ONG cobra ditadura da Venezuela por atualização de mortos e desaparecidos 3 meses após terremotos
A organização venezuelana de direitos humanos Provea exigiu nesta quarta-feira (30) que a Venezuela atualize e publique de forma contínua os números de mortos e desaparecidos após os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho. Segundo a entidade, as autoridades interinas da ditadura estão há mais de 36 dias sem atualizar o total de mortos e há mais de 96 dias sem divulgar um novo balanço de desaparecidos. Leia mais (10/01/2026 - 20h02)

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A organização venezuelana de direitos humanos Provea exigiu nesta quarta-feira (30) que a Venezuela atualize e publique de forma contínua os números de mortos e desaparecidos após os dois terremotos que atingiram o país em 24 de junho. Segundo a entidade, as autoridades interinas da ditadura estão há mais de 36 dias sem atualizar o total de mortos e há mais de 96 dias sem divulgar um novo balanço de desaparecidos.

O último número oficial de mortos é de 6.509, enquanto o de desaparecidos permanece em 157, divulgado em 25 de junho, um dia depois dos tremores, segundo a Provea. A organização afirma que iniciativas de cidadãos relatam milhares de pessoas sem paradeiro desconhecido , mas ressalva que não há um registro público que permita respaldar esse número. "A informação salva vidas e é uma obrigação do Estado com as vítimas, seus familiares e o país", afirmou.
O balanço de mortos permanece sem novas atualizações pelas autoridades. No caso dos desaparecidos, uma plataforma criada para localizar pessoas, o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, contabiliza quase 30 mil pessoas cujo paradeiro ainda não foi localizado.
A dificuldade para determinar a dimensão da tragédia acompanha o país desde as primeiras semanas após os terremotos. A resposta do regime ao desastre foi alvo de críticas . Parte da população considerou lentas as ações de emergência lideradas por Delcy Rodríguez , enquanto civis assumiram parte dos esforços de resgate nas regiões mais atingidas.

Delcy rejeitou as críticas naquele momento, afirmou que as operações de busca e salvamento continuavam e, sem apresentar provas, acusou "laboratórios midiáticos" de tentar prejudicar o trabalho das equipes de emergência. O regime também afirmou, à época, que buscava manter desobstruídas as áreas e estradas atingidas para permitir a circulação de comboios de ajuda e equipes de emergência.
Críticos acusaram ainda a ditadura de politizar a resposta à tragédia , inclusive após a Polícia Nacional dificultar uma campanha de arrecadação de doações organizada pela oposição.
Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em 24 de junho e tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira , no norte do país, a cerca de 40 km de Caracas . Edifícios foram destruídos e milhares de moradores passaram a viver em abrigos improvisados. A capital venezuelana também sofreu danos provocados pelos tremores.

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Três meses depois, moradores das áreas mais atingidas ainda enfrentam escassez de água, problemas nos alojamentos temporários, paralisação de atividades econômicas e lentidão na retirada de escombros. A ajuda humanitária diminuiu desde as primeiras semanas, mesmo com as persistentes demandas por alimentos, medicamentos e meios para tornar a água potável.
O desastre também deixou consequências para a saúde e a moradia. Há relatos de aumento de problemas respiratórios relacionados à contaminação provocada pelos escombros e de transtornos de ansiedade e outros problemas de saúde mental entre sobreviventes. Parte das pessoas alojadas temporariamente em escolas precisou deixar esses espaços com o início do ano letivo.

A reconstrução deve exigir investimentos de até US$ 21 bilhões (cerca de R$ 113,4 bilhões), segundo uma avaliação de necessidades pós-desastre elaborada pela ONU, pelo regime venezuelano e por outras instituições internacionais. O documento estima em US$ 14,8 bilhões (cerca de R$ 80,1 bilhões) as perdas provocadas pelos terremotos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/ong-cobra-regime-da-venezuela-por-atualizacao-de-mortos-e-desaparecidos-3-meses-apos-terremotos.shtml.

Membro da Defesa Civil venezuelana realiza buscas em prédio colapsado na região de La Guaira, a mais atingida pelos terremotos - Juan Barreto - 24.set.26/AFP · Juan Barreto - 24.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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