Brasil

    Onde foi parar a festa da democracia?

    ão muito tempo atrás, ainda era possível descrever o dia da eleição como festivo. Não que não houvesse divergências entre as pessoas, mas elas eram vistas mais como escolhas distintas do que como ame...

    UOL
    3 de outubro de 2026 às 15:00
    Onde foi parar a festa da democracia?
    Homem de terno amarelo tenta manter equilíbrio na borda de um muro de pedra enquanto criatura vermelha com chifres e garras se aproxima ameaçadoramente. — Foto: UOL

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman
    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Não muito tempo atrás, ainda era possível descrever o dia da eleição como festivo. Não que não houvesse divergências entre as pessoas, mas elas eram vistas mais como escolhas distintas do que como ameaça existencial. Estava implícito que quem perdesse aceitaria o resultado, parabenizaria o vencedor, e iria para a oposição. Ainda celebrávamos a retomada do direito de escolher nossos dirigentes depois de um hiato de mais de 20 anos imposto pela ditadura militar .

    Tudo mudou. Já não podemos contar que o derrotado aceitará graciosamente o veredicto popular. Mesmo excluindo o cenário extremo de uma tentativa de golpe, como a que ocorreu após o último pleito, é possível que o perdedor não reconheça imediatamente o resultado e parta para algum tipo de judicialização. É preocupante porque seria a democracia deixando de entregar seu produto principal, que é a transferência não violenta do poder.

    Neste domingo, o clima é mais de consternação do que de festa. A indefinição deverá se prolongar por mais três semanas e, para os eleitores que não se identificam positivamente com nenhum dos dois principais competidores, só o que lhes resta é escolher o que consideram ser o mal menor.

    Veja uma seleção de charges de Cláudio de Oliveira sobre a campanha de 2026
    Veja uma seleção de charges de Cláudio de Oliveira sobre a campanha de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Sou capaz de apreciar a arquitetura conceitual de autores como Kant, Hannah Arendt e Slavoj Zizek, que rejeitam a doutrina do mal menor. Conformar-se sempre com ela é de fato um problema. Movimentos de cordão sanitário tendem a ter efeito transitório. Mas não consigo rejeitar a argumentação de filósofos mais pé no chão que costumam trazer a realidade para suas considerações. Até entre a forca e a fogueira há uma alternativa melhor e outra pior. Podemos pessoalmente nos furtar a uma escolha, mas fazê-lo não elimina o problema. Mesmo para quem não gosta de nenhum dos dois candidatos, é difícil que eles empatem em todos os quesitos do eleitor. Deve haver um que lhe pareça menos ruim. É esse dilema que exige nossa atenção.

    Não há clima para festa, mas o simples fato de estarmos votando já tem significado positivo.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/helioschwartsman/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/10/onde-foi-parar-a-festa-da-democracia.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)