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    ONG oferece R$ 600 mil a iniciativas que ajudem meninas a alcançar igualdade de gênero

    Uma menina que nasce hoje pode não ver mulheres e homens igualmente representados nos cargos de liderança ao longo da vida. A projeção está no Global Gender Gap Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, que estima em 120 anos o tempo necessário para alcançar a paridade global de gênero , se for mantido o ritmo histórico de progresso. Leia mais (10/11/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de outubro de 2026 às 15:00
    ONG oferece R$ 600 mil a iniciativas que ajudem meninas a alcançar igualdade de gênero
    Três meninas vestindo uniforme escolar branco e azul estão em frente a uma estante de madeira cheia de livros organizados. Uma delas está esticando o braço para pegar um livro na prateleira superior, enquanto as outras duas observam livros — Foto: Folha de S.Paulo

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    Uma menina que nasce hoje pode não ver mulheres e homens igualmente representados nos cargos de liderança ao longo da vida. A projeção está no Global Gender Gap Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, que estima em 120 anos o tempo necessário para alcançar a paridade global de gênero , se for mantido o ritmo histórico de progresso.

    Alunas participam de atividades de incentivo à leitura na Emef Ruy Barbosa, na zona norte de São Paulo - Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress · Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress
    Alunas participam de atividades de incentivo à leitura na Emef Ruy Barbosa, na zona norte de São Paulo - Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress · Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Plan International Brasil tenta encurtar essa espera com o fundo Acelere o Relógio da Igualdade, que ganha neste domingo (11), Dia Internacional da Menina , a segunda edição. São R$ 600 mil para projetos de todo o país que enfrentem desigualdades de gênero.

    Sem dinheiro, a vontade de mudar a realidade das meninas não sai do papel, afirma Flávio Debique, diretor de Programas e Advocacy da Plan Brasil. "Esse relógio só vai acelerar se a vontade e o desejo se transformarem também em orçamento, para que essas iniciativas ganhem materialidade nos territórios", diz.

    Debique reconhece avanços do país em educação e saúde , mas afirma que as brasileiras ainda enfrentam desigualdades que comprometem suas oportunidades, sua autonomia e a proteção contra a violência . Uma série de estudos e relatórios da própria ONG mostram a realidade das meninas no país. O Censo de 2022 contou 34,2 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em união conjugal , a maioria meninas, e 69% das garotas nessa situação são pretas ou pardas, afirma o diretor. O Brasil tem um dos piores índices mundiais de casamento infantil.

    Mãe e filha revelam como desigualdade mantém ciclo da gravidez na adolescência
    Mãe e filha revelam como desigualdade mantém ciclo da gravidez na adolescência — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lançado em junho com apoio da Plan, o livro "Nem Cresci e Já Sou Mãe" , da jornalista Joyce Ribeiro, reúne dados e relatos de jovens que engravidaram antes dos 19 anos. Segundo o IBGE, 7 em cada 10 mães adolescentes são negras, e 6 em cada 10 não trabalham nem estudam.

    Pesquisa citada na obra mostra que 60% das meninas deixam de estudar depois de se tornarem mães, ante 25% dos meninos que se tornam pais. "Essa gravidez antecipada muitas vezes determina o futuro das meninas, ali naquele momento, com 17, 18 anos", diz Joyce. Ela defende que a gravidez na adolescência não é uma falha individual, e sim reflexo de vulnerabilidades sociais, raciais e de gênero.

    Em pesquisa online com o Instituto QualiBest, feita em setembro de 2025 com 824 pessoas, 87% citaram violência sexual ao pensar em violência contra meninas, e 43% a apontaram como a mais comum no país.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A desigualdade nas tarefas de cuidado também começa na infância. Meninas dedicam mais horas do que os meninos a tarefas domésticas em todo o mundo, segundo dados citados no relatório. O estudo acompanha desde 2007 um grupo de meninas em nove países, entre eles o Brasil.

    Bianca, 17, uma das brasileiras ouvidas em 2024, contou que o pai e o irmão não fazem tarefas em casa porque já "fazem outras coisas". Quando essas rotinas se estabelecem na primeira infância, diz o documento, passam a ser tidas como naturais, "difíceis de questionar ou desafiar".

    O mesmo relatório associa o casamento e a união precoces à gravidez na adolescência e a uma carga ainda maior de cuidado. Estudos citados pela ONG sugerem que meninas casadas ou em união estável dedicam mais do que o dobro do tempo ao trabalho de cuidado não remunerado do que as solteiras.

    Na primeira edição, o fundo recebeu 319 inscrições e escolheu 25 iniciativas em dez estados. Uma delas é a do coletivo MãeDalas, de Belém. Sua fundadora, Marluce Araújo, diz que, ao saber do edital, quis imediatamente escrever o projeto para as adolescentes do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua (PA).

    Ela afirma que percebia a vulnerabilidade social e digital em que as meninas viviam, com poucos recursos para se educar e acessar políticas públicas.

    Com o apoio, o coletivo realizou três ciclos de oficinas sobre educação sexual e direitos das meninas. Na primeira oficina, em agosto de 2025, meninas de 10 a 18 anos desenharam um "relógio do tempo" para mostrar como o dia delas se divide entre escola, tarefas domésticas, lazer e descanso. A atividade provocou conversas sobre sobrecarga de cuidado e desigualdade de gênero .

    "O mais gratificante foi ver as mães levando as meninas", conta Marluce. As mães relataram estar felizes porque sabiam que as filhas precisavam daquele apoio, diz.

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    Quem quiser concorrer na nova edição pode se inscrever até 11 de novembro, na plataforma criada pela Plan. A ideia, diz Debique, é que as próprias jovens façam o cadastro, com apoio de materiais e sessões explicativas.

    Há uma categoria para meninas e jovens mulheres que querem tirar do papel ações em escolas, bairros e associações; outra para coletivos, grêmios e movimentos, que não precisam ser formalizados; e uma terceira para organizações da sociedade civil.

    As propostas podem tratar de temas como prevenção ao casamento infantil, educação para a igualdade e violência de gênero. Não haverá júri de especialistas. Depois da checagem de documentos, as candidatas avaliam projetos de outras e não podem votar no seu. Os mais bem avaliados recebem o dinheiro e, em caso de empate, pesa a presença de grupos historicamente excluídos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/10/ong-oferece-r-600-mil-a-iniciativas-que-ajudem-meninas-a-alcancar-igualdade-de-genero.shtml.

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    Alunas participam de atividades de incentivo à leitura na Emef Ruy Barbosa, na zona norte de São Paulo - Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress · Allison Sales - 24.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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