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    ONG é pega na mentira ao culpar chuva por atraso em projeto para indígenas

    Diante das contradições e falta de execução, o Ministério dos Povos Indígenas cobra a devolução de emenda de R$ 1,4 milhão

    Metrópoles
    29 de setembro de 2026 às 07:00
    ONG é pega na mentira ao culpar chuva por atraso em projeto para indígenas
    Foto: Metrópoles

    O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) apontou contradição na justificativa apresentada por uma entidade do terceiro setor para não ter executado projeto pago com emenda parlamentar. Enquanto o Instituto Brasil (Ibra) culpou o risco de chuvas e alagamentos pelo atraso, o governo federal constatou o oposto: seca e incêndios florestais.

    Diante das inconsistências nas justificativas e da falta de prestação de contas, o MPI pediu à ONG que devolva o valor da emenda parlamentar atualizado pela inflação.

    O instituto recebeu R$ 1,4 milhão de emenda indicada pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) para executar projeto de capacitação a 300 indígenas das etnias Xakriabá e Maxakali, em Minas Gerais. O valor foi pago ainda em 2024 e o projeto deveria ter sido executado no ano seguinte.

    Arte / Metrópoles
    Arte / Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao solicitar a prorrogação do prazo, o instituto afirmou ter executado apenas 30% do projeto e apontou como responsável pelo atraso o risco de chuvas e tempestades extremas. A área técnica do Ministério dos Povos Indígenas rejeitou as explicações e mencionou a ocorrência, inclusive, de estiagem e incêndios florestais no período.

    “No presente caso, a motivação apresentada pela OSC [Organização da Sociedade Civil] – baseada em chuvas impeditivas – é desconstituída por evidências fáticas oficiais que formalizaram o estado de emergência em Minas Gerais por seca severa e incêndios florestais no período em questão”, frisa o documento a que a coluna teve acesso.

    A área técnica do Ministério dos Povos Indígenas ressaltou ainda que o plano de trabalho da ONG previa atividades de natureza intelectual e pedagógica, que poderiam ser realizadas em locais cobertos. A pasta, então, rejeitou o pedido de prorrogação da vigência do convênio e deu-se início à prestação de contas.

    Sede da ONG fica em um endereço residencial
    Sede da ONG fica em um endereço residencial — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em outra nota técnica, o MPI concluiu que não houve execução das atividades planejadas no plano de trabalho e apontou mais irregularidades. “Conclui-se que os despesas realizadas pela OSC possuem evidências de irregularidades, com gastos elevados, serviços sem comprovação de execução, nexo causal frágil entre despesas e execução, desembolsos excessivos em etapas específicas e ausência de contratação de serviços para algumas das etapas”, ressaltou.

    O Ibra, conforme sua página oficial, atua em diversos seguimentos, como saúde, tecnologia e meio ambiente. A sede da ONG, conforme dados da Receita Federal e declaração ao MPI, fica em uma casa no Jardim Rosa Maria, São Paulo.

    Em nota à coluna, o Ministério dos Povos Indígenas afirmou que a situação relacionada à execução da emenda parlamentar está sendo apurada internamente, respeitando os trâmites burocráticos exigidos.

    Imagem colorida mostra sede de ONG que recebeu emenda mas foi pega na mentira ao culpar as chuvas por nao executar projeto | Metrópoles
    Imagem colorida mostra sede de ONG que recebeu emenda mas foi pega na mentira ao culpar as chuvas por nao executar projeto | Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A partir da conclusão do processo, caso seja necessário, todas as medidas jurídicas e administrativas serão adotadas para que não haja dano à administração pública federal”, completou.

    A deputada Célia Xakriabá, em nota enviada à coluna, afirmou que a celebração do convênio, a liberação dos recursos, o acompanhamento da execução e a análise das contas cabem ao órgão executor e à entidade conveniada, não ao gabinete.

    “Se qualquer irregularidade foi encontrada, a deputada comunicará os fatos às autoridades competentes e permanecerá à disposição dos órgãos de controle”, frisou a deputada.

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    A coluna entrou em contato com o Instituto Brasil, mas não houve retorno da ONG. O espaço segue aberto.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/ong-e-pega-na-mentira-ao-culpar-chuva-por-atraso-em-projeto-para-indigenas.

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