ONG aponta ao governo 15 mil endereços do Telegram com indícios de crimes
A Safernet, ONG brasileira dedicada à promoção e defesa dos direitos humanos na internet , apresentou uma representação à ANPD ( Agência Nacional de Proteção de Dados ) exigindo que o Telegram seja responsabilizado por suposta omissão sistemática e facilitação de crimes graves cometidos em sua plataforma. Leia mais (08/14/2026 - 16h04)

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A Safernet, ONG brasileira dedicada à promoção e defesa dos direitos humanos na internet , apresentou uma representação à ANPD ( Agência Nacional de Proteção de Dados ) exigindo que o Telegram seja responsabilizado por suposta omissão sistemática e facilitação de crimes graves cometidos em sua plataforma.

Baseado em um estudo que monitorou o Telegram de 2017 a 2026, o levantamento identificou quase 15 mil endereços com conteúdos criminosos, incluindo abuso sexual infantil e incentivo à automutilação.
Os dados foram retirados da íntegra do acervo do Canal de Denúncias da ONG. Ao todo, foram identificados 14.969 endereços únicos do Telegram, sendo que 8.160 deles (54,5%) já estavam inexistentes ou removidos e 4.851 (32,4%) eram convites revogados.
Os demais 1.958 endereços (13,1%) permaneciam ativos e públicos nas datas da verificação, conduzida neste mês. Entre eles, 435 convites para grupos privados ainda válidos.

E, desses 1.958, 1.093 tinham indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes e 22 continham indícios de incitação a automutilação e suicídio.
Segundo a Safernet, a análise dos links publicados pelos canais ativos revelou uma rede em expansão: 468 canais do Telegram até então desconhecidos da base de denúncias foram descobertos a partir dos que sobreviveram.
O levantamento mostra um crescimento acentuado a partir de 2022 e pico histórico de denúncias em julho de 2026.

A relação completa dos endereços ativos foi entregue às autoridades da ANPD para fins de investigação.
A Folha questionou o Telegram sobre as denúncias por e-mail e pelo próprio aplicativo, mas não obteve resposta até a última atualização.
A ONG destaca que a verificação empregou exclusivamente a camada pública de pré-visualização da plataforma com consultas via API sem autenticação, sem ingresso em grupos e sem acesso a mensagens, mídia ou dados de participantes.
Para Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil, o "Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial".
A denúncia teve como base o ECA Digital e o Marco Civil da Internet, que estabelecem punições rigorosas para falhas sistêmicas de moderação.
Outro ponto abordado na representação é a exposição da economia por trás de robôs de nudificação por inteligência artificial , que monetizam a violência digital por meio da infraestrutura financeira do próprio aplicativo.
A pesquisa aponta que esses indicadores vêm se agravando, com um pico histórico de denúncias registrado em julho de 2026, que teve 587 denúncias.
Segundo a Safernet, o Telegram está sob investigação da Ofcom, no Reino Unido , por suspeita de descumprimento dos deveres de impedir o compartilhamento de material de abuso sexual infantil, e responde a ação de penalidade civil da eSafety Commissioner, na Austrália , por falhas sistêmicas na remoção de material ilícito.
"Relatório da organização europeia AI Forensics (abril de 2026) documentou ecossistema semelhante [ao brasileiro] que alcançou cerca de 52 mil pessoas na Itália e na Espanha, com grupos removidos e recriados com o mesmo nome em questão de horas; e a Internet Watch Foundation (IWF) registrou aumento de 26.385% nos vídeos realistas de abuso sexual infantil gerados por IA entre 2024 e 2025.
Quem encontrar conteúdo de abuso ou exploração sexual infantil na internet não deve acessar, salvar ou compartilhar o material: a orientação é denunciar imediatamente, de forma anônima, rápida e segura no formulário disponível em www.denuncie.org.br.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/ong-aponta-ao-governo-15-mil-enderecos-do-telegram-com-indicios-de-crimes.shtml.

Logomarca do Telegram; a ONG Safernet Brasil identificou 14.969 endereços da plataforma denunciados por conter conteúdo criminoso desde 2017 - Thomas White - 29.jul.26/Reuters · Thomas White - 29.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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