fazendas solares, aquelas que produzem energia elétrica em um lugar e depois vendem essa produção por meio do crédito a consumidores.
Colaborou Thiago Bethônico, de São Paulo
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/ons-determina-corte-emergencial-por-excesso-de-energia-pela-segunda-vez-em-2026.shtml.

Placas de energia solar em Janaúba, no norte de Minas Gerais - Eduardo Anizelli - 11.dez.2024/Folhapress · Eduardo Anizelli - 11.dez.2024/Folhapress — Foto: UOL
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